Poemas Góticos de Amor
Um quase lamento de domingo
Naquela madrugada, juntei todos os meus cacos
com os restos da imensa tristeza que me consumia
e tranquei tudo junto com os meus sonhos
em um envelope branco sem selo.
Junto com as cinzas do meu corpo cansado
e com o pranto que inundava meus olhos de lágrimas na ocasião.
Por todos os lados que eu olhasse
só via os insetos (todos) caminhando sem rumo,
perdidos pelo chão da cozinha.
Na pia, os pratos sujos, com os restos da janta de ontem.
Despedaçado por dentro,
vesti a dor que o caminho pintava d’ouro.
Caminho amargo e duro que se precipitava.
E bem em meio a este meu lamento,
vi refletido no espelho do móvel de subir ratos lá de casa,
dois ou três segundos do mais puro desespero
e da mais singular desilusão.
<Memórias do caos>
Põe fermento na mistura, sova e amassa a massa,
deixa a mistura vingar, deixa o bolo da vida crescer.
Por que o tédio, amigo, é a sala de espera do caos:
- Do nada, transborda e escorre pelas bordas
e sem se perceber, o vazio que era, rapidamente deixa de ser.
Valoriza as suas conquistas diárias, segue em frente com a tua vida,
dá um beijo de boa noite na sua filha
e um abraço apertado no seu pai...
Por que de repente a roda da vida gira
e até o caos que parecia bom vai entediar você.
<Coca-Cola com veneno de rato e limão capeta>
Morri aos quinze anos de idade.
Não me lembro muito bem do motivo da minha morte na ocasião.
Na noite daquele fatídico domingo,
abraçado com a enorme dor que me consumia,
saltei umas dez vezes do cume mais escuro da minha existência.
Enquanto eu caía,
pude sentir as dores nas vozes gritadas
e o sofrimento nas distorções das guitarras insensíveis e frias
que ressoavam tristes enquanto vibravam e reverberavam
através dos meus fones de ouvido.
Os mesmos fones que me protegeram em vida
e que se espatifaram mudos na solidão do meu travesseiro,
na agonia da minha jornada de pesadelos madrugada adentro,
até o desembocar na segurança da manhã seguinte,
quando o sol veio me consolar.
De todas as dores sentidas à época, a de segunda-feira,
dia seguinte ao incidente, foi a mais dolorida.
Mais até do que a dor da véspera, em tom de despedida.
Pareceu-me a morte, pareceu-me que não pararia, pareceu, parecia...
Nada comparado às feridas de agora, é claro, nem à escuridão de ontem.
E pra minha infelicidade, duas décadas depois, o meu corpo ainda está em queda livre.
E a escuridão que me habitava as noites, jamais se fez luz, um diazinho sequer.
Pior... Agora dá expediente também durante o dia.
Hoje, faz vinte e um anos que morri pela primeira vez,
e desde a minha última partida, essa é a primeira vez que comemoro em vida.
QUANDO PARTIR
Quando partir serei
Um ser delicioso
Talvez um verme
Um pouco de nada
Invisível na poeira
Uma folha seca levada
Pelas águas que correm
Com força para o mar
Um misterioso sentido
Já esquecido de alguém
Um amoroso sentimento
Onde foi enterrado
No meu longo repouso.
CARREGO
Carrego no corpo todas as dores
Possíveis deste mundo cruel
Escrevo versos para repousar
A minha amargura no desassossego
Das minhas noites mal dormidas
Neste cansaço mental
Onde o colchão me faz doer
As costas ferozmente
Sonho sem asas que me faz cair
Entre a morte sentida ou desejada
Quem sabe se não é este ópio
Agarrado ao corpo
Tu és o meu anjo a minha cruz
Nestas noites de chuva escrevo
Sem esperança duma noite bem dormida.
Seca
A folha secou, a árvore murchou
o sol se pôs e o inverno chegou.
Lembranças inundam uma mente senil,
que dentro de alguns instantes
também as apagará.
Grito. Alguém ouve?
Você está bem. Logo supera.
A vida se supera, mas não reina.
Queima, mas apaga
com a enxurrada que vem com as lágrimas.
Onde estou? Para onde vou?
Caminho e não vejo fim.
Paro, respiro. Existo?
Nem sei para que
tampouco porque.
Sigo para onde não vejo.
Fico, pois o medo estagna.
A árvore já não balança,
fruto não deu.
Está podre por dentro. Seca viveu.
Aos detalhes desatentos da vida,
centradas sempre no eu.
O outro não existe, a não ser que seja para mim,
que sirva para mim,
Senão, não viveu.
Aos cães que ladram sobre meu corpo:
Fiquem e se regozijem com meus ossos.
Lambujem-se com minhas carnes
Matem sua sede com meu sangue,
Mas deixem meus sonhos em paz!
Novos passos
Se contadas fossem as noites que em claro passei,
te diria com toda convicção, que não sei.
Perdido, olhando as sombras das folhas
das árvores que dançam pelo chão,à luz da lua,
me perco em viagens que o meu pensamento faz.
Sonho com lugares novos, horizontes diferentes,
caminhos mais longos, onde posso fazer das
ideias campos novos de amor , sonhos, terra
nova, para se lançar novas sementes.
A cada passo dado, o coração renova busca outras
esperanças.
Outras paragens surgirão, rostos diferentes novas
ilusões serão ao coração apresentadas, e ele a uma
irá escolher, embora dentro dele se encontrem,bem
no fundo, velhas lembranças guardadas.
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E
Um dia,
Uma noite, talvez.
Um dia, não muito distante do presente
o meu coração estava fechado para o amor
Foi difícil voltar a amar,
Mas por ironia do destino a que estou todo entregue
Voltei a abrir o meu pobre coração
Voltei a dar a amarga oporunidade ao Amor...
Passando dias doces com misturas de amargo,
a responsável pela abertura do meu coração desistiu de me amar...
Talvez por ser um amor proibido
talvez por confundir uma mera paixão e desejo com Amor
Ela amargou o meu coração com as suas palavras de lamento,
alegando que ainda me amava...
que este lindo amor em seu coração,
ela ainda guardava
Ai como foi difícil para convencer o meu coração que noutro hora pensava ser impenetrável
impenetrável contra este sentimento que só machuca e me deixa abalável
Como confortar o meu coração outra vez
como confortar ele de uma perda inimaginável
Como comprender este sentimento incompreensível
Meu coração voltou a chorar,
após um longo período de protecção
Meu coração está desgostoso
Talvez ele fique bem
Mas neste momento está triste
A beleza do amor que residia nele
foi maltratado e destruído pelo engano do amor
Ele ficará bem!
Adeus meu bem!
• traição.
todos já foram.
aquilo que se denomina pecado.
se torna rotina.
rotina regrada.
pontual.
se faz com pouco.
pensando.
olhando.
falando.
agindo.
mas se torna grande.
somos balões.
e em meio a nós.
um grande cacto.
e a cada dia o mesmo cresce.
cresce.
cresce.
e cresce.
acaba por destruir todos nós.
assim é definido.
com sutileza.
o que nos destrói.
nos devasta.
nos ensina.
Inércia
Vários planos
Nenhuma atitude
Vários sonhos
Nenhuma conquista
Estou no caminho?
Se estou não estou seguindo.
Por que motivo parei?
Desde quando perdi o foco?
Hoje vejo todos passarem de mim,
Mesmo aqueles que estavam lá atrás.
O que posso fazer?
Agir.
Esse é o x da questão.
LÁGRIMAS
Hoje ela chegou devagarinho,
Invadindo meu coração.
Chorei no escuro, sozinho,
Minha mais triste emoção.
A tristeza golpeou meu peito,
Causando-me essa dor cruel.
Tentei segurar, não teve jeito,
Caíram-se lagrimas, sabor de fel.
Meu travesseiro ficou molhado,
Pelo meu pranto ferido.
Lavei meu rosto banhado,
Mais um dia sobrevivido.
- Cedric Constance
NOITE VAZIA
Chega a noite de mansinho,
Trazendo com ela a solidão.
Apenas anseio por carinho,
No vazio dessa escuridão.
Sou aquele sem ninguém,
Sem um amor para chamar de meu.
Desejo só ter alguém,
Mas o mundo me esqueceu.
E esquecido fico a vagar,
Nos cômodos da casa silenciosa.
Como dói não ter a quem amar,
Nesta madrugada ociosa.
Queria um abraço a me envolver,
E também uma companhia.
Sozinho espero o amanhecer,
Solitário até raiar o dia.
- Cedric Constance
Vou leva - ló embora.
Vou joga - ló em um buraco negro sem fim.
Acabarei com o show que se chama de vida.
Serei sua assombração particular.
Vou te levar mesmo que não queira.
Farei seus demônios te enlouquecerem.
Irei consumir sua vida e destruir sua alma.
E fazer todo o ar sair dos seus pulmões.
Beber todo o seu sangue como um vampiro.
Fazer com que seu coração pare de bater.
E com este feitiço que levo sua vida.
Adormece - ló num sono eterno.
Deito na cama e fecho os olhos. Tudo parece um pesadelo, mas estou acordada. Parece que estou com paralisia do sono, pois não consigo me mover, não consigo fazer nada. Algo me prende.
Abro os olhos, preciso saber o horário. Ainda são três horas da manhã. Falta muito tempo para amanhecer.
Fecho os olhos. Lembro de quando eu era feliz, de quando eu não te conhecia ou, ao menos, você era apenas mais uma pessoa naquela pacata cidade.
Sem tua presenca eu fico feito rosa branca
Feito calmaria que da alma arranca
Sem voce a vida é feito rapunzel
Joga suas madeixas que caem feito papel
Efeito romaria vem atras de uma folia
De reis ou santa maria pra curar a melancolia
Que em mim passa mais um dia em compania da mais valia
O grito da depressão.
Minha vida é uma cortina rasgada,
não alegro mais o ambiente, vivo,
nesse quarto escuro e frio,
já não me recordo mais,
a ultima vez que sorri, ou vivi,
da vida de antes, já me despedi,
construo, meu próprio mundo,
onde tudo, é enfadonho e estranho,
os que me amavam, sumiram!,
aos que me juravam, percebi,
pessoas, preferem amores fáceis,
nas primeiras possibilidades,
de continuarem no que me tornei,
vão,em um simples adeus,
ou ficam, em mensagens de bom dia,
sem nem mesmo, lembrarem,
do que fomos, ou poderíamos,
onde estão meus convidados?,
abram a cortina rasgada,
para os que venham assistir,
a farsa, da minha depressão,
onde muitos me acusam!,
uma cortina rasgada no quarto?,
chamando sempre atenção,
ao teu despenhadeiro,
levo meu corpo a noite,
me enfeitando da morte,
pra própria sorte enganar,
sem nunca querer morrer,
me fazendo sem remorso,
seu punhal no meu peito,
durante uma crise de choro,
quando a angustia era tanta,
fiz de você minha santa,
hoje, sem ninguém, pra me ouvir,
bebemos, num copo só, eu e você,
minha amarga, amiga, depressão sentida.
Poderia dizer que sei exatamente o que você está sentindo nesse momento, mas isso não seria verdade. Cada pessoa vive a perda de um ente querido de uma forma muito particular, e o luto se manifesta de maneiras diferentes em cada um.
O que posso dizer é que já sofri a dor de uma separação causada pela morte, e sei o quanto pode doer. O mais importante nesse momento é você estar perto dos seus amigos e familiares, pessoas que gostam de você e que vão ajudar a dissipar a escuridão.
Você até pode sentir que está quebrada e sem esperança, mas eu farei de todo o possível para recolher cada lágrima e colar cada pedacinho, te devolvendo alegria e a felicidade. Tenha a certeza que você não está sozinha e nem desamparada.
Olhando para o presente, imaginamos um futuro.
E achamos que esse rio da vida vai continuar seu percurso da mesma forma que o vemos agora.
Sem redesenhar suas margens;
Sem reduzir-se em épocas secas;
ou desbarrancar em tempos tempestuosos.
O futuro é vida, e vida é imprevisível.
Por ser imprevisível, não devemos nos orgulhar.
Pelo mesmo motivo não devemos nos desesperar.
