Poemas Góticos de Amor
Morri por fraqueza.
Morri por orgulho.
Morri por tristeza.
Morri por solidão.
Morri por frustração.
Morri por falta de ajuda;
Morri pedindo ajuda.
Morri por falta de empatia.
Morri por esperar e por não esperar.
Morri por esquecer e por ser esquecido também.
Morri por amor e pela falta dele.
Simplesmente morri.
Por minha morte, não me tire por menos e não me tire por mais. Apenas entenda que morri e acho que estou em paz.
Morri no espaço transitório de onde minha vida se encaixava, ou seja, em trânsito nenhum.
Morri por coragem ou por falta dela.
Morri por forteza; assim como Morri por muralhas quebradas e destruídas.
Simplesmente morri.
Morri sem uma amizade verdadeira.
Morri sem o amor dos que são meus de sangue, mesmo sabendo que eu morreria por cada um deles.
Mas, morri mesmo por ter escolhido sentar no lado errado da mesa da vida.
E assim….
Simplesmente morri.
Morri simplesmente.
Horas Ociosas -
Há horas que nos vivem
de tristeza e agonia, horas ociosas
que a ilusão nos perpetua! E as Almas sentem
tristes agonias, frias ilusões em horas mortas ...
Alta vai a Alma à hora da morte,
já o tempo, afoito, se lhe esgotou,
já se foi, despedaçada a sua sorte
agoirada por um corvo que ali passou ...
Grasnou! Grasnou! Soturno, austero ...
Noite densa, esvai-se a Luz
e o negro corvo poisa na mormória cruz!
Olhou! Olhou! Sombrio em desespero ...
Tlão ... tlão - no cemitério - não viu ninguém!
E num lento restolhar levanta voo e voa além ...
Évora Morta -
Évora morta curvada à solidão,
ruas tristes, tristes ermos, calçadas e janelas
que na dolência, ao passar, ansiando por perdão,
gemem pelas horas a desgraça das vielas …
Évora morta deleitada à solidão
terra seca de melancolia
que o tempo leva pela mão,
na brancura, dia-a-dia …
Évora morta num silêncio que vigia,
num espasmo de quimera
numa noite que inicia … e quase desespera!
Mas quando manhã alta o Sol desponta,
Évora desperta, Évora amanhece,
para logo anoitecer, e voltar a ser, Évora morta!
Do Esquecimento I -
Eu sou o que escrevi,
mas há como esquecer,
a morte, esse eterno adormecer
pode apagar o que vivi ...
A memória é coisa breve,
o esquecimento uma verdade,
que a terra seja leve
a quem parte sem idade ...
Eu sou, fui e hei-de ser,
devo dize-lo firmemente
que nem morrendo hei-de morrer!
Pois sou mais que o esquecimento,
sou mais que o ser que já não é
num eterno pensamento ...
Lentamente -
Lentamente da tristeza se fez pranto
seguro e calmo como a Alma
e da Alma se fez canto
porque a tristeza era calma!
Mas lentamente a calma se perdeu,
a desgraça trouxe o drama
e ante os olhos meus, alguém morreu,
apagou-se a graça de quem ama!
Foi lento e triste que, calmamente,
da vida alguém distante,
aos poucos, se perdeu, lentamente ...
Ao longe, esse alguém parecia errante,
numa agonia austera e sufocante
que, pouco a pouco o consumia, lentamente ...
Decisão -
Partiste sem quê nem porquê!
Triste devaneio, quase enlouqueci!
Sem ti, ceguei, esperar para quê,
se nunca mais te vi!
Sofri, esperei - tudo em vão!
Partiste, então, quase enlouqueci,
quase parou meu coração,
quase da vida me perdi!
E de repente alguém chegou ...
Outro olhar, outro gesto, outro Amar!
E esse alguém se declarou ...
Tremi! Tive medo! Mas pensei ...
Pensei, repensei e sentindo que te perdi,
decidi esquecer-te e aceitei!
Triste Perecer -
E amarrei um grito em mim
solto de vontades adiadas
que esbatem na Vida por aí
em bocas de Almas pouco amadas ...
Então, despertei cedo pela manhã ...
E o dia fez-se pranto,
o pranto esperança vã
e a esperança triste canto!
E longas agonias foram dadas
tantas horas diluidas
tantas vidas mal amadas ...
Já não basta adormecer!
Adormecer já não me basta!
Eu sou o Amanhecer ...
Inscrição Duvidosa -
Sinto a Alma triste, embriagada
de um balsamo tenso e sem vida,
minha vida ao tormento vai rasgada,
vai oculta, rasgada e perdida,
dia, noite e madrugada!
Há dias que me enchem, que me vivem
de solidões lacústres e ardentes,
vozes tristes que me dizem:
" não almejes ò mortal o que não sentes!"
Velhas vozes do restelo que ainda nos maldizem!
E quando a morte me trouxer esse momento,
o de dormir sem saber onde acordar,
que não haja em meu ser ressentimento,
que não haja ao pè de mim triste-chorar,
que haja apenas liberdade e esquecinento ...
Não quero ao pè de mim ninguèm fingindo
que a dor lhe assalta a Alma ou o Pensamento,
quero gente ao pè de mim cantando e sorrindo,
num puro, sagrado e eterno sentimento!
Que eu me irei ao ceu, subindo ... subindo ...
Quero-me ir em silêncio ao marmore jazigo,
sem prantos, sem dores ou lamentos,
quero ir, contigo, a meu lado, dormido
em panos d'oiro e carmezim de cantos ...
Não abandones, meu amor, este meu sonho antigo!
Que a morte me leve a sòs sem ninguèm ver,
que nada me perssiga, nem pena nem adeus,
quero deitar-me no leito e adormecer,
rasgar a vida, morrer, subir aos cèus,
sem dor, silvas ou tormentos padecer!
Pois fiz da vida uma busca e fui aborto,
procurei saber e percorrer o meu caminho,
mas fui Alma que viveu alèm do corpo,
um fado, um poema, um destino,
triste sombrio e absorto ...
Sempre quis que a morte ao vir a mim
encontrasse alguèm sabido em liberdade,
procurei, estive aqui, disse não e disse sim,
pr'a que a morte à hora da verdade,
não viesse matar um morto ... e foi assim!
A geração triste das fotos felizes!
Somos o que restou da humanidade.
Que tem sempre à mão intensas emoções (ou pseudo-emoções), mas que ainda assim, perdeu as únicas qualidades admiráveis - o estoicismo, a autocrítica e um agudo senso de ironia - De quebra, ganhamos no lugar, qualidades desprezíveis!
Trocamos profundidade por superficialidade, pensando que, levaremos alguma vantagem nessa execrável negociação!
Lamento -
Trago na Alma a Solidão
a tristeza no meu peito
na minha voz a canção
no olhar o triste jeito
desta vida sem razão.
Oiço uma voz a cantar
em minhas noites perdidas
vejo o povo a soluçar
estas mágoas doloridas
que no fado quer rimar.
Nestes versos ao escrever
o povo chora a cantar
o povo canta a sofrer
dores do seu caminhar
do nada que tem a perder.
Lembro-me de Ti Àquela hora -
Se hoje tu chegasses à tardinha
à hora das tristezas, dos cansaços
prendia a minha dor nos teus abraços
na noite que me dói e não é minha.
Lembro-me de ti àquela hora
deitada nesta cama que é só minha
teu corpo que me rasga foi embora
quem dera que viesses à tardinha.
Amor, se tu viesses ver-me agora,
no silêncio que me deixam os teus passos,
seria o fim daquela negra hora
em que esperam tristes os meus braços.
Teus passos de silêncio e de ternura
caminham por aí em dia vão
meu corpo já nem sente a noite escura
que gela a minha triste solidão.
Procurei-te -
Procurei-te pelas tardes dolorosas
num triste caminhar de mãos abertas.
Procurei-te nas certezas duvidosas
por cantos, por lugares, por vielas …
Procurei-te pelas noites tenebrosas
que enchiam d'agonias meu quebranto.
Procurei-te nas auroras graciosas
cobertas d'alegrias e de espanto.
No cair daquelas noites orvalhadas
ao nascer daquelas tardes luminosas
não sabia que afinal me desejavas
procuravas a minh'Alma tão magoada.
Sofrer às tuas mãos não queria mais,
amar-te não podia, já nem sei,
teus olhos eram frios como punhais
e nunca, nunca mais te procurei …
Dorme Solidão -
Teus gestos são triste madrugada
teus beijos amargos, desleais
teus olhos são frios como punhais
e fazem-me cair no pó da estrada.
Agrestes sempre foram meus caminhos
de secas as roseiras não dão rosas
e as nossas bocas silenciosas
pássaros perdidos sem ninhos.
E que dor tão funda no meu peito
ilusão a dois que nos trespassa
juntos e tão sós, tudo desfeito,
dorme solidão que a vida passa.
𝙰𝙾𝚂 𝙾𝙻𝙷𝙾𝚂 𝙳𝙰 𝙻𝙸𝙱𝙴𝚁𝙳𝙰𝙳𝙴
“Independência ou Morte”
Era tudo que se dizia,
Era tudo que se ouvia,
Por traz de cada vitória uma luta,
Por traz de cada luta uma perda,
Por traz de cada perda uma lágrima.
“Independência ou Morte”
E assim se vivia,
Noite e dia,
Lutas e vitórias,
Avanços e recuos,
Sonho e esperança,
Hoje encontramos apenas em uma criança.
“Independência ou Morte”
Ao ver sua família retornando
E suas vidas retomando
A alegria tomava conta de seu coração
Enquanto seus olhos brilhavam naquela linda tarde de verão.
Era alegria,
Era tristeza,
Era pura paixão,
Via se um misto de emoção.
O DISFARCE
Um sorriso gentil esconde a tristeza do indivíduo
Uma risada contagiante esconde o grito sufocante
E um "eu estou bem" esconde um "eu não estou bem".
Eu já fui filha
Eu já fui irmã
Fui amiga
Namorada
Já fui aquela que
A tristeza fez morada
Fui criança
Adolescente
Tentei ser decente
Indecente
De tempestades
À dias ensolarados
Hoje eu digo
Serei eu
Do vazio breu
Até transbordar
Mais ninguém
Para ninguém
Somente eu
Porque decidi
Dessa vez a felicidade
É ela quem vai morar em mim.
Assim, eu me tornei o portador da morte.
E um amante da vida.
Aquele que guarda os portões da escuridão da noite.
¨ Mesmo que o inverno seja sombrio e
triste, a primavera surgirá esfuziante
espalhando sua beleza por todas as partes ¨
