Poemas Góticos de Amor
Primavera de corações tristes
Na primavera, florescem as esperanças...
Os corações, em desatino, porém, sozinhos batem descompassadamente.
Ventos suaves sopram suaves lembranças...
E a luz do sol revela destinos perdidos que a felicidade nunca alcançam.
Butterfly de sonhos, aflitos em dor,
suspiros se perdem entre pétalas emurchecidas...
Tristes melodias, ecoando o amor que todo coração pra si almejaria...
Num ciclo eterno, em que a saudade é uma fúria nunca adormecida.
Caminhos floridos, mas sós, sem conforto... sem abrigo...
Os rostos sorriem, mas os olhos choram...
E sob o céu azul, um riso antigo
repete a tristeza que os corações devoram.
Oh, primavera! Teus coloridos encantos trazes...
Mas, que fazer com os sentimentos quebrados?
No silêncio dos campos, os lamentos são tantos,
E os destinos silenciosos sofrem amargurados...
De estação em estação passam sem nunca saber o que é ser amado.
Andorinha... e a vida minha
“Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa…”
Ah! Vida sem propósitos...
Sem intento, sem intenção...
Acorda de manhã e segue qualquer sentido, qualquer direção.
O Sol sabe seu rumo... seu objetivo diário...
O que vem clarear... a vida que vem a todos proporcionar.
E isso a cada dia que pelo céu está a passar...
Ah! Vida que segue qualquer sentido...
Sem sentido certo...
Que dia comprido...
Com passos (in)certos
Rodeada de vida vive o mais estéril deserto.
O vento sopra de cá pra lá
De lá pra cá... o tempo todo a trabalhar...
Invisível ao mundo, poeira a espalhar...
Poeira a limpar!
Ah! Vida desassossegada...
dia a dia incomodada... acomodada?
Inquietada...
Impressionada...
Que não serve pra nada.
Desmediocrizada?
E ninguém me disse nada na porta de entrada.
Rosangela Calza
Noite quase morta
Da noite quase morta
Surgem sombras quase vivas...
Povoam a noite...
Sempre há tanto escondido nas sombras da noite.
Tic... tac tic... tac
O tempo passa...
Noite noturna, soturna... melancólica e perfeita.
O escuro tenebroso, denso, se afasta.
Tic...tac tic... tac
Num clarão, a noite é desfeita.
Morre a noite...
Noite, tua escuridão não mais importa.
“O córrego chora.”... Vela, a noite morta!
Rosangela Calza
Nuvens carregadas cobrem o céu da alma, espalhando dor e tristeza, enquanto a desesperança sussurra segredos de um amanhã incerto.
E assim sigo eu...
Rosangela Calza
Essa solidão é um eco que ressoa no vazio dentro de mim. O medo, uma sombra a dançar nas paredes da minha mente demente. A tristeza, uma chuva fina a molhar minha alma sem aviso. O desânimo, um peso a amarrar meus pés ao chão. Juntos, tudo forma uma tempestade silenciosa... cada gota carrega o sabor amargo da ausência de tudo. Mas e que bom que sempre há um 'mas'...
mesmo na noite mais escura, estrelas teimam em brilhar. Respiro fundo e lembrar que toda nuvem é passageira, mais ou menos ligeira...
e a luz, por mais tênue, nunca desaparece de verdade. Mantenho sempre um pouco de sanidade.
SOBRE ESTA ANSIEDADE
Houve um tempo que eu era triste só e infeliz,
Houve um tempo
Que eu era solitário demais pra ser infeliz
Houve um tempo
Que eu era triste demais pra ser solitário.
Houve um tempo
Que eu não tinha mais tempo pra ser só
Hoje não tenho mais tempo pra ser eu...
Não quero ver teus olhos tristes
sob o céu tão estrelado,
o lado que eu gosto do teu lado,
é o lado de dentro quando
eu entro calmo como se o teu coração
fosse minha morada,
beijo teu útero como se fosse meu último desejo,
mas meu último desejo é sempre o penúltimo,
e eu quero sempre esse beijo...
sou triste porque esse é o álibi pra tua presença,
amar-te não é crime,
mas amas este meu lado marte,
esse meu lado triste, vazio, imenso
que comporta a tua presença
com todos os teus pecados
Quando estou meio perdido
E triste, sem alegria
Eu me encontro e me alegro
Nos braços da Poesia.
Santo Antônio do Salto da Onça RN
10/04/2024
A Morte é um mistério
Deixa Dor na despedida
O Corpo é do cemitério
E o Espírito, a Luz da Vida.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
04/01/2026
Nunca prometa FELIZ,
Não responda IRRITADO
Não decida com TRISTEZA
Faça tudo bem pensado.
FELIZ, IRRITADO e TRISTE,
Modifica o resultado.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
08/01/2026
B*
Ela caminhava ao meu lado,
como minha sombra,
sempre a me acompanhar.
Na vergonha do olhar,
miserável eu fui
ao rejeitar
o tesouro que construí
naquele lugar.
Dormia e despertava,
e ela estava lá,
na madrugada,
insistindo em me visitar.
Que saudade
daquele espaço apertado,
onde o cheiro dela
permanecia presente,
sempre a me acalmar.
Despertava na manhã seguinte
apenas para ficar,
prolongando os instantes
antes de me levantar.
Cedo fazia
minhas refeições com ela,
e sua companhia
bastava para me alegrar.
Nossos dias eram curtos,
talvez por isso
tão difíceis de guardar.
Nunca tive tanta noção
de quanto sua ausência
viria me assombrar.
Melancólico
Eu tenho um gosto meio cinza
ando zonza e enjoada.
As vezes escolho ser como as nuvens
ninguém as sente, mas podemos vê-las
e assim, sou eu
Vazia, mas muito densa
as vezes transbordamos e os outros
fazemos sofrer
Mas outras vezes abrimos caminhos
até tarde, ao escurecer.
Então volto a lhe dizer,
ainda sou bastante cinza, e mesmo assim
tem dias que não faço chover.
Queria ser, às vezes
um pouco azul
talvez roxo,
amarelo
e até vermelho.
Mas continuo sendo
Cinza.
A morte é a presença do estar e a ausência do ser (Hélio Soares Pereira. In: Onde o Horizonte Vem Esconder-se...)
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Pelas ruas do ser, a morte e a vida são duas amigas que passeiam de mãos dadas. (Hélio Soares Pereira. In: Onde o Horizonte Vem Esconder-se...)
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Coração -praia serena, onde as marés da vida deságuam as mágoas (Hélio Soares Pereira. In: Onde o Horizonte Vem Esconder-se...)
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Depois da primavera, o vento brinca de faxineiro (Hélio Soares Pereira. In: Onde o Horizonte Vem Esconder-se...)
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O sol aquece, no coração, as estações da vida (Hélio Soares Pereira. In: Onde o Horizonte Vem Esconder-se...)
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O pensamento é a biblioteca da inteligência (Hélio Soares Pereira. In: Onde o Horizonte Vem Esconder-se...)
Quando eu esqueço de me escolher
Hoje, a melancolia chegou sem pedir licença.
Talvez porque, mais uma vez, eu tenha percebido o quanto consigo dar importância a pessoas que, tantas vezes, só me procuram quando precisam de um lugar para despejar os próprios vazios. E o que mais dói não é não saber. É saber de tudo e, ainda assim, abrir a porta.
Se fosse qualquer outra pessoa, eu já teria ido embora há muito tempo. Eu sei partir. Sei fechar ciclos. Sei me proteger.
Mas com ela, alguma coisa em mim desaprende.
Não sei explicar o que existe entre nós. Só sei que, quando ela se aproxima, minhas defesas silenciam. Eu fico vulnerável, esqueço das cicatrizes e me entrego como quem ainda acredita que, desta vez, talvez seja diferente.
E então tudo se repete.
Eu perdoo o que me feriu, abraço o que me faltou, aceito migalhas como se fossem banquetes e chamo de esperança aquilo que tantas vezes já me provou ser ausência.
Talvez minha maior frustração nem seja o que ela faz comigo.
Talvez seja perceber o quanto eu me abandono quando se trata dela.
Porque eu sei que mereço mais. Sei que deveria escolher a mim mesma. Sei exatamente onde esse caminho termina.
Ainda assim, existe uma parte de mim que continua voltando.
Como quem conhece o abismo pelo nome, sabe a profundidade da queda, lembra de todas as vezes em que se machucou...
e, mesmo assim, caminha até a beira outra vez.
Talvez o amor mais difícil de aprender seja aquele que começa quando finalmente decidimos não nos perder de nós mesmos para permanecer na vida de alguém.
A morte deLGBTQIA+
A morte tem uma maneira silenciosa de nos lembrar do que realmente importa. Diante dela, perdem o sentido os rótulos, as disputas e os preconceitos. O que permanece é a lembrança de uma vida, de uma história e de uma pessoa que amou, sonhou, enfrentou desafios e deixou marcas em quem a conheceu.
Quando falece uma pessoa LGBTQIA+, é um momento para refletirmos sobre nossa própria humanidade. Antes de qualquer diferença, existe um ser humano que merece respeito, tanto em vida quanto na despedida.
A empatia não exige que todos pensem da mesma forma. Ela exige apenas que reconheçamos a dignidade do outro. O respeito nunca diminui quem o oferece; ao contrário, revela grandeza de caráter.
Que toda despedida nos ensine a trocar o julgamento pela compaixão, o preconceito pelo respeito e a indiferença pela humanidade. No fim, é assim que honramos o valor da vida.
LUZ
A mesma luz que glorifica o teu lado lança sombra sobre o outro, mas a sombra não é a realidade inteira.
António da Cunha Duarte Justo
Temo tudo.
Temo a vida.
Temo a morte.
Temo o inferno.
Mas o meu maior medo é não conseguir superar os meus medos.
Portanto, nada temerei.
Tenho medo do desconhecido.
Tenho medo da vida.
Tenho medo da morte.
Tenho medo do inferno.
Mas meu maior medo é não conseguir superar meus medos.
Portanto, não temerei nada.
