Poemas Góticos
Ah, que alívio maravilhoso, o glorioso alívio quando alguém sabe o que se passa em nossa mente e nos faz falar, libertando-nos da longa escravidão do silêncio!
Alguém?
Alguém que consiga te ler nas entrelinhas? Que ouça seu silêncio? Que se preocupe com seu sumiço? Alguém?
Quando eu cheguei nessa cidade, tudo parecia ser feito de música. E agora tá tudo tão em silêncio.
No silêncio podemos ouvir melhor a voz de Deus e rasgar o nosso coração, por isso jejum de silêncio é sempre gratificante.
A força está na compreensão , na noite, no dia e nas marés. Mas o amor, este não tem localidade, ele mora no silêncio.
As circunstâncias me dizem todo dia que "não", mas teus olhos conseguem gritar mais alto, tão alto a ponto do "sim", se materializar em som. Por vezes, tentei esconder no baú do desinteresse e fechar com a chave do silêncio, mas meus olhos também me denunciam. Guardamos tão bem um para o outro esse segredo, mesmo que eu saiba do seu e você do meu. Espero um sinal maior, mas ele nunca virá, pois, enquanto espero por ele, você também espera por mim.
Quem fala muito pode tropeçar nas palavras, pode ser analisado, confrontado ou até mesmo condenado pelo que disse. O que nada diz, ao contrário, está protegido pela aura do silêncio. O silêncio não julga, não condena, não mente e nem induz ninguém ao erro. O silêncio não fala nada e quando fala ninguém o pode culpar pelo disse.
Silêncio é a pausa da palavra ainda não proferida, sem ainda encantar ao ouvinte tão ávido; assim como, a semente que está adormecida no berço da terra, sendo embalada, muito inspirada pela chuva, prestes, para germinar, brotar, encantar.
Eu já me revoltei contra o silêncio. Já dei muitos tapas na ignorância. Já lutei contra a inércia. Nunca entendi a apatia. E me recuso a aceitar a submissão.
Desde que você veio morar em mim, nunca mais senti-me só, porque tenho a voz do teu amor, rompendo as barreiras do meu silêncio.
Permanecemos em silêncio tentando guardar na memória os últimos momentos no paraíso do qual estávamos nos despedindo para sempre.
É tiro pra dentro e gritaria pra cabeça, respiração curta e um aperto no peito. Pensamentos tempestuosos enquanto permaneço com meu silêncio.
Só fica mais difícil a cada novo velho dia ter que ouvir o som do silêncio, do meu nada interior. Já não basta eu não ter ninguém?
