Poemas e Poesias
PLANOS NEBULOSOS
Dorme a noite, enquanto isso....
O sol adormece sob o fulgor das suas chamas.
Nesse ínterim a lua 'Artesã dos sonhos',
rainha das saudades... Sobe ao trono de prata
para imperar sob as estrelas e os astros
físicos do infinito.
Nessa tempo, a calma da noite, desce sobre
a calada sombria, desfilando os olhos do medo
e o burburinho das fadas.
Tudo é nebuloso... Os sonhos misturam-se com
os pesadelos para de supetão, despertar os sono
absolto nos planos e os passos, galgam os
paralelepípedos das calçadas ouvindo o ladrar
da matilha e o pio do corujão, solto do nada.
A noite, continua em seu cochilo quando de
supetão é acordada pela cantiga do galo e o
clarão do alvorecer. Nessas hora, despertadores
tilinta aos ouvidos da preocupação e os
preocupados saem em carreiras traquinas como
se fossem formigas afobadas sob as águas dos
seus planos pequineses.
Antonio Montes
SINAIS DO AMOR
Depois do dia em que seu adeus tornou-se
um ponto.
A minha paixão, veleja pela... Reticência
da vontade e a saudade do meu eu,
cavalgando pelos dois ponto: Tentando
agregar ao nosso passado, não quero saber
de ponto e virgula; Muito menos de Calígula
espezinhando meu caminho.
O meu sonho é virgula, velejando por esse
verde oceano, e os meus braços estão se
abrindo como se fossem parênteses (Para te
isolar sob meu peito) e lhes manter em meu
colchete {} divagando sobre nossas []
barras de aconchegos.
Meus olhos choram serpenteando o travessão
_ Ambos almeja o perpendicular e o enfatizar
das aspas " " d'essa estrada.
Depois do dia em que seu adeus, tornou-se
um ponto.
Quando cai a noite eu ergo os olhos para o céu
e faço uma exclamação... Meu Deus... Quanto
te amo! E tudo se torna um interrogo do meu eu
Meu amor quanto te amo! Volte, me de a sua
mão? volte para mim, volte para essa paixão...
Volte e traga-me o seu coração.
Antonio Montes
CHÃO E MESA
Não gosto de amores assim
Comidos de garfo e faca
Pelas beiradas
Degustados em pequenas porções
Muito menos de amores frios
Que ficam no canto do prato
Já não descem na garganta
Nem pode ficar pra amanhã
Gostosos são aqueles comidos como fruta
Arrancados do pé ou pegos no chão
Mordidos com vontade
Que escorrem pelo canto da boca
Eu preciso de um espelho:
olhar no fundo dos olhos
e ver bem dentro de mim:
quero beijar minha sombra
Encravo o meu punhal na tua pequenina porta,
encravo-o com todo gás, com toda força,
e ao realizar essa completa invasão
descubro que a tua pequenina porta
guardava e resguardava um imenso salão.
O que impera em ti
são esses milagres
que são tuas tetas,
dois punhais
que a cada instante
furam minha paz
e que me ensinaram
a amargar
a verdadeira sede.
Assim é a criação,
uma revolta por dentro,
um espetáculo trágico,
um grande acontecimento,
que só encontra sossego
quando se espalha no vento
e alcança todas as plagas
até ser esquecimento.
Vejam, é Linda Soglia.
Seu labirinto - do antes,
durante e agora -
não é feito de teias,
intrigas e horas.
São células de silêncio.
SE EU PUDESSE
Se eu pudesse
Se me fosse permitido
Subiria lá no alto
Em busca de minha ilusão
Se eu pudesse
Se eu pudesse mudar
Andaria em ruas novas
De mãos dadas com seu olhar
Ah mas se eu pudesse
Se eu pudesse sentir meu sangue ferver
Se coragem tivesse
Ousaria viver
E sem medo do mundo
Tiraria do meu coração fundo
Todo amor que urge
Pela vontade que surge
Ah se eu pudesse...
Se coragem eu tivesse...
Eu danço como as ondas que são
sugeridas na forma da vida.
A vida gira na alquimia do coração
enquanto algo toma forma na medida.
Quero viver sozinha
Quero que vais embora
Não quero forjar meu viver
Semente de flor que devora
Quero seguir em frente
Quero a solidao namorar
Quero me casar com o acaso
Quero amante virar
Quero o perdão lhe doar
Pois impossível se tornou
Deu-me razão para partir
E outros corpos querer
Quero a vontade explorar
E meu desejo impolgar
Quero em vento livre voar
E nunca mais me casar
Quero a felicidade
Quero a irresponsabilidade
Quero um vestido de festa
Quero dançar sem idade
Quero voltar o que era
Quero viver minha vida
Quero igual homem pensar
Voltar a namorar
E nunca mais me machucar.
Lupaganini
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Havia tecido um dia longo
Um mistério para o físico feminino
Que com o maior refino
Se estrangula em labor
Era um dia triste
Sem cor aparente
Com o desalinho do cansaço
Parti
A noite era chuvosa
E uma chuva tão fininha
Que só reflexo do chão
Não sabia se ia ou vinha
Meus pés doíam
Meu vestido rodado
Em rodado moderado
Mostrava minha vontade
A minha frente duas sombrinhas andavam
Não queria saber quem as conduzia
Minha preguiça em janela
Já debruçava em pensamento
A chuva tão amena e amiga
Trazia bordados em mim
Eu estava feliz com um verde quente
Aquela chuva lavava
Meu cansaço
Minha alma
Meu traço mais perdido
E em desenho invadido
Estampou em mim a paz
E era tanta paz
Que a chuva traz
Que meus olhos irradiavam alegria
Já não via sombrinhas somente
A frente possíveis amores caminhavam
E daí
Como se felicidade caísse do céu
Peguei minha bolsa
E perdidamente zelei pelo próximo
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Como queria ser seu caminho
Pra com carinho
Fazer um ninho de não parar
Como queria ser seu amor
Pra em seu corpo sentir calor
E suar desejos de ardor
Como queria mudar de rota
Pra que em nota
Comunicasse meu querer
E sem vencer
E sem perder
Ser seu alfinete
O mais ínfimo objeto
Que pudesse querer
E como em vida
Em despedida
Soltar foguetes
Fazer cacuetes
Que lhe fossem lembrar
Eternizar
Minha soltura presa
Minha falência sentimental
O que me faz sua em distância tal
Que me transporto em sorrisos
A espera do inesperado
Um namorado
Indignado
Com a falta de poesia
09.11.17
Caminhão
Caminheiros
Caminhos
Derradeiros
Divergentes
Emprenteiros
Caminheiros
Caminharão
Alguns
Não
MEU PASSO
Em meu passo pelo asfalto
eu passo...
Passo pisando em falso
passo deixando rasto
... caçando sapo,
passo com trapo, caço rato
faço marco e saio no pulo
como que pula
dentro d'um saco.
Antonio Montes
