Poemas de Janela
Foi da janela que eu me encantei
um olho viu e o outro se encantou
com a poesia que parecia perdida
nos braços daquele homem
Foi do meu olá
que eu assisti o sorriso dela
e todas as flores de cor amarela
brilharam para mim
Mesmo eu não sendo amigo dessa cor
meu olhou verde
se misturou com o amarelo
e assim se fez a tinta
que pintou o jardim que nos deitamos
Do batom vermelho que lhe vestia
ela bordou um coração bem grande
que se dividia entre nossas mãos
e todos os pássaros azuis
cantavam a nossa paixão
Da botina surrada que eu calçava
ela tirou o marrom que pintou os olhos comuns
de quem nos observava
de quem não entendia todas as nossas cores
nem o calor de um coração
vermelho
que se dividia entre nossas mãos
Assim eu a segui até em casa
e lá acendemos alguns cigarros
com o fogo que já era nosso
e com a músicas que dariam inveja nos velhos discos
Com a voz francesa
embaralhava, confundia, e retocava as letras
com as cores que eram dela
e com ousadia eu clamava para serem nossas.
E no tardar de mais uma pincelada
ela pintou o coração mais vermelho
grande
e nosso
que já vi.
Amanheceu,
Novo dia nasceu.
O sol brilha no céu da minha janela,
Nuvem cizenta entra por ela.
Trazendo-me a oracao do dia,
Gracias te dou Senhor, pela vigilia,
Peco tambem que vigie o meu dia.
Alimenta de amor o meu pobre coracao,
Encha-o de fé, para que eu nao caia em tentacao,
Reconheco, sim, sou pecador, por isso peco perdao.
Imoral
Espere ele voltar
Não vai aparecer na minha janela cantando serenata
Então deixa ele vazar
Vou correr atrás se não seria ingrata
Então deixa ele pinar
Existem mil formas de definir isso casualmente
Tomar algumas miligramas de moral para reforçar
Distúrbio de deixar partir me faz doente
VARANDO A MADRUGADA
Pelas frestas da janela
o som de um suave bailado
são as rhapis da vizinha
fazendo festa com cautela
parece que elas adivinham
que alguém cá acordada
ouve tudo encantada...
mel - ((*_*))
"Melancolia da Chuva"
Ouço a chuva
Que se atreve a bater na janela,
Formando poças e passarelas,
Abrindo caminhos rumo à imaginação.
Agora a vejo delicada e singela,
Chamando-me de poeta, dizendo que sou dela
Sem dispor - se da razão.
O barulho dos respingos no chão,
Mostra ao meu redor a solidão,
Traz - me em memória tua face,
Lembrando - me que contigo sou enlace
Que completa a tua canção.
Sua ausência deixa um vazio.
Sem rumo escrevo estas frases,
Até que essas poças transformem - se
Rios.
"Estrela"
Pela janela do meu quarto
Sinto o vento passar.
Tudo o que eu quero nessa vida
É pra sempre te amar.
Milhas de estrelas distantes
Cuidando de você.
E eu com o coração apertado
Da distância que me impede de te ver.
Sua face é como a lua,
Seu sorriso, aprazível.
Seu olhar é a luz
Que faz brilhar meus caminhos.
Nosso amor é iluminado,
Uma fonte renovável.
Os anjos se alegram
Em me ver ao seu lado.
_Contigo sou o homem mais feliz do mundo.
_E eu a mulher com um amor profundo.
Nossas mãos se abraçam
Para colorir o mundo.
Juntando as estrelas,
A lua minguante
Está brilhante
Da minha janela
Posso ver no céu a sua cor
Tornou-se Lua Cheia;
De saudade
De amor
Da minha janela vejo uma igreja...
Todas as tardes ouço as dezoito badaladas
chamando os fiéis para a "Ave Maria".
Nem sempre vou até lá
mas, é quando me lembro de curvar a cabeça em prece,
com respeito e gratidão
pela oportunidade que o Pai me dá
de viver mais um dia.
Cika Parolin
Deus abre a janela do amor para a
mulher desejada. O diabo com inveja
deixa aberta a porta da cunhada.
ESSA ANGUSTIA
Essa angustia, esse stress
... Uma prisão sem porta
porta sem janela
língua sem tramela
dias sem dobradiças
duvidas não ouvida.
Essa angustia esse stress
... Correntes com cadeados
aleijado sem muleta
banguela sem dentes
aglomeração de enguiço
encruzilhada com feitiço,
maleta preta.
Esse stress, essa angustia
... Escuridão sob gruta
choro sem lagrimas
nó que não desata
domino e as cascatas
fim do verde,
fim das matas, sede
... Chibata que bata.
Antonio Montes
AMIGOS
Tem gente
que tem aquele gostinho de chuva
Um arco íris na janela
Com cheirinho de maresia
Ou um sol nos aquecendo o dia
em sentinela .
Um passarinho cantando poesia
Um jardim brotando aquarela.
Tem gente que parece que
veio ao mundo
só para nos colorir a vida
Quando a tristeza tanto
nos atormenta e
nos desanima .
Gente
com cheirinho de paz
de luz
de vento
de girassóis
de brisa ...
Gente que já nasceu
com o estandarte de Deus e
com a alma banhada em ouro puro .
Com boas energias
a nos reluzir.
Gente como a gente
Sem vaidade
Sem inveja
Sem frescura
Sem falsidade ...
Mas com a candura nos olhos e
a doçura n'alma a levemente
fluir e nos vizir .
E é essa gente pura
linda e coberta de fissuras
que anseio
pra sempre junto a mim.
um pássaro pousou na janela
mal sabia ele, que a janela tinha cola
e foi preso na gaiola
nada de chacrinha
porque a dona é brabinha
se a ela o passarinho encomodar
certamente irá apanhar
não tem como
o jeito é lamentar
até a vida acabar
É um longo caminho para chegar em casa,
Luzes passam pela janela abaixada,
Eu ainda tenho você na minha cabeça.
Comecei a perceber,
Que não importa o que eu faça,
Eu só irei me machucar tentando te machucar.
E se eu aumentar a música,
Só pra te esquecer,
Estou implorando, por favor não toque.
Janela
De um ônibus vejo,
o sol a se pôr,
A noite a se sobrepor.
As varias montanhas!
que tamanha sua altura!!
De uma casa posso ver,
As crianças a brincar,
O pôr-do-sol descender,
As pessoas a conversar,
Os carros a passar,
O ônibus a parar.
De uma janela pode-se ver,
O tempo se passar,
A vida a crescer,
E sorrisos aparecer,
E pessoas pra rever.
Tudo numa estrada sem fim
Évora - Portas de Moura.
Há uma fonte ondulada
Entre portas na cidade
Uma janela trabalhada
E um mirante de saudade!
No mirante dessa casa
Ou na fonte engalanada
Uma só cousa nos abraça
Outra Era já passada!
Lá de fronte, essa Janela,
Traz Garcia de Rezende
Um Poeta, uma Estrela
Diz a voz de toda a gente!
Mas na casa Cordovil
Antepassados 'inda moram
Cavaleiros de Perfil
Qu'inda rezam, 'inda choram!
E a saudade é tão discreta
Nos olhares de quem passa
Que só o punho d'um Poeta
Nos dá corpo e nos abraça!
TINTA A PINTA
Toma a tinta, pintor e pinta
... As pintas da minha janela
colorindo-as com essa tinta
do tinteiro sempre d'ela.
Eu já perdi minha cromática
estou sem degrade e sem cor
meu amar, foi uma chibata
que cutelou o meu amor.
Agora perdi o horizonte
e sem o ramalhete do rei sol
não colorearei os montes.
Estou opaco nos rascunhos...
Rabiscos, com altos relevos
sem tato sem ar nem punho.
Antonio montes
Sagração
Era uma tarde chuvosa de fevereiro,
a janela aberta revelava um céu alvacento
enquanto escutava melodias suaves de piano e flauta.
Uma poetisa apareceu-me de repente. Uma senhora nascida num final de primavera.
Conversamos. Ela declamou-me poesias e, como mágica, as palavras tinham cores e sons.
Eu disse a ela que seus versos me falavam de Deus. Confessei-lhe também que a poesia é mais redentora que os dogmas da religião.
A senhora sorriu um sorriso interrogador aguardando a minha explicação.
Respondi que os dogmas são sempre certeiros. Infalíveis. Escritos por teólogos que sabem definir o Mistério.
A poesia não. A poesia não define o Mistério, a poesia o torna sagrado. E em seguida o lança nos ares do imaginário.
Os teólogos sangram a vida com preceitos. Os poetas, ah, os poetas sagram a vida que o teólogo sangrou.
Então a senhora dos versos sagrados se lançou no desconhecido de minhas próprias palavras e desapareceu.
AMANHECEU
A noite chegou, e o frio com ela
a chuva caiu, corro e fecho a janela.
O cansaço me toma e sucumbi meu corpo
meus pés parecem sorrir ao tirar os sapatos que os matavam aos poucos.
Hora de abrir a gaveta e olhar as contas
somar as contas
me preocupar com as contas
e em fim, guardar as contas
Brincar com meu filho?
Nem sempre consigo
Sair pra jantar?
Desculpa amor hoje não dá
Muito trabalho, ônibus lotado
meu corpo parece que foi espancado
começar uma conversa até que consigo
Porém, concluir a mesma é quase impossível
Deitar e dormir é o objetivo pois amanhã tem mais
mais um dia cansativo.
Amanheceu...
O dia chegou e o sol com ele, a chuva passou
corro e abro a janela
O cansaço passou e meus pés já não doem tanto
Meu corpo revigorado, depois de um remedinho santo.
As contas?
ainda estão na gaveta
Mas como eu disse antes
Amanheceu !
É outro dia
Tenho mais uma chance
Essa é a minha hora!
Minha janela...
Quando fecho minha janela, abro as portas do coração porque é lá que me obrigo a buscar abrigo, até a tempestade passar.
by/erotildes vittoria
Tem saudade que não cabe na espera,
Que não cabe na janela,
Nem ao menos no portão.
Tem saudade que não cabe mais no peito,
E por não caber nos olhos,
Escorreu até o chão.
Tem saudade que não cabe na partida,
Não cabe na despedida,
Nunca coube em um adeus.
Pois, saudade
Cabe mesmo é num abraço
Que quando dado bem forte
Aperta pra aliviar.
