Poemas de Janela
Uma obra de arte é semelhante a uma janela: por si só, não tem o poder de libertar, mas ao embelezar e iluminar o ambiente, cria as condições ideais para que a própria pessoa encontre seu caminho rumo à liberdade.
Meus olhos são as janelas da alma. Assim que os abro ao acordar, o sol da esperança entra em mim e ilumina todos os cantos do meu ser, acordando a vida que nas mãos de Deus repousou a noite toda.
Conversar com anjos é como vislumbrar o imprevisível; é abrir uma janela para o desconhecido. Sentir a presença do divino nos guia com sabedoria e serenidade através dos mistérios da vida.
Surpreendida no vácuo que ansiosamente alimenta o marco que impede a recompensa, resulto em vergonha que inutiliza o desejo que saciaria a vontade de permanecer no caos
No outono tudo se mistura, o por do sol azul, amarelo, vermelho, carmesim, moldura do mundo, janela do céu.
Ao alvorecer,pousou um passarinho em minha janela, seu canto tão lindo anunciava a chegada da primavera.
Não dá separar fé e gratidão, ambas andam juntas. Se uma abre a janela do dia a outra fecha a porta da noite.
A esperança é uma janela no tempo que se abre diante dos nossos olhos cada vez que o dia amanhece e a vida se reinicia.
Machado de Assis, no romance realista Dom Casmurro, narra a história de Capitu que, comprometida com Bentinho, ficava na janela, com olhares dissimulados, vendo os cavaleiros passarem. Mais de um século já se passou e tivemos o período de maior transformação social da história, com o surgimento do telefone e das redes sociais, o que não mudou foi o hábito de, mesmo comprometidos, ficarmos na janela, observando os que passam, enquanto julgamos Capitu.
A verdade é apenas um ponto vista, igualmente pegar duas pessoas e pedirem para descrever o que estão vendo ao olhar pela janela, não necessariamente será igual e por não ser igual, não necessariamente será mentira.
Não há verdadeira bagunça, apenas a percepção limitada do caos através de uma janela restrita de visão. Pois a Perfeição não pode gerar imperfeições, apenas revela diferentes formas de ordem.
Abro a janela e vejo a escuridão dar lugar ao dia, o canário ecoar seu canto dando boas vindas à vida, ouço o chilreio dos grilhos, coaxar dos sapos e até os pardais pulando por sobre a calçada. Às vezes abro a janela e vejo o céu com nuvens espessas e a brisa da manhã tão gélida quanto a neve roça meu rosto, não que seja ruim, mas a fecho. Às vezes nem vejo nada de especial é ainda tão escuro, mas não deixo de sorrir pra vida surgindo, só espio para ter certeza que está tudo certo, no devido lugar, seguindo o traçado do destino. E quando falo para as pessoas que toda vez olho pela janela uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem na minha janela, mas o que realmente queria era que eles aprendessem a olhar pela janela.
Uma parada que eu me amarro de fazer é pegar o busão e ficar olhando pra fora, vendo a vida acontecer, evitando ao máximo de mexer no celular. (Tô até meio bolado agora de tá parando pra escrever isso enquanto tô aqui, e talvez perdendo alguma coisa lá fora). Peguei o 557 e sentei no fundão, na última fileira, do lado esquerdo. Tentei abrir a janela pra colocar o braço pra fora e sentir aquele ventão na cara, mas não deu pra abrir muito. Fiquei meio bolado porque só abriu até um certo limite curto. Olhei pro lado direito, para a outra janela, pra ver se abria mais, e notei que nem tinha janela, era só o vidro. Parei de reclamar.
Se à vista da janela em que está não se vê a lua e nem as estrelas. É porque está na hora de mudar a direção.
