Poemas sobre chuva para transformar dias cinzentos em versos
Eu sou o outro.
Sou esse morador de rua.
Sinto sua fome,
sinto o frio, o calor, a chuva.
Sinto sua vergonha,
sinto sua humilhação,
sinto o perigo, a indiferença,
sinto a sensação de não ter valor.
Sou essa mulher agredida —
em palavras e no corpo — pelo marido.
Sou essa mulher que trabalha na rua e em casa,
e ganha menos apenas por ser mulher.
Sou essa mulher que, por tanto tempo,
viu suas escolhas serem decididas sempre pelos homens.
Sou essa criança no mundo,
que sofre por ser frágil, por não ter força.
Sinto o sofrimento violento que os adultos causam.
Sou esse doente na cama,
sofrendo de dor, desenganado pelos médicos,
com apenas a morte esperada no futuro.
Senti a dor do Holocausto judeu,
senti a dor da escravidão do negro.
Eu sinto a dor do outro.
Eu sou o outro.
A Chuva Da Alma Cansada Que Faz O Ânimo Renascer
No fim das contas, todos têm as suas lutas; conflitos internos, as suas angústias; estão muito cansados; sofrendo muitas vezes em silêncio, sempre em busca de algo que os faça lembrar que estão vivos, que ainda vale a pena lutar.
Segue cada um com o seu propósito, resistindo o máximo que pode, caindo e levantando de novo, mesmo que não se ache forte o suficiente; quando precisa, Graças a Deus, tira forças, pois desistir seria pior alternativa.
Muitos têm a sua própria maneira de lidar com determinadas situações, inclusive com aquelas imprevistas, inevitáveis, que não conseguem mudar; nem sempre as circunstâncias serão favoráveis.
O lamento constante não adianta, não surte efeito e o choro não soluciona, mas a alma também se cansa e carece desabafar, então, ela se emociona e transborda e os olhos passam a chover — a chuva do chorar é a mesma que faz renascer.
A chuva é passageira,
o orvalho da manhã seca,
as flores murcham, e a nossa beleza
se vai. Já o amor e a intensidade…
Eles permanecem, assim como as
estações do ano: às vezes mais
quentes, às vezes mais frios,
mas sempre existem.
Avante
Às vezes o que nos resta é a chuva e a cangalha. Então que deixemos nos colocar esse instrumento, usufruir salutarmente da benção da chuva e seguir com equilíbrio o nosso caminho, rumo à meta esperada e deleitar-se com o triunfo, o nosso objetivo.
Erga-se e caminhe; Avante...
Vem a chuva de giz riscar o cansaço,
enquanto o espelho mastiga o perdão.
Borboletas de chumbo mergulham no passo,
de quem guarda o oceano na palma da mão
DeBrunoParaCarla
Atravesso um campo de lama sob uma neblina espessa e uma chuva fina, fria e incessante. Pelo caminho, criaturas de asas, escamas e dentes enormes observam minha passagem. No entanto, nenhuma delas me causa medo. O verdadeiro horror não habita nesses monstros, mas na certeza de que, ao alcançar o fim do lamaçal, descubro que ele era apenas o início. E, condenado ao mesmo percurso, recomeço infinitamente uma jornada da qual jamais consigo partir.
- Tiago Scheimann
Em dias chuvosos até penso que seja o fim...mas logo
vejo que assim como a chuva faz florescer os jardins, os
dias de lutas e bagunças são parte da vida e com propósito
de em um dia de sol existir flores para apreciar.
E pensar que talvez nunca tenha sido sobre a chuva. Seja
apenas a forma como lidamos com os nossos
sentimentos, sem saber que cada momento, apesar de ser
difícil, seja comum e importante para evoluirmos. A
sensação de perceber que se não existir chuva, não
existiriam belas rosas e cachoeiras e elas, as cachoeiras,
ensinam que as águas não permanecem as mesmas, elas
sempre passam e vão embora.
Como um bom pescador, que depois da chuva espera por
um peixe, seremos boas pessoas sem pressa e vivendo
cada momento com fé e dignidade, na espera de um dia
tranquilo, que foi lançada a rede por nós, produzido pela
chuva e pescado com paciência em um dia de sol.
Autora: Mariana de Souza Santos
(Mariana Safra)
"Às vezes, a gente prefere ver e sentir a chuva a adormecer!"
Otávio ABernardes
Itumbiara, 2 de abril de 2026.
Ninguém quer ver chuva cair na Baixada Fluminense, porque quando ela chega o sofrimento reaparece. A rua vira rio, a enchente toma direção, e quem sofre de verdade é a população.
A água sobe rápido, invade o barracão, leva sonho, leva móveis, leva a tranquilidade da mão. Enquanto isso a cidade espera uma solução, que aparece em discurso, mas demora na ação.
Verso 6
Depois surgem nas redes com discurso ensaiado, mostrando o rosto sorrindo e o palanque preparado. Prometem que da próxima tudo vai melhorar, que agora aprenderam e vão realizar.
Mas quando a enchente passa e a notícia vai embora, muita gente continua esquecida lá fora. E o povo se pergunta, olhando a situação: cadê as promessas feitas na última eleição?
Helaine machado
Sambedo em Dia de Chuva
Eu te dei o meu amor
mas não te culpo
Que você não saiba carregar
oooi....
Quando a gente ama
a gente espera
que o outro saiba aceitar
oooiii...
Mas é tolice é ilusão
É vaidade a pretensão
de querer que outro deixe
a gente lhe amar...
Então vamos seguindo
a vida sempre expandindo
e a gente a encontrar
tanta gente que podia
ser dona da alegria
que a gente mesmo podia se dar
Pense bem meu irmão
minha amiga
Pense nesta solução:
O amor só vale a pena nessa vida
se ele não tiver dono não!
Laiá laiá (bem triste)
Laiá laiá (agora sorrindo)
Laiá laiá ( Reza!)
O Amor tem dono não!!!
Seus olhos castanhos lembram-me a noite de tempestade que sob a chuva contemplei sua foto, me inspiro para gritar seu nome em versos.
Minha paixão se faz única envolvendo-te em penumbra fazendo-me seu servo.
Pois é minha rainha e dona do meu coração, você pulsa em minhas veias descontrolando todo o meu ser.
Tudo ao meu redor se torna uma banalidade por querer somente a ti.
Você pode ignorar a chuva e ainda assim ela continua caindo.
Você pode ignorar o amor e ainda assim ele continua fluindo.
Compêndio de Chuva
Cai a chuva, melancólica e lenta, como um grito que o tempo inventa.
Em cada gota, um som, um tom, que o vento leva — e traz o teu batom.
O teu rosto vem, em bruma e luz, como se o céu em ti se traduz.
Enquanto o mundo se desfaz em água, o meu peito arde, embora os meus olhosse alaguem em frágua. O teu toque é sinfonia de chuva,
que compõe a minha alma, e acende lua turva . E eu, perdido entre trovões eos relâmpagos do meu silêncio, encontro-te em cada canto da minha pele em compêndio.
Que chova, amor — que o mundo escorra, que o tempo pare, nesta dor de masmorra. Pois se é na chuva que te penso e vejo, então que chova, só para te ter no beijo.Chove, e o meu mundo sopra o teu véu, as ruas das minhas veias choram sob o cinza do céu. No vidro, escorre o teu nome, lento, feito melodia, feito tormento.
O NÓS VIROU EU
A tempestade ficou sem chuva
meu copo acabou o vinho
eu devo sair hoje?
ou devo ficar?
... o que devo dizer
eu aprendi a ler
lendo sua mente silenciosa
eu aprendi a escrever
aprendendo você de cor
mas quem é você hoje?
meus olhos correram para fora da vista
minha rota ficou sem placas
hoje eu perco o seu caminho
para encontrar o meu caminho
Paulo H Salah din
A chuva chegava sem pressa, como quem volta para casa depois de muito tempo. Cada gota parecia hesitar antes de tocar o chão, suspensa numa dúvida que só o céu entendia. E lá embaixo, as nuvens subiam do asfalto quente — não eram de vapor, eram de memória, de coisas que a gente deixa para trás sem perceber.
No meio dessa confusão de águas, havia um espelho velho, encostado em nada. Ele não refletia rostos, refletia saudade. Você olhava e via a versão de si que não escolheu, parada do outro lado, também te olhando. Doía um pouco. Doía bastante, na verdade.
E o relógio? Ele não tinha ponteiros, só tinha paciência. Marcava horas que a gente não viveu, minutos que escorregaram entre os dedos enquanto distraímos. Às vezes eu pegava ele no colo e sentia o peso do tempo perdido — não é culpa, é só... vida.
Às vezes a vida parece um grande cata-vento girando sem direção certa, enquanto a chuva cai devagar e lava o que não conseguimos ver. No meio dessa confusão, a morte passa quieta, como uma sombra que ninguém convida, mas que sempre chega. Olho ao redor e encontro cacos de espelhos espalhados pelo chão, pedaços de mim refletindo rostos que já não reconheço.
Moro em uma casa sem teto, onde o céu entra sem pedir licença e as estrelas caem dentro da sala. Ao lado, o relógio que marca hora no sentido inverso me lembra que o tempo volta, mas nunca para o mesmo lugar. Meus pés afundam na areia movediça dos dias, puxando devagar para baixo tudo o que tento segurar.
É estranho viver num lugar onde nada parece fazer sentido. As coisas se quebram, se misturam, se perdem. E ainda assim, sendo que tudo em si está no máximo de conexão, sinto que cada pedaço solto faz parte de algo maior. A dor encontra a alegria, o fim encontra o começo, e no silêncio da chuva que não para, descubro que estar perdido é, de alguma forma, estar inteiro.
Quer água? Cava poço.
Não espere a chuva eterna cair sem preparo.
Há promessas que só se manifestam para quem cava no secreto,
com oração, perseverança e fé. miriamleal
É verão,
mas lá fora
a chuva declama seus versos
com a teimosia
dos que não pedem licença.
Não há trégua.
Ela sequestra o sol e o seu calor,
faz dele refém
entre paisagens cinérias,
onde o verão existe
apenas como promessa suspensa.
Quase como aqui dentro,
no meu âmago,
essa fonte inesgotável
de chuvas e tempestades,
correntes internas
que transbordam palavras,
versos.
E mesmo quando chove
em mim,
há versos solares
insistindo nascer e florescer
em estações que nunca
obedecem ao calendário,
mas ao pulso teimoso da alma.
Sou clima indomável,
ora dilúvio,
ora clarão insistente
rasgando nuvens
para lembrar
que o sol,
mesmo "sequestrado",
nunca deixa de existir,
brilhar e iluminar.
✍©️@MiriamDaCosta
O solo ainda estava úmido e macio,
bendita generosidade recente da chuva.
Afundei as mãos
nesse ventre antigo.
Os dedos se lambuzaram
de barro e promessa.
Semeei mamão papaya,
pimentas biquinho, malagueta
e dedo de moça,
(temperos de ardor e sabor),
alfavaca que reza em perfume e flavor,
abóbora moranga, tomates-cereja,
pequenos sóis
gestados pela paciência.
Cada semente
um juramento mudo.
Um verso sem palavras.
Cada sulco
um poema cavado
no útero da terra.
Manejar a terra
é rito,
é oração feita com o corpo,
é o tato conversando
com forças que não precisam de nome.
Entro nesse chão
como quem adentra
num templo ancestral
e saio marcada,
alma leve,
corpo suado,
mãos, pés e rosto ungidos de lama
(sujeira sagrada)
que purifica a alma.
É um prazer profundo,
diria ancestral.
É a memória do começo,
da origem enigmática
e da infância no quintal.
É poesia primitiva
que ainda pulsa
em quem não desaprendeu
a tocar o solo sagrado da vida
com as mãos operosas.
✍©️@MiriamDaCosta
Chuva de cores
irriga os canteiros floridos
da minh’alma...
e versos perfumados de luz
germinam de mim...
Uma chuva de cores me invade,
despeja sementes de poesia
sobre os canteiros secretos
da minh’alma inspirada ..
E então, de um lugar que nem sei nomear...
brotam versos, vivos, intensos
e nutridos do perfume
que só a emoção derramada sabe ter...
Cai sobre mim uma chuva mansa de cores,
tocando, com delicadeza antiga,
os canteiros floridos da minh’alma...
E é nesse gesto sutil do céu
que nascem meus versos:
docemente perfumados,
como flores noturnas
que se abrem ao clarão do luar...
✍©️@MiriamDaCosta
