Poemas sobre abandono para expressar o vazio em versos
ESQUECIDO
Talvez já de tudo tenhas esquecido:
Do olhar, dos sussurros e da prosa
Da memorável dada elegante rosa
Talvez em tudo tenhas nos perdido
Aquele deliciosa sensação saudosa
O abraço sensual e tão enternecido
Cada momento, o momento vivido
Cheios de mimo e carícia generosa
Ah! não me tens na afetiva poesia
Mais... só este silêncio na vastidão
Do abandono, sentimento mudo!
E, só, nostálgico, numa dor sombria
Me tenho: penoso, na doce ilusão...
É... talvez tenhas esquecido tudo!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
06 agosto, 2022, 19’57” – Araguari, MG
"Um amor não correspondido é como espada afiada. Pois se tu queres assim....Te deixarei ir minha querida, te deixarei pois estarei a te aguardar e quem sabe um dia poderemos continuar com nossos sonhos de amor sem precisar sentir dor, dor do abandono como um cão sem dono."
(Josi JL)
Eu não ligo pro seus defeitos mas quero te dizer essa noite que ainda acredito em nós dois.
Se é pra lembrar do que não me faz bem aquela porta eu abri e abracei a solidão
Fere o peito dói um tanto e ninguém pode subtrair de mim o teu perfume
No escuro choro em prantos estou vivendo do abandono.
Se a sua intenção é me deixar.
Me deixa de uma vez só.
Não saia aos poucos,
Não seja covarde,
Não me abandone,
Bata forte essa porta.
Eu prefiro o barulho da sua partida
que ficar de sentinela à te esperar.
Adentro, rompo teu campo de visão, como ação automática, quase natural
atrai-se, vem à mim e eu, como um tolo em frenesi, vejo um "se".
Chama-me para ti, para sí, envolvo e entrego-me, mesmo contra mim, a que sou afim.
Nasci para a dor, para os olhares maus e todas os tipos de abusos, minha carne apodrece neste quarto escuro e eu tropeço nas minhas próprias pernas pelo peso do meu trágico corpo.
Sou como cacos de algo quebrado, e eu sei que ninguém me amaria
você se deita com o mesmo monstro que se escondia atrás do sofá para me devorar
Não sou uma pessoa, sou um saco de carne e ossos que vocês usaram como queriam, que vocês jogaram no chão como lixo depois de usar de todas as formas que queriam...
eu queria matar cada um de vocês.
(outono)
tire suas expectativas das minhas palavras pois já sou quase outono
brincávamos de emaranhar sufixos atrás das árvores
minhas raízes se fixaram nas suas redundâncias
foi quando comecei a sussurrar fotossínteses
meus verbos explodiram em sentidos múltiplos
nunca exagerei tanto uma floração
mas acordei sozinha entre calafrios e premonições em amarelos
meu corpo cheira à molhado
um vento gelado incendeia minhas folhas de dentro para fora
arrancando meus pecados com seus gritos
você não se lembra porque tinha os olhos abertos
o chão está coberto de pecados coloridos
úmidos
eles se decompõem em expectativas
Por que não sei mais quem sou?
Já tive tantas certezas
Agora por onde vou está vazio
Só vejo um enorme vazio
A novidade é que não consigo preencher os vazios que invadiram minha vida
Entendo o "que seja eterno enquanto dure".
Entendo que pessoas vem e vão.
Mas dói quando simplesmente somem, te deixando à deriva.
SEM TÍTULO
Ora, pronto.
Justo a mim, coube ser eu: um poema sem título!
"SEM TÍTULO!" - já está me retirando algum prêmio sem eu nunca ter ganhado um.
Ora, sem título. Sem título não dá direção! Sem título pode ser... qualquer coisa!
Qualquer coisa que não tenha título, domínio, vida, cor.
Sou sem.
Queria ter um título bonito como os outros poemas têm.
"Carrossel", e a tratativa seria sobre, o giro da morte. O lento e colorido toque
suave da vida em Paris que te mata em praça pública.
Quem sabe, "Pégaso", e recitaria sobre um romance onde seus cabelos escuros me
lembravam a constelação que meu avô me mostrava enquanto um cheiro doce de bolo
quente de cenoura com cobertura açucarada de um chocolate pretíssimo (como era
possível aquilo? tal como a constelação, e seus cabelos...) invadia nossos
narizes, meu e de meu avô, apontados pra Pégaso.
"Sol". E escreveria qualquer besteira quente, laranja, tropical, caribenha com
alguma decepção terrífica em alguma parte. "As águas eram tão claras que deu pra
ver que tudo era dor."
Em "Acetona", eu diria como meus pais removeram todos os meus sonhos de esmaltes
coloridos, e é por isso que você nunca vai me ver fora de uma paleta terracota.
Em "Plot Twist", declamaríamos que, no início, eu era quase uma crônica e fui morto por meus pais, armados de acetona, que me dissolveu em um poema lírico
tenebroso.
Mas quando você me coloca SEM TÍTULO, os olhos que me percorrerem jamais vão
ter lido sobre a ilusão de Paris, sabido qual constelação meu avô me ensinou,
qual era o bolo de minha avó, a cor dos seus cabelos, o que a clareza das águas
caribenhas revelavam, qual arma meus pais usaram pra me matar, e qualquer
reviravolta minimamente interessante sobre ser crônico-lírico.
PAPELÃO
Já era amanhã.
Logo pela manhã,
no asfalto molhado,
um papelão embolado
rolava com o vento.
Tão pouco desperto,
chegando mais perto,
vi que o tal papelão
não passava de um cão –
que triste lamento!
A criatura inocente,
um bom ser vivente,
pra sociedade doente,
é só um indigente
como lixo descartado –
mas que papelão!
(Guilherme Mossini Mendel)
AMOR NÃO CORRESPONDIDO
Se eu pudesse, no teu olhar,
Ver uma demonstração do teu querer,
Eu viveria, mesmo sem te ver,
Na ilusão de um dia te ter.
Se ao teu lado houvesse um lugar vago, Onde minha alma pudesse repousar,
Eu aceitaria até teu silêncio,
Se nele eu pudesse descansar.
Seu olhar não quer florescer,
Seu amor está gelado,
Você vive ainda sem me ver,
Eu morro por não ter-te do meu lado.
Alma penada é aquela que vaga,
Na esperança de um amor recíproco,
Num mundo onde o amor se tornou nada,
Onde as pessoas não têm vínculo.
Estamos distantes
Mesmo próximos estamos distantes. Nossas conversas outrora tão cheias de brilho e vida, hoje são vazias e singelas.
Nossas mensagens que antes duravam horas e horas, agora são simples e repetitivas como simples "bom dia" e um "dormiu bem".
Estamos distantes, há um tempo atrás podíamos dizer que nossos corações batiam na mesma sintonia, e que juntos éramos capazes de enfrentar o mundo, mas hoje já não somos assim.
Quando penso em nós, muitas vezes não vejo o nós.
Não sei ao certo se o futuro me assusta, mas sei que em muitos pontos ele me traz dúvidas.
Estamos distantes e não estou falando sobre estarmos em lugares distintos, só queria que você soubesse que estamos distantes.
Eu...
Eu me odeio por te amar,
Me odeio por não conseguir tirar você dos meus pensamentos e sentir sua falta a todos tempo.
Eu me odeio, não só por ter você dentro do meu coração, mas por não ter forças de tirar você de lá.
Por não conseguir me amar como mereço e por dedicar cada momento meu a você, sim eu me odeio.
Eu me odeio por ser tão dependente e carente da aprovação alheia, mas principalmente por depender tanto de você para estar bem.
Eu me odeio por me importar tanto com você, por te colocar em primeiro lugar em tudo, mesmo sabendo que você não faz o mesmo por mim.
Eu me odeio por te idealizar, por criar expectativas em cima de você, por esperar algo que você nunca vai me dar.
Eu me odeio por me iludir com suas palavras, com seus gestos, com seus sorrisos, que me fazem acreditar que você me ama, mas que no fundo são apenas ilusões.
Eu me odeio por ser tão fraco, por não conseguir te esquecer, por não conseguir seguir em frente, por continuar te amando mesmo com toda essa dor.
Eu me odeio por ser tão tolo, por acreditar em contos de fadas, por esperar um final feliz ao seu lado, mesmo sabendo que a realidade é bem diferente.
Eu me odeio por ser tão eu, por ser essa pessoa que te ama incondicionalmente, que te perdoa em todos erros, que te aceita como você é.
Eu me odeio por ser tão seu, por te entregar meu coração de bandeja, por te dar todo o meu amor, sem esperar nada em troca.
Eu me odeio por ser tão apaixonado, por te amar com todas as minhas forças, por te querer ao meu lado para sempre, mesmo sabendo que você nunca será minha.
Eu me odeio por ser tão sonhador, por acreditar em milagres, por ter esperança de que um dia você vai me amar de volta, mesmo sabendo que é apenas um sonho.
Eu me odeio por ser tão eu, por ser essa pessoa que te ama, que te odeia, que te quer, que te esquece, que te perdoa, que te idealiza, que te espera, que te sonha, que te ama.
A Ira...
Rezar, orar, fazer promessas
Nada disso tem valor a Cristo
Pois, Ele observa ações
Não valida como Fé as intenções
O Senhor observa atento
Tudo o que floresce do coração
E, por isso, não há valia em orações
Abençoando aquele que ama o irmão
Que reparte o pão e estende a mão
Diante da necessidade do outro
Pois, não se leva riquezas terrenas
Para o céu, somente a alma
E disse o Senhor:
“Não se preocupem em acumular Riquezas aqui na terra
Onde a traça e a ferrugem destroem
E, onde os ladrões arrombam"
Vi irmão ofender irmão
Vi irmã mentir, tomada da desonra
Vi conspirações que alegravam
A todos que desejavam malefícios
Olhei em cada olhar que exalava ódio
E com Deus, implorei pelo perdão
Aos que agiram com arrogância
E em sagrada ação, optei pela distância
Não havia alva áurea na alma
Dos que abandonaram
Crendo não haver retorno e dor
Vindo da ira do Divino Criador
Dia 27
Nunca passou pela minha cabeça,
Mesmo nessa peleja de saudade,
Te deixar nesse momento seria insanidade,
Uma arbitrariedade,
Como pode outras pessoas te deixarem nos momentos ruins?
Relacionamentos não podem ser assim,
De nenhum ângulo,
Isso fere, interfere,
Numa falta de responsabilidade emocional absoluta,
Com uma frustração absurda de quem recebe.
Eu te amo,
Espero o quanto for sem dano,
Firme, forte,
Com uma estrutura que não conta com sorte,
Pensamentos sem morte,
Físico intacto,
Agora minhas flores já não machucam,
Não sou um cacto,
Juntei os cacos,
Fiz um lindo mosaico,
Reconstrução que não vai pro saco.
As coisas tem mudado em tão pouco tempo, e eu sei o que devo fazer.
Quando eu te deixo meu silêncio é porque existe um barulho explosivo dentro de mim, mas ele sempre foi barulhento o suficente para que as pessoas percebessem sem eu ter que fazer um minimo esforço.
Eu não quero te forçar a viver nada que não esteja dentro do seu coração;
Na realidade eu sei onde ir ou o que fazer na hora certa.
Se você se perder no meio do caminho, não se preocupe comigo, eu sempre sei onde ir.
Já fui abandonada, já abandonei já não é angustiante mais.
Parada de trem
Eu espero um trem
Não sei que hora ele passa
Desse trem, eu sou refém
Sinto que estou esperando uma farsa
Porém, eu quero prosseguir
Quero, no meu destino chegar, conseguir
Mesmo que todos me digam que não
Até mesmo o maquinista diz que não há salvação
Todavia, ainda o espero, sentada, ansiosamente
Ali fico, horas, dias, meses...
Ainda que me sinta desencorajada, ignoro minha mente
Penso, reflito muito, penso em mil hipóteses
Ainda sim, teimo em não ver a razão
Afinal, que coisa mais desnecessária
Preciso apenas seguir meu coração
É apenas uma incerteza temporária
Após muitos meses, vejo o trem no horizonte
O vejo a alta velocidade, pelo monte
Me emociono tanto, que escorrego e caio no trilho
Eu perco completamente meu brilho
O trem, corre em minha direção
A maquinista nem tenta frear
Embriagada, ela fala: "Acho que não"
Ela diz, antes de me atropelar
