Poemas Bonitos
Eu não sou o centro do mundo — e isso, por vezes, me salva.
Penso no outro antes de pedir.
Não quero ser fardo, não quero ser vitrine, não quero ser caso.
Mas também aprendi: quem quer ajudar, chega sem barulho,
senta no chão da minha sala, não corrige meus mapas,
e, se nada puder fazer, empresta o silêncio — aquele que não julga.
Reflexos de Nós
Você já sentiu como se ninguém realmente te enxergasse?
Como se, por mais que tentasse explicar, suas palavras nunca alcançassem quem precisa ouvi-las?
É estranho… você fala, mas parece que só existe eco. Silêncio.
E então, você se cala.
Porque percebe que falar dói mais do que guardar.
Mas o silêncio também pesa, como uma mala cheia que ninguém sabe que você carrega.
E você segue. Sempre segue.
Segue sorrindo quando queria chorar.
Segue forte quando queria desmoronar.
Segue mostrando ao mundo uma versão sua que parece ser aceita mais facilmente do que a verdadeira.
No fundo, você sabe.
Sabe o quanto engole o nó na garganta para não se sentir fardo.
Sabe quantas vezes quis pedir ajuda, mas a voz morreu antes de sair.
Sabe o que é deitar a cabeça no travesseiro e conversar só com o teto, como se ele fosse o único que não te julga.
E é nesse instante que você entende:
Talvez não seja sobre ser ouvido, mas sobre continuar.
Mesmo com o peito apertado. Mesmo com os pensamentos gritando.
Mesmo com a sensação de que ninguém vê.
Você continua. Porque, lá dentro, ainda existe algo pequeno, mas insistente. Que, te faz acreditar que um dia, vai doer menos.
E, se você está aqui lendo isso, talvez seja porque, de alguma forma, você também sabe o que é segurar o mundo nas costas em silêncio.
Talvez… esse texto seja sobre mim.
Ou talvez seja sobre você.
Ou talvez seja sobre nós.
Carta aos Artistas
A vocês que mergulham onde poucos ousam entrar,
que transformam silêncio em palavra,
dor em poesia,
e notas soltas em melodias que curam.
Ser artista é viver com os sentidos à flor da pele,
perceber o que passa despercebido,
ouvir a música escondida no vento,
e enxergar cores que o mundo ainda não aprendeu a nomear.
Vocês conhecem a solidão criativa,
o peso doce da introspecção,
os mergulhos que parecem não ter fim.
E ainda assim, dessa profundidade,
trazem à tona o indizível,
e o fazem soar como verdade.
A arte é a prova de que a alma respira.
Seja pela pintura, pela dança,
pela palavra escrita ou pelo som que vibra no ar,
vocês eternizam sensações que não cabem na fala.
Sigam, artistas.
Continuem afinando sentimentos como cordas de um instrumento,
transformando fragmentos de vida em algo que ecoa.
Vocês não apenas criam.
Vocês revelam o invisível,
dão voz ao silêncio,
e nos lembram que sentir —
é, em si, um ato de resistência.
6 de Agosto de 2025
Versos de Esperança
Que nunca falte luz nas mãos que moldam o invisível,
nem coragem nos olhos que ousam sonhar.
Pois cada traço, cada som,
é uma janela aberta
para o amanhã que insiste em nascer.
06 de agosto de 2025
Detalhes que Contam Histórias
Na fotografia, os detalhes muitas vezes carregam mais emoção do que a cena inteira. Um gesto sutil, uma textura, um brilho nos olhos ou uma sombra discreta pode transformar uma imagem comum em uma narrativa intensa.
Tecnicamente, observar detalhes exige atenção à composição, foco e profundidade de campo. É preciso escolher o que destacar, o que deixar em segundo plano, e como cada elemento dialoga com o restante da imagem.
Mais do que técnica, é sensibilidade: perceber que cada pequeno elemento conta uma história, revela caráter, emoção e contexto. O poder dos detalhes está em permitir que o espectador descubra camadas da cena, despertando memórias, sentimentos e conexões inesperadas.
Fotografar detalhes é capturar o invisível, aquilo que muitas vezes passa despercebido, mas que dá autenticidade e alma à fotografia. Cada minúcia contribui para a narrativa, tornando a imagem mais profunda e significativa.
Espontaneidade: A Alma da Imagem
Autoral: Jorgeane Borges
Falas tanto de tua dor.
Queres ficar bom ou cultivar a dor?
A dor valorizada se transforma em vício.
Parece paradoxal, mas o cultivo da dor pode ser uma forma de preencher o tempo vazio.
Quem tem muito o que fazer, não tem tempo disponível para dedicar-se à dor.
Afinal, a dor nunca é boa companhia.
Em uma conversa de pensadores...
Charles Chaplin diz: "A única coisa tão inevitável quanto a morte é a vida."
"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existem." responde Oscar Wilde.
Eu os observando, na minha modesta sabedoria lhes digo: "Não! Tudo é apenas uma questão de escolha."
Cansei de brincar,
Cansei de ser enganado,
Cansei de mentiras, e de fingir que nelas acreditava,
Cansei de te ligar,
Cansei de correr atrás,
Cansei de me preocupar,
Cansei de tentar, de tentar te entender
Cansei de ter que esperar,
Cansei de fingir,
Cansei de mentir,
Cansei de aceitar,
Cansei de me cansar,
E agora me cansei de você '-'
O tempo nem sempre apaga
as nódoas do já vivido,
principalmente o sofrido
e as fundas marcas do amado.
Mais fiel que a nossa sombra
é a nossa solidão.
Jamais nos perde de vista
no meio da multidão.
É a nossa alma gêmea?
É o nosso anjo da guarda?
O xifópago invisível?
Ninguém viu a solidão
que nasceu quando nascemos.
Em cada homem que morre,
morre a gêmea solidão.
O mundo é feito por nós.
Nós somos os nós do mundo
e em tudo estamos atados.
O eu sem nós não existe.
A morte é o eu desatado.
pela minha paz, eu aprendi a desaparecer lentamente
dos lugares que me apertam,
das pessoas que me diminuem,
das situações que me roubam a luz.
mas antes de tudo, eu fico.
eu faço questão de ficar.
eu dou sinais.
eu converso.
eu explico o que dói.
eu mostro onde machuca.
eu tento ajustar o que ainda pode ser salvo.
não parto na primeira falha.
não desisto no primeiro silêncio.
não abandono no primeiro conflito.
eu permaneço enquanto há respeito.
enquanto há tentativa.
enquanto há reciprocidade.
eu já insisti demais.
já expliquei demais.
já tentei salvar o que não queria ser salvo.
e quando percebo que só eu estou sustentando,
quando meus sinais viram incômodo,
quando minha dor é tratada como exagero
eu começo a me recolher.
não faço alarde.
não anuncio partidas.
não bato portas.
eu apenas recolho o que é meu:
meu tempo,
minha energia,
meu afeto.
há quem chame de frieza.
há quem chame de orgulho.
mas só eu sei o quanto custou permanecer quando tudo em mim já pedia silêncio.
porque permanecer onde preciso me diminuir
é uma forma lenta de me abandonar.
e eu já me abandonei o suficiente em nome de amores,
de expectativas,
de pertencimentos que nunca foram casa.
pela minha paz, eu desapareço devagar
não por fraqueza,
não por indiferença,
mas porque aprendi que quem se ama
não permanece onde dói.
e se um dia eu for,
saiba:
antes, eu tentei ficar.
Nem toda ausência é desistência; às vezes é a forma mais madura de se preservar.
Há silêncios que não nascem da indiferença, mas do cansaço de tentar ser ouvido onde nunca houve espaço para escuta. Há distâncias que não são fuga, mas limite.
A gente aprende, com o tempo, que permanecer onde a alma se encolhe é uma violência silenciosa contra si mesma. E então escolhe ir — não por falta de amor, mas por excesso de amor-próprio.
Porque preservar-se também é um gesto de coragem. É entender que algumas portas não se fecham por fracasso, mas por proteção. É confiar que sair de um lugar onde não florescemos é, na verdade, abrir espaço para respirar de novo.
Nem toda ausência é abandono. Às vezes, é apenas a forma mais digna de continuar inteiro.
Reflexiva — porque penso antes de me entregar.
Profunda — porque não sei viver na superfície.
Contida e moderada — porque aprendi que nem todo sentir precisa ser alarde.
Mas intensa…
ah, intensa quando se trata de amar.
Não amo pela metade.
Não fico onde não posso florescer.
Não ofereço o que não sou.
Posso parecer calma por fora,
mas dentro de mim o amor é mar cheio
não faz barulho à toa,
mas quando decide tocar a margem, transforma.
Faz parte de mim essa dualidade:
a serenidade que observa
e o fogo que aquece.
E talvez seja isso que me define
não a intensidade isolada,
mas a consciência com que escolho onde depositá-la.
Tem dias em que a gente é tempestade.
Não aquela que destrói por maldade,
mas a que carrega dentro de si o peso do céu inteiro.
Relâmpagos de pensamentos,
trovões de palavras não ditas,
chuvas que caem pelos olhos em silêncio.
Ser tempestade é não caber em calmarias rasas.
É sentir demais,
é transbordar.
Mas toda tempestade também limpa.
Arranca o que estava seco,
lava o que estava sufocado,
abre espaço para o que precisa florescer.
Se hoje você é tempestade,
não se envergonhe do barulho.
Às vezes, é preciso estremecer por dentro
para depois voltar a ser céu.
Faz parte de mim ser
mesmo quando o mundo exige que eu me molde.
Ser inteira nas minhas falhas.
Ser abrigo quando o dia pesa.
Ser silêncio quando a alma pede recolhimento.
Faz parte de mim não caber em rótulos,
não diminuir minha intensidade
para que caiba na medida do outro.
Ser, para mim, é resistência.
É escolha diária.
É coragem de continuar sentindo
mesmo quando sentir transborda.
E se há algo que aprendi,
é que deixar de ser
nunca foi uma opção.
Um vazio pulsante é o que somos,
vivendo na ilusão da solidez.
Matéria são vazios que colidem.
As formas são momentos do vazio.
Tudo é mudança.
Mas, o que dirige
a universal mudança do vazio?
