Poemas Bonitos
Da minha alma para a tua
Da minha alma para a tua, eu deixo esse pequeno pedaço de luz que ainda resiste dentro de mim.
Não porque eu esteja sempre forte, inteira ou certeira, mas porque aprendi que mesmo os cacos guardam brilho.
Se eu pudesse te olhar agora, olho no olho, diria que a vida nem sempre é leve — e está tudo bem não ser. Diria que a gente se perde, cansa, duvida, desmorona. Que às vezes o mundo pesa, o peito aperta, e a esperança parece fina demais para nos sustentar.
Mas também te diria que existe algo invisível que insiste.
Uma força que não se vê, mas se sente.
Um recomeço que nasce silencioso, como quem pede licença.
Da minha alma para a tua, eu deixo esse abraço que não precisa de braços:
o abraço do reconhecimento.
Daquilo que dói, daquilo que pulsa, daquilo que ainda sonha.
Eu te desejo profundidade — daquelas que não te afogam, mas te devolvem ao teu próprio eixo.
Desejo descanso na tua mente, respiro no teu peito, leveza no teu passo.
E desejo que, mesmo quando tudo parecer escuro demais, você consiga perceber que existe um fio de luz costurando cada parte do seu caminho.
Se em algum momento você sentir que está só, lembre-se:
minha alma conversa com a tua no silêncio.
Não para salvar, não para ensinar,
mas para caminhar junto.
Porque no fim, somos isso:
um encontro de sobrevivências,
um eco de sensibilidade,
um gesto de presença.
Da minha alma para a tua —
que você continue existindo com verdade,
sentindo com inteireza,
e deixando no mundo a marca bonita
de quem sobreviveu à própria tempestade
e ainda escolhe tocar outras almas com cuidado.
Carta aberta: o cansaço que ninguém quer ver
Não é drama.
Não é falta de fé.
Não é preguiça.
É exaustão.
Física, mental, emocional. Uma falência silenciosa do corpo e da alma.
Tenho tentado.
Fui a médicos, psicólogos, psiquiatras, fiz exames, busquei respostas.
E ainda assim, nada muda.
Parece que estou me apagando aos poucos, como uma luz que vai perdendo força, mesmo quando alguém gira o interruptor com força.
É uma junção de tudo: depressão, ansiedade, burnout, hormônios em desordem, imunidade baixa, cansaço crônico.
Um corpo que pede socorro, e uma mente que já não tem mais fôlego pra gritar.
Às vezes, levantar da cama é uma guerra.
Tomar banho parece escalar uma montanha.
Comer, responder mensagens, existir… tudo dói.
E o pior é sentir que ninguém entende.
Vivemos em um mundo doente, onde todo mundo diz “cuide-se”, mas ninguém tem tempo pra escutar.
Os profissionais tentam, mas o sistema é frio, impessoal, repetitivo.
E a gente segue colecionando diagnósticos, receitas, e o mesmo vazio.
Escrever isso talvez seja o pouco de vida que ainda me resta.
Talvez alguém leia e se reconheça — e perceba que não está sozinho.
Talvez isso sirva pra lembrar que há uma linha muito tênue entre estar vivo e apenas continuar existindo.
Eu não sei o que vem depois.
Só sei que estou cansada.
E que, se eu ainda falo, é porque algo em mim insiste em não se calar completamente.
Mas eu queria, de verdade, só descansar — de tudo isso, de mim, do peso que é sentir demais.
Ainda Não
Há dias em que o corpo pesa mais do que a alma.
E, mesmo sem feridas visíveis, tudo dói.
O respirar dói.
O levantar dói.
O existir... exaure.
Há algo dentro de mim que grita em silêncio,
pedindo socorro, mas sem força para pedir.
Como se eu esperasse que alguém qualquer um
ouvisse o som do que não digo.
Eu me sinto como quem tenta juntar os cacos
de um vidro que insiste em se cortar nas próprias mãos.
Tento reconstruir o que já não sei se pode ser reconstruído.
Mas, mesmo fraca, ainda espero —
porque uma parte de mim ainda acredita
que não é tarde demais.
Talvez eu não precise de promessas,
nem de frases bonitas,
só de alguém que diga: fica.
Fica mais um dia.
Mais um respiro.
Mais um pedaço de esperança.
Porque, por mais que tudo em mim peça fim,
ainda não estou pronta para morrer.
Ainda não.
Só quero que alguém me tire daqui —
desse lugar onde tudo é dor e silêncio,
onde a alma sangra e ninguém vê.
E se um dia eu não conseguir mais pedir ajuda,
que este texto grite por mim:
eu só queria viver,
mas de um jeito que não doesse tanto
Há, lucidez em uma depressão?
Há, sim — e é uma lucidez que machuca.
Há lucidez em uma depressão porque a gente enxerga tudo com uma nitidez cruel: o peso dos dias, o cansaço na alma, a falta que ninguém vê. É como se o mundo inteiro gritasse e, ainda assim, só você escutasse o silêncio.
A depressão não é falta de clareza; às vezes, é excesso. É perceber demais, sentir demais, carregar demais. E isso não te faz menos capaz — apenas mais humana.
Deus me enviou pessoas
Eu pedi a Deus, anjos.
E Ele me enviou pessoas.
Eu não sabia pedir ajuda.
Ainda não sei.
Não diretamente, não com palavras.
Mas eu já gritei, de todas as formas possíveis.
Gritei aos céus.
Gritei no meu quarto, trancada, abafada pelos travesseiros.
Gritei com a mão na garganta.
E gritei em silêncio, com o olhar perdido no vazio.
Mas Deus ouviu.
E me enviou pessoas.
Pessoas que eu nem imaginava,
mas que estendem as mãos e apoiam outras vidas,
inclusive a minha.
São poucas, mas conseguem me alcançar.
Cuidam de mim, mesmo sem entender tudo.
E eu… eu não tenho palavras pra agradecer.
Eu queria sorrir, gritar, voar, abraçar.
Dizer o quanto isso me faz bem, o quanto me faz feliz.
Mas ainda não consigo.
Quimicamente, meu corpo não permite.
Estou tão exausta que, às vezes, não consigo nem falar.
Quando elas estão por perto, eu me sinto perdida,
tentando apenas dar conta,
retribuir um pouco do que recebo.
Queria poder devolver o sorriso,
não deixá-las tão preocupadas.
Mas, por dentro, às vezes,
eu ainda estou gritando.
Enquanto olho pra elas,
tentando achar em mim alguma coisa
um sinal de vida,
um recomeço,
um pouco de mi
Orações Escritas
Lugar de Filha
Deus, me sinto tão pequena diante de tudo e sobre tudo, diante da Tua grandeza.
Tua bondade é inquestionável e inegociável.
Mas sou humana, falha, e me perco diante de tudo que vejo e da desigualdade.
Mas tem dias em que não quero lutar, resistir, questionar ou lamentar.
Queria apenas me jogar em Teu colo e ali me deixar ficar.
Meu maior desejo é estar nesse lugar me abandonar ali, em Ti.
Porque sei que o lugar de uma filha é no colo de seu Pai.
E Tu és o meu.
Um troféu não é apenas um troféu.
Ele é memória viva. É a prova de que você superou seus medos, venceu suas limitações e alcançou um lugar que, talvez, um dia tenha parecido impossível.
Esse objeto, que muitos chamam de simples tralha, carrega dentro de si noites mal dormidas, lágrimas escondidas, renúncias silenciosas e aquela força que você descobriu em si quando pensava não ter mais nenhuma. Ele não brilha apenas por estar em uma estante; ele brilha porque é reflexo do seu esforço, da sua entrega, da sua persistência.
Um troféu é a lembrança palpável de que você pode ir além.
Em dias de desânimo, basta um olhar para ele e tudo volta: o frio na barriga, o coração acelerado, o sabor da vitória, o abraço recebido, o orgulho nos olhos de quem acreditou em você. Ele é símbolo de quem você já foi capaz de ser — e, portanto, é promessa do que ainda pode conquistar.
Troféus, medalhas, diplomas… nada disso é entulho.
São marcas da sua caminhada, lembranças que te lembram de si mesmo. Eles não falam de objetos, mas de histórias. Histórias que dizem: você conseguiu.
E quando duvidar de novo, basta lembrar: você já foi capaz. E pode ser ainda mais.
O Valor de uma Conquista
Vivemos, todos os dias, pequenas despedidas.
O pior é que muitas delas são imperceptíveis.
Acostumados a correr, deixamos de notar
a vida que escorre pelos mínimos detalhes.
Ela passa entre os dedos,
como água cristalina, invisível, silenciosa.
E, no fluxo do tempo, vamos nos despedindo
de olhares, de lugares, de cheiros,
de instantes que se perdem sem aviso.
Só percebemos, tarde demais,
quando a lembrança nos cutuca:
aquilo já passou,
e não voltará mais.
Lamento
As noites me atravessam como lâminas cegas.
Não cortam de uma vez, mas deixam a carne cansada.
Fico imóvel, presa num corpo que respira
sem me perguntar se ainda quero estar aqui.
A dor não grita mais.
Ela se aquietou como fera domesticada,
um silêncio úmido que escorre pelas paredes.
Choro sem lágrimas, sangro sem ferida,
vivo sem presença.
Há um vazio que pesa.
E pesa tanto que até o gesto mais simples,levantar a mão, virar a chave, abrir a boca
parece impossível.
O tempo me olha e ri:
sou prisioneira de segundos que nunca passam.
Não há música, não há claridade,
não há nem mesmo o consolo do choro.
Só a anestesia.
Um torpor que me segura pela garganta
e me faz existir em estado suspenso,
como quem vive de ausências.
Ainda assim, respiro.
E talvez esse seja o maior dos lamentos:
continuar aqui,
mesmo quando já me despedi tantas vezes de mim.
Jorgeane Borges
8 de Setembro de 2025
Hoje eu coloco diante de Ti, Deus que governa o Universo, cada centímetro do lar que preparo em meu coração.
Que a varanda seja abrigo de brisa e orações, rede que acolhe silêncios, plantas que respiram a Tua criação.
Que a sala tenha o aconchego de um abraço: sofá claro, luz amarela, cortinas dançando com o vento, perfume que anuncia paz.
Que a cozinha seja mesa posta para encontros, onde eu e meu filho partilhamos risos, músicas e gratidão.
Que os quartos sejam refúgios de descanso, com janelas abertas para a vida e para a Tua presença.
Que a casa inteira exale limpeza, alegria, cheiro de começo.
Profetizo liberdade para meu filho: que ele caminhe seguro, que conquiste a habilitação, que o automóvel chegue como símbolo de novas estradas e possibilidades.
Que nada do antigo peso permaneça, nem poeira de memórias que feriram.
Que cada dia nesta morada provisória seja etapa de cura, preparando-nos para a casa definitiva — erguida do zero, estruturada pela Tua mão, testemunho vivo da Tua Palavra.
Declaro, em fé, que o Universo ecoa o Teu comando.
Que os anjos digam amém, que as portas se abram, que a vida floresça.
Tudo vem de Ti, Dono do ouro e da prata, Aquele que constrói e recria.
Recebe este sonho, Senhor, e devolve-me em realidade.
Que este lar, presente e futuro, seja morada de luz, de paz, de recomeço, para sempre.
De Marisqueira a Empreendedora: O Sabor que Nasce das Raízes
Anatalia Costa carrega em suas mãos a força das marisqueiras. Filha de marisqueira, cresceu entre os manguezais de Terra Caída, onde o aratu era mais que um crustáceo: era sustento, herança e identidade. Hoje, transformou essa história em inspiração.
À frente da lanchonete Mac Wilson, Anatalia elevou o aratu à categoria de estrela gastronômica, criando iguarias que dão ainda mais orgulho à nossa cultura local. Seu famoso hambúrguer de catado de aratu é prova viva de como tradição e inovação podem caminhar juntas.
Sua dedicação e talento a levaram a conquistar o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, reconhecimento que evidencia como suas raízes e coragem abriram portas e inspiraram outras mulheres da comunidade.
Mas Terra Caída não é feita apenas de uma delícia. É um verdadeiro berço de sabores, onde encontramos almôndegas de aratu, geleias, doces, caldos, moquecas, mariscadas e a já tradicional empada que há tempos encanta moradores e visitantes.
Com cada receita, Anatalia não apenas alimenta, mas celebra a memória das suas ancestrais, valoriza o trabalho das marisqueiras e fortalece a nossa gastronomia, reafirmando que, aqui, cada prato carrega um pedaço de história, afeto e pertencimento.
@jorgeane_borges
#TerraCaída #GastronomiaLocal #RaízesQueAlimentam #CulturaViva
Quando o Mar é Você
Há dias em que não é o mundo que me engole — sou eu que me afundo em mim.
A superfície parece perto, mas é como vidro: vejo o sol lá em cima, sinto o calor à distância, e ainda assim não consigo atravessar.
Seria simples nadar, se o peso não estivesse costurado nos meus ossos.
Seria fácil pedir socorro, se a voz não se dissolvesse antes de chegar à boca.
E assim fico, boiando no sal da minha própria tristeza,
enquanto os outros, da praia, acenam como se fosse só mais um mergulho.
Dizem para nadar até a areia, mas não sabem que a areia já não existe para mim.
Que a ideia de “voltar” é tão distante quanto um porto que nunca conheci.
O mar é fundo, frio, e tem o mesmo nome que eu.
E no silêncio submerso, percebo:
às vezes não é que a gente queira se perder.
É que o cansaço de tentar se salvar
parece mais letal do que simplesmente deixar-se afundar.
O Encanto da Luz Natural
A luz natural não é apenas ferramenta: é coautora da fotografia.
Ela modela volumes, revela texturas, cria atmosfera e transforma gestos simples em narrativa viva.
Luz difusa envolve a cena com suavidade, trazendo leveza e uniformidade; luz dura destaca volumes e cria sombras marcantes que revelam profundidade. Luz quente aquece e aproxima, transmitindo intimidade e acolhimento; luz fria sugere introspecção, mistério ou dramaticidade.
O fotógrafo atento percebe o instante em que cada tipo de luz interage com o assunto, destacando detalhes e realçando a emoção que já existe no momento.
É nesse encontro entre luz, espontaneidade e direção sutil que a imagem se torna inteira, autêntica e inesquecível.
Espontaneidade: A Alma da Imagem
Autoral: Jorgeane Borges
Dei-lhe de mim tudo…
cada riso guardado,
cada lágrima que escorri em silêncio,
cada dia que sobrevivi.
E ainda assim,
sou inteira em cada fragmento que entreguei.
Cores e Sentimentos
As cores têm o poder de transmitir emoção antes mesmo que qualquer forma ou gesto seja percebido. Elas comunicam sensações, destacam elementos e criam atmosfera, transformando uma fotografia em uma experiência sensorial completa.
Tecnicamente, compreender a relação entre cores, contraste, saturação e harmonia é essencial. Saber quando valorizar tons quentes ou frios, ou explorar combinações sutis, permite que cada imagem desperte sentimento e narrativa.
Mais do que regras, é sensibilidade: perceber como uma cor influencia a percepção de quem observa, como ela interage com a luz e o ambiente, e como reforça a essência do instante capturado.
Cores bem exploradas tornam a fotografia viva e conectam o espectador à emoção presente na cena, imprimindo personalidade, profundidade e autenticidade a cada clique.
Espontaneidade: A Alma da Imagem
Autoral: Jorgeane Borges
O silêncio pode parecer leve, mas carrega o peso de tudo o que não foi dito.
Ele corrói por dentro, como se cada palavra engolida se transformasse em pedra,
ocupando espaços que antes eram respiro.
Calar nem sempre é escolha de paz — às vezes é medo,
às vezes é proteção,
ou apenas o cansaço de saber que falar não mudará nada.
Mas existe um preço.
E ele é alto.
O preço é ver a própria voz se apagar,
o coração perder a coragem de gritar,
a alma se acostumar a viver escondida.
E, quando se percebe, já não é só silêncio —
é ausência.
Fotografia em Movimento: Congelar e Fluir
O movimento, quando registrado pela fotografia, é a dança do tempo diante da lente. Há nele duas possibilidades igualmente poéticas: congelar o instante ou deixá-lo fluir.
Ao congelar, a fotografia revela o detalhe invisível ao olhar comum, a gota suspensa no ar, o salto interrompido, o gesto que se eterniza. É como se o tempo fosse interrompido para mostrar a grandeza de um segundo.
Ao fluir, a imagem ganha suavidade, trilhas de luz, borrões de cor e formas que evocam a sensação de passagem. O movimento se torna memória em expansão, carregando a emoção do instante em vez de apenas sua forma.
Entre congelar e fluir, está a sensibilidade do fotógrafo em escolher como deseja contar a história. Às vezes, é preciso capturar a nitidez de um momento único; em outras, deixar que o olhar sinta o deslizar do tempo.
Fotografar o movimento é abraçar o paradoxo de parar o tempo e, ao mesmo tempo, deixá-lo seguir. É mostrar que cada instante tem sua beleza, seja na pausa que revela, seja na continuidade que emociona.
Espontaneidade: A Alma da Imagem
Autoral: Jorgeane Borges
A fotografia é mais do que o instante congelado — é um pedaço de alma revelado em luz.
Ela não guarda apenas cenários, mas imprime sentimentos, desperta memórias e conecta olhares.
Quem vê além da imagem percebe: cada detalhe carrega histórias, silêncios e emoções que pedem para ser sentidas.
É nesse espaço entre a visão e a sensibilidade que a fotografia se torna poesia para a alma.
E você, o que sente quando olha através desses olhos?
Entre o Silêncio e a Fé, há Espera.
Na quietude do tempo, a alma cala,
E aguarda, mesmo sem saber o dia.
O coração ansioso não se exala,
Sustenta em fé o fio que o guia.
A espera dói, mas também semeia,
Ensina o passo lento a florescer.
Na terra árida, a esperança ateia,
O lume oculto que insiste em viver.
É como o mar que aguarda a maré cheia,
Ou o céu, que espera a lua aparecer.
No vão dos dias, a dor que incendeia,
Também prepara o sol para nascer.
Pois quem espera, mesmo sem razão,
Encontra em Deus o pulso da estação.
