Poemas Bonitos

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⁠O Brasil ainda não está feito, como pátria completa. Como fazê-lo? Dar-lhe novas gerações de homens fortes e conscientes, dando-lhe estas duas necessidades, primordiais, básicas da defesa: o trabalho e a instrução.

Olavo Bilac
Últimas conferências e discursos (1924).
Inserida por pensador

Sem o pão e o livro, sem a riqueza e o ensino, não pode ter saúde, nem alegria, nem dignidade, nem alma,quem tem fome e não pode pensar.⁠

Olavo Bilac
Últimas conferências e discursos (1924).
Inserida por pensador

⁠Reconheçamos que o Brasil é um dos países mais pobres e menos instruídos do mundo. Reconheçamos isto, para que enfrentemos com denodo o mal que nos acabrunha.

Olavo Bilac
Últimas conferências e discursos (1924).
Inserida por pensador

⁠Quando se trate de defender a família e a pátria, a fraqueza é um crime e o descuido é uma desonra.

Olavo Bilac
Últimas conferências e discursos (1924).
Inserida por pensador

⁠As pátrias fazem grandes homens, quando já estão definitivamente constituídas.

Olavo Bilac
Últimas conferências e discursos (1924).
Inserida por pensador

⁠Quando um sujeito se mete sinceramente a querer salvar a pátria, perde-se ele e perde a pátria.

Olavo Bilac
Bilac: crônicas. São Paulo: Edusp, 2006.
Inserida por pensador

Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários.

Carlos Drummond de Andrade

Nota: Poema pertencente ao livro "Amar se aprende amando" de Carlos Drummond de Andrade. Link

O sono guarda nossas angústias e decepções para devolvê-las, intactas, no dia seguinte.

Viver em sociedade requer instinto de formiga, dentes de leão e habilidade camaleônica.

Eu tropeço no possível, e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível.

COMO FAZER FELIZ MEU FILHO - Drummond

Como fazer feliz meu filho?
Não há receitas para tal.
Todo o saber, todo o meu brilho
de vaidoso intelectual

vacila ante a interrogação
gravada em mim, impressa no ar.
Bola, bombons, patinação
talvez bastem para encantar?

Imprevistas, fartas mesadas,
louvores, prêmios, complacências,
milhões de coisas desejadas,
concedidas sem reticências?

Liberdade alheia a limites,
perdão de erros, sem julgamento,
e dizer-lhe que estamos quites,
conforme a lei do esquecimento?

Submeter-se à sua vontade
sem ponderar, sem discutir?
Dar-lhe tudo aquilo que há
de entontecer um grão-vizir?

E se depois de tanto mimo
que o atraia, ele se sente
pobre, sem paz e sem arrimo,
alma vazia, amargamente?

Não é feliz. Mas que fazer
para consolo desta criança?
Como em seu íntimo acender
uma fagulha de confiança?

Eis que acode meu coração
e oferece, como uma flor,
a doçura desta lição:
dar a meu filho meu amor.

Pois o amor resgata a pobreza,
vence o tédio, ilumina o dia
e instaura em nossa natureza
a imperecível alegria.

Inserida por Pequenosol

ÁPORO

Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape.

Que fazer, exausto,
em país bloqueado,
enlace de noite
raiz e minério?

Eis que o labirinto
(oh razão, mistério)
presto se desata:

em verde, sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-se.

Inserida por Pequenosol

Verdades


Traduzir um olhar às vezes
Pode ser a pior ideia.
Nem todos os homens
Estão preparados para as verdades que os arrodeiam...

ENTRE NUVENS DE ALGODÃO

Se for me beijar, que seja
Por um querer a mais.
Eu brigo todas às vezes
Com meu eu...
Pois tu me queres por debaixo
Das marquises e das pontes escuras,
Enquanto eu busco as mãos dadas pelas ruas.
Não digo um não, pois a verdade não é essa...
So te peço pra rever tuas intenções.
Pois já me sinto
(entre nuvens de algodão)



E ENTÃO…

Então me vi sem norte
Sem porte
Sem porto
Ambíguo e quase menos vivo

Então ouvi seus olhos
Cheirei tua boca
Afaguei teu sorriso
Beijei sua nuvem

Então sorri teu pranto
Uma vida chegando
Duas estrelas, um ventre
Fecundo e tenaz

Então cataclismas - breve torpor de nossas almas.
Então movimentos
Circulares
Círculos de Plotino
Círculos de Hipátia
Círculos de Dante
Universo ensimesmado
Infindáveis questionamentos...

Não caíste em desmantelo
Naquele ano do nosso senhor - tempo
Que o vento não levou e brisa sorridente
Nos gracious com choros enfantes sem dentes

Então chorei teu sorriso
Reguei seu jardim
Então a luz chegou
Poderosa e ofuscante

Então sorrimos o choro...




Inserida por Maestroazul

Quando explicamos a poesia ela torna-se banal. Melhor do que qualquer explicação é a experiência directa das emoções, que a poesia revela a uma alma predisposta a compreendê-la.

Orações Escritas
Acalma Minhas Urgências


Senhor, escrevo-Te sobre a minha alma e as minhas urgências.
Eu nunca tive pressa — sempre fui tranquila, cheia de sonhos, projetos e anseios.
Mas, ao mesmo tempo, sempre contida, ponderada, paciente.
Sempre soube esperar o tempo do outro e das coisas, respeitando a Tua soberania.


Mas, Senhor, acalma as minhas urgências ou envia socorro.
Aja, Senhor, aja.
Tenho medo de deixar-me atropelar pela ansiedade e acabar desistindo de tentar, de esperar


É cansativo, exaustivo.
Minha mente não para, tentando achar solução, mesmo quando Tu me pões à prova e dizes que sou a menina dos Teus olhos, que tudo vai ficar bem no final.


Mesmo que uses pessoas para cuidar de mim, hoje vejo o Teu amor através delas — essas que têm zelado por minha vida.
O Senhor tem me sustentado através delas, e eu não posso falhar: nem Contigo, nem com elas, nem comigo mesma.


Coloca em meu coração novamente:
O desejo que queima.


Devolve-me a sede de viver.
Traz de volta o brilho dos meus olhos e, junto com ele, a vontade de sorrir — e o sorriso que, a tantos, enchia de alegria, mas que me roubaram.
Não sei… perdi tudo em algum lugar do caminho e não posso voltar para buscá-lo.


Tenho urgências, Senhor.
Ouve o meu clamor de filha.

O Peso do Silêncio de Quem Importa




Quando tudo parece distante, e o mundo vai se apagando aos poucos, ainda restam algumas poucas presenças que nos fazem tentar.
Poucas pessoas que, sem saber, se tornam o último fio entre a gente e o resto do mundo.
Aquelas com quem ainda conseguimos falar, mesmo que pouco, mesmo que sem força.
Aquelas que acham que são só mais uma, e não imaginam que são as únicas.


É doloroso quando o silêncio vem justamente delas.
Quando você cria coragem pra aparecer, pra responder, pra tentar existir de novo — e o retorno não vem.
Dói como se o universo confirmasse o que a mente cansada já sussurra: que talvez você não faça falta alguma.


Mas o que elas não sabem é que aquele “oi” que não veio, aquela resposta que não chegou, pesam.
Porque não era só uma mensagem — era um pedido de presença, um pedido de vida.


E então a gente se recolhe outra vez.
Não por desinteresse, mas por proteção.
Porque continuar tentando onde o silêncio ecoa é como insistir em respirar debaixo d’água.


Algumas conexões salvam.
Outras, quando se calam, deixam a alma sem ar.

Às vezes, não é falta de amor, é falta de fôlego.
De vontade de responder, de sorrir, de fingir que está tudo bem.
É cansaço de corresponder, de se explicar, de esconder o óbvio — que por dentro, o silêncio grita.
As notificações se acumulam, mas o desejo é de desaparecer.
Não por indiferença, mas por não saber mais como existir para tantos, quando mal consigo existir pra mim.
Não sou de muitos contatos, embora haja muitos que me amem.
Só não sei, agora, como retribuir.
E talvez isso precise ser entendido como amor também.

Hoje choro.
Choro ausências, presenças partidas, histórias que ficaram pelo caminho.
Em prantos, tento entender a minha pequenez diante do mundo,
recapitulando a importância que tantas pessoas tiveram na minha vida,
o quanto eu me doei, o quanto construí silenciosamente nos outros.


Choro por tudo:
por aquilo que tive e não soube guardar,
por aquilo que nunca tive e ainda assim senti falta,
por aquilo que não terei e já dói como perda antes mesmo de existir.


O peito pesa, o coração tropeça,
os olhos se fecham para não ver e, ao mesmo tempo,
se abrem para dentro de mim, onde tudo lateja.
No fundo, chorar é o meu jeito de respirar o que sufoca,
de dar forma à dor antes que ela me consuma.
E, enquanto as lágrimas caem,
descubro que ainda há algo vivo em mim:
a capacidade de sentir — mesmo quando dói.