Poema sobre Existência
Vazio
Há tempos que não sinto nada ao me mover
Que estou inerte numa estranha ambição de me preencher
De encontrar algo ou alguém que traga-me à vida
De criar apreço por qualquer coisa que seja-me querida
Por vezes submeto-me à futilidade, por vezes a algum vínculo profundo
Mas ainda sinto-me só, incompleta, um poço sem fundo
O essencial falta-me, não vivo nada verdadeiramente
Como se não existisse passado, futuro ou presente
Algumas pessoas contentam-se ao molhar os pés, outras a cintura
Outras um pouco mais profundas mergulham de cabeça nessa aventura
À mim seria necessário o afogamento
Talvez eu fosse completa, por pelo menos um momento
Uma Supernova que passou a vida a buscar
Algo ou alguém para se afundar
Para dar fim ao vazio de dentro de mim
Explodi e parti, para um oceano sem fim.
Quando parei de sentir pena de mim, conheci uma outra pessoa me habitando. E percebi o quanto eu me bastava.
Quando parei de sentir pena de mim, visualizei todo um outro universo em que eu podia relaxar, ficar feliz e agradecer minha existência.
Quando parei de sentir pena de mim me senti inteira.
Eu prefiro a morte e não aceitei morrer,
Pois as pessoas precisam de mim.
Pois, embora seja nobre viver pelos outros,
É injusto para mim,
Deveria desejar a vida para mim,
Não para o outro.
O mundo é perverso, mas encantador.
É triste perceber que o antes se passou,
mas um novo amanhecer nasce,
jogando fora o que passou.
Apesar de utopia e invisível ao olho nu,
ainda permanece o ontem enquanto o hoje se faz presente,
mas o futuro já passou e também é futuro agora.
Tudo está entrelaçado e sufocante,
como as amarras da jiboia na presa,
que vê a última imagem do fim.
Mas também é lindo,
pois foi uma experiência única.
Nada pode ser jogado fora.
O mundo é feito disso:
entre desastres de cataclismo e de criação.
E a lição que vem em meio a tudo é:
tudo vai passar
e será uma parte do que virá.
Mas os rostos, os sacrifícios,
as alegrias, os costumes... passaram.
E talvez o fim de tudo já tenha acontecido,
pois o mundo é cíclico.
Civilizações desapareceram
e você desaparecerá.
Então, seja o ser único que veio ao mundo
entre tantas possibilidades.
Traga a unificidade
que a presa, nas garras da jiboia,
viu ao encarar seu último dia.
Relembre, entre suas memórias,
o momento de euforia
que teve ao sobreviver
em um belo dia.
Existe uma linha no horizonte
Porque a Terra é plana
O globo é quadrado
E o triângulo é redondo
A cor da beterraba é verde repolho
A jabuticaba é rosa por fora e amarela por dentro
A noite engoliu o sol
Porque os dias tem sido curtos
E as noites se faz longas
Porque o hoje existiu
E e o amanhã a Deus pertence
A fragilidade do ser humano
A loucura das sirenes
O desespero dos gritos
A luz que se apaga
A escuridão que se alastra
E tudo retorna ao pó
A criação deixa de existir
Frutamos, desfrutamos, e somos desfrutados!
"O tempo todo"
A vida é um imenso pomar...
Desfrute!
(Nepom Ridna)
Reciclo
Todo fim de ciclo é o início de um reciclo.
É um novo marco zero no espaço da esperança.
Uma volta à origem no plano cartesiano da vida.
É um contorno na pedra no meio do caminho
E um rabisco no caderno de rascunhos do futuro
Uma nova tatuagem que se esboça
Na pedaço de pele vazia à espera de ideias
Que representam um novo período que se inicia
É o todo que se move, se enlaça, se recria
A partir de uma nova perspectiva de que é a gente
Que traça os caminhos da própria vida.
É o sonho de um novo horizonte
Nos horizontes de uma estrada desconhecida.
Gostaria de chamá-lo de Beleza
Lúgubre no amanhecer à fonte
Esperando por sinais de júbilo
Ao ouvir o canto dos beija-flores
E assistir ao rito dos canais
Cuja água desemboca no mar
De obscuro desejo pelo infinito
E que o horizonte não consegue alcançar.
Atento aos flamboyants que despertam
Em pura expressão de boniteza
E dos ipês em amarelo exuberante
Que povoam o imaginário da vida
Em seu movimento de elegância
Nas vicissitudes das estações.
Desejava somente apreciar a beleza
Do que, por si só, era belo,
Mas em que somente via tristeza
E ansiava pelo majestático fim.
Desesperança
Destemperança
Desassossego
Desaconchego
Mas eu me sinto bem.
A falta do meu pai
A bolsa de Xangai
O grito no sussurro
Ler Dom Casmurro
Eu me sinto bem.
A força do vento
O peso do tempo
As águas de março
A sobra de espaço
Mas me sinto bem.
O Furacão Milton
A Morte do Ilton
A cólera da vida
A cicatriz e a ferida
Me sinto bem.
A falta de certeza
Os ritos de beleza
O triângulo da tristeza
O fim da natureza
Me sinto bem.
Apesar dos pesares
Da fúrias dos mares
Da queda dos pilares
Do incidente em Antares
Ainda me sinto bem.
Medida
Ah... transborda meu pensamento da fragilidade de nossos intentos
Como podemos acorrentados de rotina negligenciar a emoção?
Como anestesiados pelo materialismo induzir a felicidade a interpretar essa versão tão fugaz?
Todavia, a eterna esperança estremece os alicerces dessa crença mundana
Na canção de Legião Urbana a receita para vencer nossa fraqueza cotidiana:
“É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã”
Precisamos trocar os pesos e medidas
Já tinha dito, mas não atentastes para minha tentativa de equilíbrio...
Será o Amor a medida?
Depende de cada um os ajustes naquilo que chamamos de vida
No entanto, os resultados do que se faz ou se deixa de fazer ecoam como uma onda,
se propagam até outras vidas.
É particular a consciência
Mas coletiva a existência!
Pertencimento é a palavra.
Quando a gente se encontra e se encaixa num determinado grupo,
existir é pura diversão.
A poesia é doce alegria,
que envolve o poeta em reflexão,
incentivando todos a ter uma apreciação
e ser melhores observadores da existência.
Será?
Estou curioso.
Cadê a poha do brilho que conheci?
Me conflita essa vaga percepção.
Que não está em questão.
Alienado, vago.
Só não me mato.
Acho que tentei.
Consegui?
A dor se foi.
Está aqui.
Não percebi.
E agora?
Consumir
Produzir
E por aí vai.
Meu universo é o pensar
Tem que estar
A maioria não está
Nem de longe
Algo?
Alguém?
Quem?
Ninguém.
O mundo só existe porque VOCÊ existe.
Do mesmo modo que uma pessoa somente existe porque você pensa que ela existe.
Não no 'pensar' com sentido de 'achar', mas no pensar de pensamento.
Porque na realidade, o que existe do mundo pra ti é o mundo que você vê, sente e ouve.
E por enquanto, é só isso que de fato importa:
O seu mundo.
Desse modo, se você conhecer uma pessoa
irá começar a pensar nela, a respeito dela.
E ela então começará existir,
existir pra ti.
Mas se você não tivesse me conhecido por exemplo, eu não mais existiria.
Pelo menos não pra ti.
E estaria apenas existindo na cabeça de outras vidas.
Que incrível é o ser humano
pelo fato de ser capaz de fazer um ser existir
apenas com um pensamento.
A aventura como manifestação da vida
Se aventurar é ir em busca de algo que não se sabe o que é, mas que se tem a necessidade de procurar. Por ser a aventura um desejo por algo que se falta, muitas vezes o aventureiro é tido como uma pessoa perdida, sem objetivos na vida. Entretanto, o aventureiro é alguém para quem a realidade não lhe basta. Ele sempre quer mais. Não que seja um egoísta ou ingrato diante do que já possui. Pelo contrário, quer mais para compartilhar mais. O aventureiro é um desbravador das belezas e contrastes do mundo, afim de apresentar aqueles que não possuem a pré-disposição para desbrava-la. De tal modo, o aventureiro trilha caminhos antigos e novos, em busca de apresentar as pessoas, para que estas também possam experimentar as novidades e grandiosidades desse planeta.
Vazio existencial
Antes estar morto do que só
Em seguida de nascer o sol
Deveras penoso a quem ama
Tanto espaço em uma cama
Para sofrer, basta ter desejo
Se cegar de luz no lampejo
Imaginar um começo e meio
Sem pensar no fim, ele veio
Inútil culpar a circunstância
Se afogar na sua arrogância
Ou estar ébrio de desilusão
De tanto apanhar o coração
Equilíbrio é a dica do amigo
A um leigo que corre perigo
Que desconhece o buraco
Se acha forte, mas é fraco
Existem teorias fabricadas
Especialmente aos “nadas”
Do vazio existencial, hábito
Mas a autoajuda é um parto
Não deve ter saída mesmo
Viemos ao mundo a esmo
O que eu vejo, um outro vê
Nos seus fatos e no que lê.
É um pouco complicado percebermos que o conceito primário ou etimológico de “existir” se distancie radicalmente do conceito que temos sobre Deus. [Ele é incriável!]
Pois segundo a definição do linguista e lexicógrafo José Pedro Machado em seu ‘Dicionário Etimológico’ “existir” é: Do latim: ex(s)istere, 'sair de, elevar-se de; nascer, provir de, manifestar-se e mostrar-se'. Já que a palavra existir é composta de dois termos “ex e sistere”. O termo “ex” é uma preposição que significa “a partir de”, ou trazer algo para fora. O verbo “sistere” significa colocar de pé ou firmar alguma coisa.
Assim, tal termo significa literalmente “surgir a partir de algo firme”. E em seu sentido secundário seria: “ser real ou revelar sua verdadeira essência, natureza ou suas intenções ou opiniões”.
Partindo do pressuposto etimológico Deus não existe, no secundário existe sim!
Tudo é uma questão de pura
perspectiva!
O meu medo não é da morte e sim da vida,
a vida que não valorizei, a vida que me esquivei,
os momentos que não vivi, os erros que cometi,
as mágoas que carreguei, as críticas que me envolvi,
as atitudes que não tomei e os desafetos que provoquei.
Este sim é o meu medo mais profundo, de passar por tudo isso e ao final da existência perceber que faltou coragem, faltou vontade e fé para superar todos estes obstáculos.
