Poema sobre a Seca
Minha volta!
A seca me fez correr
me abrigar pelo sudeste
eu só tenho a agradecer
o trabalho que me deste
se a chuva não aparecer
nem que seja pra morrer
mas eu volto pro nordeste.
Fé.
A seca que arrebenta
não apaga meu desejo
o trabalho me sustenta
sem precisar de sobejo
a esperança nos alimenta
e Jesus é quem orienta
a família do sertanejo.
Fé, esperança e trabalho.
A seca que arrebenta
não resseca meu desejo
o trabalho me sustenta
sem precisar de sobejo
a esperança me alimenta
e Jesus é quem orienta
a família do sertanejo.
SOMOS
Somos pó, barro de argila seca
Por isso meu amigo
Sorri quando alguém te torturar
E o pensamento te atormentar
Sorri quando tudo acabar
Quando nada mais ficar
Sorri quando a saudade se perder
E sentires que carregas a cruz
Sorri, pois ao verem que tu sorris
O mundo irá pensar que és feliz
E esquecerão todos as dores.
🌷💕 🌷💕 2017
Culpada seca!
A seca é um desatino
como foi pra Santo Onofre
tem gente do dedo fino
bulindo no nosso cofre
gastando sem ter destino
enquanto o povo nordestino
entre tantos também sofre.
Fuga da seca!
A seca a tanto tempo me maltrata
a cada dia a esperança morre mais
e a dor que matou meus ancestrais
se eu ficar nessa terra ela me mata
não sei porque a vida é tão ingrata
e amordaça a esperança desse jeito
se procuro outro lugar pra ter direito
sinto no peito o valor do nordestino
é a espada atravessada no destino
e a faca na mão do preconceito.
Chuva na bica!
A seca aqui é traiçoeira
no sertão tem mais calor
falta água na torneira
ligada só sai vapor
a chuva quando ela queira
caia em cima da biqueira
e abasteça meu tambor.
Sou nordestino.
Sou nordestino meu caro
aqui assino meu nome
conheço a seca e a fome
razão do meu desamparo
é fera que tanto encaro
com tantas que não aceito
mas sem mudar o conceito
vou lhe falar a verdade
eu lamento a desigualdade
e ignoro esse preconceito.
Saga.
A seca braba e atrevida
tange o nordestino a sorte
a honra quando é ferida
a alma é quem sente o corte
muitas vezes a dor da vida
fere mais que a dor da morte.
Ser nordestino é, ter coragem para lutar mesmo quando na seca está.
Ser nordestino é, ter garras para lutar mesmo se o desanimo chegar.
Ser nordestino é, chorar mais logo em seguida as suas lagrimas enxugar.
Ser nordestino é, sorrir e acreditar que um dia melhor ha chegar.
Ser nordestino é, ser doutor sem saber ler graças a vida que o forçou a aprender.
Tempo bom!
O tempo que estava ruim
hoje mudou de posição
a seca chegando ao fim
traz o verde da estação
e que Deus permita enfim
que a chuva prossiga assim
abençoando o meu sertão.
ESPERA!
A seca tudo devora
não deixa a gente plantar
a chuva passa e demora
só cai em outro lugar
quem deixa a terra que mora
é todo dia que chora
pedindo a Deus pra voltar.
Seca, a figueira supunha que em data alguma viriam lhe visitar.
Nem era a estação de seus frutos.
Como arbusto, orgulhava-se ao vento por suas madeixas.
Um galileu faminto moveu-se até ela;
inquiriu-lhe dos frutos.
Sorriu matreira, se esquivou e silenciosa manteve-se.
No âmago, a fome não o deteve.
Saiu-lhe em palavras lançadas ao vento.
Cobriu suas folhas, desceu pelos ramos,
percorreu até o solo, achando suas raízes.
Raízes são a boca das plantas.
Ali, pôde o misterioso homem devolver-lhe a fome.
Ele segue; e ela, seca, testemunha o mal que é fingir-se alimento diante da fome de alguém.
Guerreiros
A poeira que levanta da terra amarga,
tão seca quanto as árvores retorcidas que alí vivem.
As nuvens vazias que atraem a esperança.
As lágrimas que inundam os olhos tristes,
daqueles que na terra esperam ver a vida renascer.
A caminhada exaustiva na busca pela vida,
onde o sol não perdoa, castiga.
A fé que os rege e que os guia.
A força e a coragem que os faz seguir em frente.
O sorriso alegre que esconde as marcas da vida,
as marcas de quem lutou, de quem acreditou.
São marcas de guerreiros,
guerreiros nordestinos.
Seca e cortante, é como as foices do sentir me sondam,
Não há mal no amar, não há mal no viver.
É preciso ter força para se sobressair
mas é preciso sanidade para não se perder.
Quem disse que aquelas pernas irão me enganar mais uma vez?
Meditando o sossego da existência
é a única utopia que ando alimentando.
Ora, vês! quem diria, logo esse mar de sensibilidade que fui.
Ora, vês! eu diria, sou por mim o sentimento mais inconstante, amanhã direi que de nada disso sabia.
Pois derramarei água na terra sedenta, e torrentes na terra seca; derramarei meu Espírito sobre sua prole, e minha bênção sobre seus descendentes.
Eles brotarão como relva nova, como salgueiros junto a regatos.
Isaías 44:3,4
Seca
A folha secou, a árvore murchou
o sol se pôs e o inverno chegou.
Lembranças inundam uma mente senil,
que dentro de alguns instantes
também as apagará.
Grito. Alguém ouve?
Você está bem. Logo supera.
A vida se supera, mas não reina.
Queima, mas apaga
com a enxurrada que vem com as lágrimas.
Onde estou? Para onde vou?
Caminho e não vejo fim.
Paro, respiro. Existo?
Nem sei para que
tampouco porque.
Sigo para onde não vejo.
Fico, pois o medo estagna.
A árvore já não balança,
fruto não deu.
Está podre por dentro. Seca viveu.
Ida!
A seca fere e maltrata
a vida do sertanejo
em cada rosto que vejo
existe um nó que desata
mas pouco a pouco se mata
a semente pura da flor
na transição do destino
se foi mais um nordestino
na longa estrada da dor.
Terra seca!
A seca é permanente
a chuva não aparece
esse povo não merece
viver assim tão dependente
quanta família carente
esperando um só trovão
como é seco o meu sertão
tão ferido nesta guerra
mas rachado que essa terra
só mesmo meu coração.
Virtude do nordestino!
A seca que assola nossa terra
deixa um lastro de dor e solidão
a semente se atrofia pelo chão
e a vida sem água se encerra
a coragem é a arma dessa guerra
que muda o sertanejo de lugar
quem possui a virtude de plantar
não ver dignidade na escora
o nordestino que um dia foi embora
só pede a Deus o seu direito de voltar.
A terra representa o meu suor
a força destemida de um povo
que luta a espera de algo novo
que destrave o aperto desse nó
todo sonho despertado vira pó
toda lágrima caída secará
e dos brotos outra vida nascerá
sem deixar esquecida a de outrora
o nordestino que um dia foi embora
só pede a Deus o seu direito de voltar.
No sertão a seca é vasta quando dura
e não permite aflorar uma semente
o sertanejo olha pro céu e diz oxente
será meu Deus que não acaba essa secura
não nasce a cana que se extrai a rapadura
e sem o milho meu cuscuz pode faltar
sem macaxeira no plantio pra cozinhar
e o pomar sem a água não vigora
o nordestino que um dia foi embora
só pede a Deus o seu direito de voltar.
