Poema Nordestino
NORDESTINO DEU O TROCO
Este povo não se rende
Não se curva, nem se ofende
Com os proclames lá do Sul.
Que fala tanta besteira
Que é gente interesseira
Como xepa em fim de feira
Que se compra com angu
Basta lhes dar pão e bebida
Um unguento pra ferida
Que eles fazem a adoração.
São devotos do divino
São beatos peregrinos
Vivem a soltar rojão.
Que são tolos, pequeninos
Homens fracos, são meninos
Encantados por canção
Mas são eles quem de fato
Pegam a cobra lá no mato
Cortam a cabeça no tato
E da calda fazem um prato
Pra comer na procissão.
Mas se chega alguém sabido
Pelo estado promovido
Para lhes dar algum quinhão
Logo surge a pergunta
O que vão querer em troca
Nossos votos na eleição?
Não aceitam o logro fácil
Nem fingem que são de aço
Choram e têm um coração
Mas são nobres desvalidos
Pelos ricos oprimidos
Que nunca serão vencidos
Não importa o sofrimento
A altura do lamento
Ameaça ou opressão.
Nordestino não se vende
Nordestino só se ofende
Com quem não lhe compreende
E não lhe chama de irmão
Com quem se acha importante
Que pensa que pode tudo
Senhores donos do mundo
quando lhe faz distinção.
Entre branco, sul e norte
Nordestino é cabra forte
Que não se ganha por sorte
Luta e vence até morte
E dá o troco na eleição.
Labuta do Nordestino.
O despertador do sertão
são os pássaros no pé umbú;
Logo o cabra sabe que é 4 da manhã, e se levanta dizendo: "Graças a Deus";
No café da manhã não pode faltar, um chupa vidro, o curimatã,
Ovos caipira com fubá milho,
Pronto! satisfeito e forrado,
só falta subir o pico;
De baixo da colina no meio das veredas, andarilho acompanha
os passo do sabido,
Muitas vezes ele ora e fala sozinho, conversando com a natureza e se lembrando de quando era menino;
Ele chora e sorrir, fazendo do seu dia ardente, proveitoso e vantajoso,
cuidando com muito esforço o que Deus o retribu;
Na volta da brocada, as mãos inchadas e os pés feito tição, já na hora do crepúsculo, levanta seu chapéu e agradece a papai do céu por mais um dia de jornada;
O nordestino nos ensina
A sermos gratos, com o que temos.
MONTE DAS CRUZES
A Caatinga imponente e valente.
Reina no sertão nordestino.
Ajoelha e reverência,
Aquele que ela endeusa.
Vencida pela força da ondas.
Nesta infinita peleja.
Onde o Sertão encontra o Mar
Profetizando a Mãe Natureza.
Sina Nordestina
Sou nordestino,
feito de sol e poeira,
de mãos calejadas
e alma verdadeira.
Querem me afogar
em águas de secas,
mas sou raiz que resiste,
sou chão que não se entrega.
Minha sina é estrada,
vento que corta o rosto,
é lágrima engolida
no silêncio do desgosto.
Garota, se soubesse
o que carrego no olhar,
entenderia que o sertão
não se curva ao queimar.
Povo sem sensibilidade,
que julga sem conhecer,
não sabe que na seca
aprendi a florescer.
Todo nordestino é brasileiro.
Nordestino não faz tempo, bota tempo.
Nordestino não é exibido, é enxerido.
Nordestino não zoa, manga.
Nordestino não sorri, acha graça.
Nordestino não briga, quebra o pau(...)
Quem não é nordestino ou não tem raiz nordestina,
não é brasileiro!
-É estrangeiro fugido do seu torrão e, aproveita-se dessa inocência e desse grande coração nordestino que acolhe sem preconceito gente de todos os continentes. E essa gente depois de agasalhada e nutrida quer um Brasil dividido.
Como assim?
- Esqueceram que chegaram aqui e dessa vez nem espelhos trouxeram?
-Trouxeram uma cultura que não nos representa e nós respeitamos as lembranças de sua terra!
Mas, é só!
Pó parar por ai...
Nós ainda temos terra nas unhas para defender o que é nosso, e vocês estão aqui de favor!!!
Porque somos um povo de paz e de amor.
Exigimos respeito magote de cabra besta!
Senão, a gente apaga o candeeiro e joga fora o gás.
"Seus sobrenomes estrangeiros, cuidado com nós!
-Nós sabe fazer as coisa bem dereitin..."
☆Haredita Angel
O teu amor é sopro leve
Que venhas logo
Te espero em breve
Traga o teu beijo nordestino
Delicioso colo de homem
Lindo coração de menino
No vem e vai da sanfona
Sensualidade completamente à tona
Que remexe com esta pomba
No bate coxa educado
Desfrutando do requebrado
Escolhi o meu namorado
O nordestino quando dança
Tem o balanço do mar
Eu tenho um nordestino para amar
Cuscuz Nordestino
com ovo estalado
te celebro e não
te troco por pão,
Uma vez que provei
você passou a ser
dono do meu coração.
O sertão pede socorro. E seu grito ecoa esquecido, abafado, ignorado pela imensidão de preconceito e descriminação.
A novela não tem nada a ver. Que língua é aquela que eles falam? Você está no meio de nordestinos aqui. Já ouviu um de nós falar daquele jeito? Aquilo não é fala, é miado de gato"
Os problemas do Sertão todos nós já estamos acostumados a enfrentar, já não nos assustam mais. O que mais dói é perceber que esses problemas ainda persistem, se renovam e se fortalecem, mesmo com a modernidade de nossos tempos atuais.
Se tu tens tão somente um pão e tu o repartes ante à fome do teu irmão, esse imensurável gesto nobre e caridoso se equilibra e cada um fica com um pão.
Sou NORDESTE sim sinhô!
Tenho orgulho de o ser!
Danço xote, xaxado e baião,
faço verso e visto gibão.
A minha cultura é plural e pura.
Desde Patativa ao Mestre Suassuna,
Luiz Gonzaga não hei de esquecer,
pois fez muito por merecer.
Aqui tem de tudo que você imaginar,
desde doutôr de jaleco,
até vaqueiro que vai o boi derrubar.
No sertão o sol é de rachar,
no litoral a brisa vem amenizar,
e na serra, ah! O frio é pra aconchegar.
Pode aqui se achegar,
pois nosso amor queremos dar.
E aqui vou finalizar
com um grito que hei de escultar.
SOU NORDESTE SIM SINHÔ!!!
São todos Nordestinos.
Djavan e Jorge Amado baiano
Don Helder Câmara e Lampião
Câmara Cascudo e Graciliano
Conselheiro e Padre Cíço Romão
Patativa e o nosso eterno Ariano
Zé Ramalho e Luiz Rei do Baião
Orgulho de SER Nordestina!
Perguntaram-me uma vez por que quando falamos de nosso orgulho ou de nossas belezas registramos com fotos da triste seca, da terra rasgada de sede, dos animais que Chico levou para os jardins do Céu, dos veios trombóticos de seca, das árvores retorcidas de agonia, e nao com fotos das nossas belezas, tais como praias, cachoeiras, flores, comidas saborosas, serras, pensei.... não é verdade, é na seca impiedosa que reside nossa beleza, nossa história de fortaleza! Talvez a resposta seja melhor explicada em quem abandona o lar sertanejo, deixando tudo para trás: amores, famílias, costumes, lar, e se aventura por outras paradas, outras terras, mesmo sendo vitima de preconceitos, fome e frio, mas assim que faz OU não riqueza volta correndo para seus confins de mundo, este retirante sabe o que é trazer no coração a imagem permanente da beleza pura do sertanejo a paisagem rica em tons diversos de marrom e vermelho, os galhos que teimam em resistir a ventos e sol inclementes, e a um aqui e outro acola tons de verde teimosos, aos veios que ficam apenas a esperar a um 'tiquim' de chuva para dançar sinuosos entre a terra, que lhe abre desejosa a passagem para aquele líquido de vida, na beleza de uma flor do mandacaru, no canto do acauã, e no por do sol rico em cores, no Céu cheio de buracos de uma renda luminosa à noite, e no luar que não há em outro lugar, neste peito sertanejo reside meu orgulho nordestino de ser!
8 de outubro , DIA DO NORDESTINO.
Prazer seu moço e dona, sou a Irene
...malandro não vale as calças que veste. De fato, como diriam meus conterrâneos nordestinos, “cachola oca é terreiro do coisa ruim”.
Contos de uma Terra Prometida,
p. 32
A seca no sertão.
A vida do sertanejo
É um misto de sonho e desejo em cada coração
Do berço ao túmulo, a ferida que amargura é a sua vida dura a cada passo do dia no sertão.
No Nordeste brasileiro, a vida do sertanejo é embalada pelo enredo de viver uma vida sem medo diante da seca do sertão.
Sua fé em nosso Senhor o faz suportar a seca e o calor que lhe trazem morte e dor, devido à falta de água que lhe angustia a alma em uma vida de horror.
Minha manhã.
Assim começa esse enredo
depois do cheiro de Afrodite
por entre o verde do arvoredo
que o nosso Senhor permite
e um cuscuz de manhã cedo
para abrir nosso apetite.
Carne de charque.
Isso é carne de primeira
nenhuma outra me seduz
ponta de agulha dianteira
é melhor que a de avestruz
gostosa com a macaxeira
e perfeita com o cuscuz.
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