Poema Maos de Semeadora Cora Coralina
Existem lembranças que pesam como ferros, mas moldam como mãos de artesão. Cada dor que carreguei me empurrou para dentro, e lá encontrei partes de mim que nunca ousaram nascer. A vida às vezes arranca, às vezes entrega. Mas sempre ensina, mesmo que a lição seja dura demais para a idadeque tínhamos.
A esperança é um mapa rabiscado com lágrimas e mãos calejadas, apontando caminhos que poucos ousaram pisar.
Há palavras que surgem como fósforos acesos em mãos trêmulas. Acendem-se, queimam rápido, deixam cheiro de algo que foi e não volta. Guardo-as em potes de vidro para que não se apaguem por completo, e quando preciso, abro um pote e relembro o calor que um dia tive.
Às vezes o perdão é uma mesa posta para ninguém. A comida está lá, mas faltam mãos para compartilhar. Fico olhando o prato vazio e aprendo sobre abandono. Algumas refeições só alimentam a memória. E ainda assim a mesa insiste em ser hospital de esperanças.
Um menino de costas carrega nas mãos vazias
tudo o que não pôde salvar. O piano calado chora por dentro, o violão perdeu as cordas como quem perdeu a fé. Anjos sujos ajoelham na lama, pedindo perdão por não terem chegado a tempo. As máquinas, cansadas de pensar, aprenderam o silêncio. E mesmo assim, ao longe, a água insiste em cair, porque o mundo acaba muitas vezes, mas a vida sempre encontra um jeito de continuar descendo.
O amor que me cura não exige perfeição. Ele pede apenas coragem para chegar com as mãos vazias. Acolhe os termos e as condições sem contrato. E na simplicidade do gesto, tudo se transforma. Porque amor que exige pouco é o que mais dá.
O perdão que me proponho é lento, como cerâmica. Modela-se com mãos que não esmorecem. Algumas peças racham no forno e perdem a forma. Outras saem perfeitas, surpreendendo até o artesão. E percebo que imperfeição também é beleza.
A ternura que procuro é de origem doméstica. Não vem de placas nem diplomas, mas de mãos simples. Ela aparece em gestos que não pedem retorno. Quando recebo tal ternura, sou restaurado. E volto a acreditar em recomeços honestos.
A tristeza vem como uma estação implacável, sem aviso, sem pausa e nos deixa com as mãos frias, tocando lembranças que nunca se foram.
O peso do corpo sobre a cadeira, o calor da xícara entre as mãos, o ritmo da respiração... a felicidade não é um evento grandioso, mas a soma desses pequenos momentos de presença absoluta onde o passado e o futuro deixam de nos assombrar por alguns minutos.
O vento, é o despertar para vida. Seu canto toca em nosso ombro como mãos, acordando-nos do sono profundo em que nos encontramos.
Que eu nunca mude; que as minhas mãos sejam sempre estas mãos acolhedoras, acolhedoras, acolhedoras.
Tudo é para honra e glória do Senhor. Aceito e entrego em suas mãos.
Aceitar e entregar é dar a ele o arbítrio para ele alinhar o que precisa para te ver feliz e prosperar.
O Senhor está pesando não apenas as mãos, mas as intenções dos corações — e tem muita mão levantada no culto, mas suja nos bastidores! (Sl 24:3-4)
miriamleal
As pessoas que vivem de acordo com as obras más, sabotar a sí mesmo, não suja as suas mãos, não será necessário.
No segurar das mãos, o olhar, o sorriso, o toque, o cheiro, o olhar nos olhos e enxergar a alma, e mergulhar na essência e aprendermos juntos o verdadeiro significado de dar e receber!
- Relacionados
- Poemas para o Dia dos Pais (versos de carinho e gratidão)
- Poema de Amor Verdadeiro
- Cora Coralina: frases e versos que inspiram e encantam
- 28 poemas sobre a infância para reviver essa fase mágica da vida
- Poema para Irmã
- Poema Amor Incondicional
- Poemas de carinho e amizade para demonstrar afeto
