Poemas sobre a lua para ler, refletir e se apaixonar

Quando a Lua Chama


Há alguém que só desperta quando a noite vem,
surge entre as estrelas, quando dorme alguém.
Não sei se é lembrança, mistério ou ilusão,
mas deixa sua sombra presa ao coração.


De dia, é silêncio perdido pelo ar,
uma imagem distante que não sei alcançar.
Mas quando o sol se rende e começa a partir,
há qualquer coisa nela que me faz sentir.


A lua, testemunha do que não confessei,
guarda entre suas sombras tudo o que calei.
E quando a maré vem beijar a areia,
seu nome se dissolve na espuma da sereia.


Procuro no espelho alguma explicação,
mas vejo somente a minha expressão.
Quanto mais eu procuro saber quem ela é,
mais o mistério me prende de pé.


Talvez seja um sonho que insiste em ficar,
talvez seja a noite querendo me enganar.
Talvez seja alguém que eu nunca encontrei,
ou uma parte de mim que um dia abandonei.


E quando amanhece, ela deixa de existir,
como uma estrela cansada que decide partir.
Mas quando a noite retorna e a lua vem me chamar,
eu sinto sua presença outra vez no meu olhar.


Se é sonho, por que parece tão real?
Se é lembrança, por que ainda é tão igual?
Se a lua conhece o segredo que escondi,
por que toda noite ela a traz de volta a mim?


E se ela só existe quando a noite vem,
se só vive no escuro, distante de alguém...
quem é que desaparece quando nasce o dia:
ela, ou a parte de mim que por ela sorria?

Ela é Sol! Eu sou Lua!


Ela é o Sol,
eu sou a Lua,
duas almas diferentes
sob a mesma imensidão.


Ela chega trazendo luz,
eu chego trazendo mistério;
ela ilumina o que toca,
eu guardo o que sinto em silêncio.


Ela é calor,
eu sou maré;
ela desperta sentimentos
que eu nem sabia que havia em mim.


Talvez seja por isso
que eu escreva tanto sobre ela:
porque há pessoas que simplesmente passam,
e há aquelas que deixam o céu diferente
depois que chegam.


Ela não precisa saber
quantas constelações acendeu em mim.
Talvez nem perceba
que, quando penso nela,
até minhas noites encontram claridade.


E eu, Lua,
continuo orbitando meus próprios pensamentos,
tentando transformar em versos
aquilo que não consigo dizer.


Porque o Sol não sabe
o quanto a Lua o observa.


E a Lua talvez nunca conte
o quanto é bonito receber sua luz.


Mas existe algo que o céu sabe
e nós talvez ainda não:


há encontros que não precisam acontecer no mesmo instante
para pertencerem ao mesmo universo.


Ela é o Sol.
Eu sou a Lua.


E, entre a luz dela
e as minhas fases,
existe um céu inteiro
guardando aquilo que somente nós
poderíamos entender.

Hoje a Lua brilha
Sobre o meu quintal.
A luz do Sol que trilha,
Mas não deixa rastro
Sobre a escuridão.

Eu penso nas noites passadas,
Penso sobre densos nevoeiros,
Flechas atravessadas
Quando os olhos pouco viam.
Do pouco que viram,
Traduziram pouco… ou quase nada.

Um cinzeiro sobre a mesa,
A luz da Light na calçada,
Tantas diferenças,
Tênues relevâncias.

A noite flutuante
Paira sobre a noite enluarada.
Madrugada avança sobre horas de sonhos,
Meu sono acanhado,
Meus olhares, cada vez mais poucos,
Traduzindo a cada noite
Muito mais do que enxergam —
Pouco ou quase nada.

O silêncio da noite
Chega a ser maior, mais denso
E mais abrangente que a própria noite.
Até que sobre pouco:
Muita luz, muita neblina, silêncio demais.

Paz por sobre a rua,
Luz do poste, que,
Goste ou não goste, não passa da esquina.
Meus olhares cansados também não.

Edson Ricardo Paiva

Tem uma lua diferente
Que só nasce na minha rua
Ela pode parecer igual
Pra toda gente
Não pra mim, que a vejo de lá
E quando eu saio da minha rua
Levo junto meus olhares
E prossigo vendo as coisas do meu jeito
Pois desse jeito, eu sei, não sofro tanto
Não ponho leveza onde não há
Não aumento a tristeza onde há
Tem um azul claro vibrante
Tem um céu assim, pra mim
Quando eu o olho de lá
E quando eu me molho na chuva de lá
Não me sinto menos rico
Por não ter um guarda-chuva igual
Não desejo nunca mais ultrapassar as portas
De cujas maçanetas
Eu jamais devia ter me aproximado
Às vezes, fico até de madrugada
Olhando estrelas da calçada
A lua brilha na areia do chão
Como na areia da praia
Mas é preciso olhar pro chão
Como quem olha pro céu, para vê-las
E não desejar que caiam estrelas
Todas elas vão cair um dia
Nesse dia, eu vou morar na estrela
Para ver minha rua distante
Como distantes serão meus olhares
E vai tudo estar do mesmo jeito
Ou, talvez, até melhores
Não sei
O melhor lugar do mundo
Fica atrás dos meus olhares
Sob a chuva sem guarda-chuva
Na qual, fatalmente, eu apenas me molho
Eu apenas vivo assim
As emoções pequenas
Nas asas da ilusão, eu viajo pra bem longe
Mas, quando eu saio da minha rua
Levo junto meus olhares
Minha paz, meu coração
E o melhor lugar deste mundo
Será sempre onde eu estiver
Pois estou contente em minha companhia.


Eds

O céu não precisa de sol pra nascer o dia,
nem da lua pra trazer calmaria.
Porque a luz que lá existe não é criação
é o próprio Deus em manifestação.
miriamleal

Sentir os detalhes:

O vento atravessando o corpo,
o sol aquecendo em uma manhã fria,
a lua brilhando e fazendo sonhar com um amor,
o abraço que faz carinho na alma,
a flor que envolve delicadamente com o seu perfume.
Porque, às vezes, a felicidade mora nas coisas simples,
nos instantes que passam despercebidos,
e é na delicadeza de cada pequeno encanto
que a vida, silenciosamente, floresce em mim.

Priscila de Araújo

Desejo ver a lua junto com você.
Desejo ver o pôr do sol contigo.
Desejo viajar com você;
Que nem nos "filmes".

Mas levando pra realidade é:
Ver o brilho no seu olhos.
Ver o seu sorriso todo dia.
E viajar no seu corpo...

Não sente tristeza quem carrega a lua no olhar, o mar no peito, e a esperança nos pés.⁠

Debbie Villela

⁠O reflexo da lua no corpo é a maturidade chegando, em contorno de um olhar lúcido, parece até beijo, mas é só aconchego mesmo.

Debbie Villela

⁠Nos intervalos entre sol e lua, o amor é enfeitado pela magia
do sonhar.
Debbie Villela

Te amar dói


Eu te amo de um jeito que não sei explicar, como o mar ama a lua, sem poder tocar, como a noite abraça a luz do luar, como quem nasceu para ficar, mas precisa se afastar.


O meu coração te procura em silêncio, mesmo quando estar contigo me causa tormento. É que teu abraço é meu lugar preferido, mas é nele que sinto o amor mais doído.


Porque te amar é a parte mais bonita, mas estar perto de ti é uma dor infinita. É sorrir com os olhos, enquanto a alma chora, é querer que o tempo pare e desejar ir embora.


É ter você tão perto, podendo te sentir, e, ainda assim, sentir que estou prestes a te perder. É querer morar nos teus braços para sempre, mas saber que esse amor pode me destruir lentamente.


E eu não sei como se esquece alguém que o coração escolheu amar tão bem. Não sei como fugir de quem me faz querer ficar, nem como ficar perto sem, aos poucos, me quebrar.


Eu te amo. E talvez esse seja o meu castigo: querer você perto, mesmo sofrendo contigo. Porque a distância me mata, mas a proximidade também… E, no fim, dói te amar tanto sem saber se esse amor me faz bem.

SILENCIOSAMENTE '


Amo-te no silêncio do meu coração,
Sob a luz da Lua, te amo no forte clarão,
Como abelha colhe o néctar da flor,
Não sei o que é isso, se isso não for amor.


Com belo sorriso, amarei-te sempre,
Do anoitecer, até ao romper da Aurora,
No silêncio desse amor, sou eu resiliente
No exato presente, ontem e agora .


Até o infinito amarei-te silenciosamente ,
Contemplando as estrelas, a lua e o mar,
Enquanto meu coração te anseia presente,
Ainda no silêncio, para sempre irei te amar .


Amarei-te em silêncio , secretamente,
Um amor sem fim imensuravelmente.
Amando -te assim , não sentirei sua rejeição,
Silenciosamente serás Eterno em meu coração


Maria Francisca Leite

Beijar a Lua

Sentir teu cheiro,
tocar tua alma,
adorar tua luz,
desvendar teus segredos…
te acariciar!

Como é belo teu olhar,
como é meigo teu carinho,
como é doce teu encanto,
como é lindo teu sorriso…

Lua, deixa-me te beijar.
Lua, vem me namorar!

A lua daqui

Eu não vou mentir: por onde quer que eu vá, sinto que o luar nunca é igual ao de minha cidade, Apodi. Aqui não há montanhas gigantes, nem encostas que façam o luar ser único. Mas, no Calçadão da Lagoa do Apodi, na parte meridional da cidade, a lua se matiza de prata, refletindo sobre a água como se o céu tivesse derramado um bujão de gás luminoso. Ela fica tão reluzente que encanta, apaixona e já fez gente simples se tornar famosa só por morar na cidade da lua platinada.

Percebo que as grandes cidades, com suas selvas de pedra ou litorais recortados por ilhas, nem de longe produzem luas como a daqui. Nossa jaci é uma verdadeira belezura: casais se enamoram e até brigam, mas, ao perceberem o luar, desarmam-se das intrigas e voltam a se amar.

Aqui nem pensar em lobisomens. Pelo contrário, o que a lua enfeitiça são os gatos, que deixam de ser apenas gatos e ganham nomes dignos de celebridade: Nâno, Tufão, Fábio Assunção, Nega Véia, Melissa Mel, Florinda, Bob Mel, Frida Mel, Pedro de Canoanés, Ceguinha, Morcego e até Paulo Jorge. Longe de quererem se tornar feras, eles só se deixam encantar. E, assim como nossos felinos se transformam em personagens, nossa cidade carrega consigo uma rica gama de apelidos, que vão desde as crianças até os idosos, passando por todos que têm história e memória por aqui.

A lua daqui parece tornar nosso povo ainda mais hospitaleiro, e quem bebe da água de Apodi tende a não sair jamais, encantado pelo luar, pela lagoa e pelo calor silencioso da nossa gente.

O girassol não reclama da noite,
nem discute com a lua.
Ele só espera o dia amanhecer.

O dia em que Vênus encontrou a Lua,
ambos incandescentes.
Não era uma Lua minguante,
e sim uma Lua crescente.
Apareceram quando o Sol se escondia,
no poente.
Conjunção inconfundível,
atraente.
Nunca tinha visto um planeta,
nem mesmo numa luneta.
Mas agora, vejas tu,
eu posso ver Vênus,
não pela luneta,
mas sim a olho nu.
Registrei no meu olhar
e, depois, na fotografia,
uma imagem rara.
Eu nem sabia que existia.
E ali, logo abaixo, Júpiter,
tímido diante da luz reluzente da dupla que brilhava e reluzia.

“ Sob a luz da lua, vi teus olhos a brilhar. Como eu poderia pensar que em um simples farrapo de modéstia tu firmarias teu lar? “.

- Maysa S. Barrocal

Caminhar Cigano 💃


Caminhe sob a luz do Sol,
da Lua e das Estrelas;


com a leveza da Brisa
e a impetuosidade do Vento;


com a solidez e a força da Terra;


com o frescor,
a fluidez e a fertilidade da Água;


com o ardor e a coragem do Fogo;


e siga sempre caminhando
com gratidão na alma,
amor no coração
e paz nos pensamentos.


Caminhe cantando
e dançando
que a tristeza,
para longe de ti,
vai caminhar.


Que seus caminhos sejam livres,
seus passos firmes
e sua alma leve.


Que a Estrada lhe ensine,
que o Vento lhe conduza,
que a Terra lhe sustente,
que a Água lhe renove,
que o Fogo lhe fortaleça
e que o Céu jamais deixe
de iluminar seus caminhos.


✍@MiriamDaCosta

ENTRE A LUA E O SEGREDO


Há quem goste da Lua,
eu gosto do que ela esconde.
Do silêncio que ilumina,
mas nunca revela de onde
vem aquilo que se sente
quando ninguém está olhando.


Há quem prefira o Sol,
eu prefiro o seu calor.
E talvez seja por isso
que eu tenha tanto medo do amor:
porque algumas coisas aquecem
antes mesmo de serem chamadas de amor.


Tem o café,
sempre quente entre as mãos,
e aquele gosto amargo
que guarda doces intenções.
Tem livros abertos sobre a mesa,
páginas cheias de histórias,
enquanto uma coruja observa
como quem conhece todos os mistérios
que eu ainda não tive coragem de contar.


Talvez seja no ensino
que eu tenha aprendido a esconder.
Ensinar palavras,
ensinar caminhos,
ensinar tantas coisas...
menos a mim mesma
a explicar o que sinto.


E existem as crianças,
com seus olhos sinceros,
que ainda não aprenderam
a disfarçar sentimentos.
Talvez por isso eu tenha medo delas:
porque criança pergunta,
percebe,
e às vezes enxerga
o que adulto passa a vida tentando esconder.


Há girassóis,
que insistem em procurar o Sol.
E há orquídeas,
que florescem em silêncio,
como certos sentimentos
que ninguém vê nascer,
mas que, quando percebidos,
já criaram raízes.


E então existe você.


Sem explicação.
Sem aviso.
Sem motivo que eu consiga nomear.


Eu apenas sinto.


E talvez esse seja o meu maior segredo:


não ter medo de sentir,
mas de descobrirem
por quem eu sinto.


Porque se alguém perguntar,
talvez eu fale da Lua.
Do Sol.
Do café.
Dos livros.
Das flores.
Das crianças.
Do ensino.
Da coruja...


Falarei de tudo,


menos de você.


Porque existem sentimentos
que não precisam ser confessados
para serem verdadeiros.


Alguns só precisam
continuar florescendo
onde ninguém consegue ver.

Quando a noite escura se aproxima,
logo a chama ardente vem.


Num quiosque qualquer, vejo a lua brilhante.
Dá-me a sensação de quem?
Do sopro quente do teu cigarro,
das pessoas que andam cá pela noite.


Perco-me num fraseado de memórias boas.
Ela esconde-se como se tivesse medo,
vergonha das nuvens que a rodeiam.


Noite tão escura,
que qualquer fonte de luz me alumeia
perante a imensidão que haverá de ter.


Sozinho, repenso no sopro de uma luminária sem lume,
como se a madrugada não fizesse parte de mim.


Das cinzas, renasce a nova chama,
ardente e formosa.


Surge um torpedo,
surge a elegância
desta noite tão oblíqua.


Não tenho nada,
nada para mostrar.


Perco-me outra vez
num mar infinito de lembranças más,
com um significado feliz.


Ricardo Mendes - 2026