Poema de Outono
SINFONIA DE OUTONO
Que sons, que magia
Andam no ar todo o dia.
Cantam os frutos ao cair no chão
Toca ainda o vento suão
Nas luras das árvores da fornicação.
A terra farta de ser emprenhada
Pede ao lavrador a paz da enxada.
O lavrador, amealha o pão
Que a mãe terra lhe pôs na mão.
É pão, é fruto, é vinho de suor
E tanta gente a rezar pelo melhor.
Eu também rezaria a cantar
E, ai, se a natureza me desse voz
Eu cantaria para todos vós
Num canto pranto de arrebatar -
Corações do meu abono,
Nesta sinfonia de Outono.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 28-09-2022)
TRISTEZA INFINITA
Que triste este sol
Hoje, neste outono.
Vede como chora
Agora,
O vento cerol
Colado a mim como dono.
Que triste é ser tão tristonho,
Como árvore que dá flor
Sem amor,
No outono,
Fadada a não medrar.
Que angústia vai neste olhar
Nesta sempre tristeza minha,
Infinita,
Que mesmo amordaçada grita
Pela liberdade de amar.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 28-10-2022)
TERRA-MÃE
Vinha o outono, de mansinho, a caminho.
Caíam chuviscos, ariscos, na terra-mãe.
Mostrava ela o interior do útero em ferida,
Naquela terra mártir em sôfrego revolvida,
Depois de lhe apararem os frutos do pão.
Daquele pão que ela nos dá airosa,
Famintos que somos do seu sabor
Que mata a fome da boca e do amor,
Mesmo quando a pedra nos sabe a rosa.
Era aquela terra, seio esventrado
Pela charrua crua e pelo arado,
Que depois serena acolhia a semente
Nas entranhas do húmus complacente.
Parecia-me uma mãe dolorosa
Que tinha acabado de dar à luz
Tantos filhos de uma vez só,
Que até o Criador celeste facundo
Em tom suave e místico, profundo,
Num clarão celeste que cega e seduz
Lhe começou a chamar de forma ardilosa,
Terra-mãe e avó-terra e eterna do mundo.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 16-09-2023)
OUTONO SEM CASA
Toda a vida eu sonhei
Construir uma casinha
Como só eu sei,
Numa bela arvorezinha
E fazer dela o meu trono
No agora vindo outono.
Que ilusão esta a minha,
Ó sonho louco e fugaz!
Nem árvore nem arvorezinha
Ou casa ou minha casinha,
Utopias que a vida traz.
Na montanha, tudo ardeu,
Tudo queimou e até eu
Como pássaro que fica sem asa,
Como cão que fica sem dono,
Ficarei sem aquela casa
Que quis construir neste outono.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 24-09-2023)
OUTONO INFIEL
Falso este Outono
Ou um rapaz rapace,
Tomate feito de alface,
Ou ridícula manha do dono?
No fresco do seu calor,
Naquele falso ardor
Ele mente,
E a gente nem sente
A infidelidade premente.
Quem és tu outono
O, dos poetas?
E ele (respondeu-me em seu mono):
Eu já não sou quem tu pensas,
Poeta de tantas parecenças,
E agora sem mais ofensas,
Digo: Não sou mais o teu outono.
OUTONO SEM COR
Dantes, eram cores e terra em sono.
Eram paletas de inebriar no outono.
Agora, não sei porquê,
Ele já não pinta nem dorme
Nem come com fome.
Será que ele vê
O mundo mais estarrecido,
Que já nem folhas deixa no chão,
Quase todas tombadas no verão?
Que outono este, tão distraído…
E eu que queria tanto pintar
Talvez mais até borrar
Uma tela,
Simples, singela,
Com cores mágicas de encantar.
A minha musa inspiradora
Do outono multicor,
Sumiu-se farta da pose,
Nervosa pela neurose
Do mau pintor
Plebeu,
Que sou eu.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 26-09-2023)
A MAÇÃ
Era outono.
Havia uma maçã no chão,
Caída da árvore cinquentenária.
O homem, esfomeado, vergou-se
No ranger dos ossos castigados
Por longos jejuns lazarentos,
De uma vida de naufragados
Num barco de pobres assinalados,
Pelas misérias dos tempos.
Tinha já a podre maçã
O bicho que a carcomia,
Fruto de macieira arraçada
Também velha e corcovada,
Triste por não ser sã,
Nos ramos em agonia.
Prestes a pegá-la do chão
Pousa um passarito aflito
E o homem com prontidão
Diz ao pássaro com emoção:
Come, come tudo sem parar,
Pois assim me capacito
Que minha fome pode esperar.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)
Sobre o outono,
Sou o vento que sopra no tempo, a vida
Que envolve o momento, e leva o polém
Que esfria e esquenta, levanta a poeira
Traz de volta o cheiro, balançam as florês
Me junto as folhas e viro forte redemoinho
Com a sua chegada apenas um ventinho
Com chuva então, folhas secas no chão...
E quando tudo pára, ficam as lindas cores
O sol desaparece, vem nuvens no céu
E nelas te vejo novamente em figuras
Formando linda paisagem, como sorriso
Nessa hora que me calo e deslumbro
A noite enobrece, as estrelas aparecem
O dia lentamente secam todo orvalho
Lá tem você de novo, como um presente
Soprando novamente, doando novo brilho
No silêncio demonstrando todo seu valor
Neste momento sou quem muda o tempo
Onde tudo acontece esperando alteração
Novos tempos, novas esperaças, transição
Seguir somente com o que realmente importa.
Por isso sou o outono, entre o inverno e verão
Refletir em você o que precisa ser conservado
Deixar as águas levar o que pode ser levado
Surgir o novo, quando chegar nova estação !!!
Gera em mim mais uma vez,
Esse doce outono discreto,
Não nego jamais,
Eu te espero,
Ao passar de cada segundo,
Longe, mas não alheia;
O teu amor é a minha teia.
Girassol em flor,
Inigualável amor,
Adorado sem tabu, e sem pudor.
Riscam no horizonte,
Os primeiros raios,
São as tuas luzes,
Amor em verso,
Namoro em prosa,
Amor em chama.
Sábios são os teus poemas,
Chamamento celestial,
Horas em valsa,
Maré de contentamento,
Indissociável sentimento,
Tesouro do tempo,
Trazendo você para mim...
Sempre me supreendendo,
Carinhosamente,
Esculpindo a poesia,
- adormecida
Feito a duna ainda em grãos,
Aromas marinhos,
Do mar e do vento bailando,
- revolucionando
Um amor em construção.
Do outono carmesi
colhi os sinais de ti,
mas preciso muito
saber se você existe,
ou é apenas delírio.
A sede de quem
cruza só o deserto
desta existência,
se sacia mesmo
até por clemência.
Do entorno sideral
tenho me disperso,
porque hipnótico
tu me trouxe perto
dos teus desejos.
E só com versos
tenho orquestrado
o discreto cerco,
vício e ocupação
no teu coração.
Do luar de morango
que aguardo tanto,
algo predita doce
e com encanto
que nada será em vão.
No início de abril, durante o romantismo do outono, como de costume ao final da tarde, o Sol viu que a Lua estava se aproximando, ficou logo muito radiante de tanta felicidade e decidiu dar-lhe uma calorosa recepção de boas vindas
Com este propósito em mente, não perdeu mais tempo e prontamente começou a aplicar a sua linda arte, tingiu uma parte do céu com tonalidades quentes, alcançando um belo resultado sendo o grande destaque no azul vasto e celeste
A Lua estava cada vez mais perto e finalmente assim que chegou, olhou para o horizonte e ficou tão deslumbrada, cheia de amor diante daquela intensa exposição, que até a sua alma se alegrou, consequentemente, uma admiração recíproca entre a Lua e o Sol
Ficaram juntos emocionados, um defronte o outro por alguns instantes, desfrutando de um amor inigualável, sentido fortemente por ambos, ele e ela em um sonho poético, então, eles se despediram ansiando pelo próximo encontro esplêndido.
Chuva do Outono
As luzes da Cidade de Rodeio
acesas sob a primeira
chuva do Outono que se achega
enquanto repousam
os Canários-da-telha,
a roseira se refresca,
o coração dança
na cadência da Terra
aspirando ser a sua
vida inteira e entrega
para o Universo o primeiro poema.
Rodeio e o Beijo
O Outono beija a minha
linda cidade de Rodeio,
O amanhecer cinzento
eu pinto colorido com
todas as cores da poesia.
O beijo frio do Outono
no Médio Vale do Itajaí
não desencoraja por aqui
quem tem poesia e coração
quente para prosseguir.
O Outono que com um
único beijo me faz a deixar
para trás tudo aquilo
que rouba a minha paz.
O beijo que me traz coragem
de continuar escrevendo
poemas para que daqui
de Rodeio espalhem amor
e paz para o Brasil inteiro.
Outono
A intensidade
Do que foi
Um dia
Permanece
A ansiedade
Do esperado
Momento
A mesma
A doçura
Do êxtase
Supremo
Promessa
A brisa
De então
A mesma
Ainda
Tão agora
Como antes
Foi presença
Tão ausente
A presença
No agora
DIAS DE OUTONO!
(Bartolomeu Assis Souza)
Vai embora o barco da minha vida
Navegando em dias, horas e minutos
Calendário da vida...
Vai onda...onda...onda...
Como ficam distantes
os dias de outono!
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As cores do outono vem
trazendo boas-novas
para Rodeio e a temperatura
pouco a pouco o aconchego.
Entardeceres coloridos
prometem céus desabrochados
iguais a Amarílis Brasileira
e como a tua presença alvissareira.
Entre nós, o Sol, a Lua, as estrelas
e o magnífico Pico do Montanhão
poemas, baile íntimo e diversão.
Sagrado com a tinta do coração
nas linhas do Médio Vale do Itajaí:
o romance ao som da gaita com paixão.
Série minicontos
CHÃO DE GRIS
Naquela manhã de março se fazia outono no hemisfério sul.
Sob a sombra do cajueiro em frangalhos o sol nas bancas de jornal refletia o verde oliva a sucumbir a clorofila de uma nova primavera.
Dos amantes, passantes e brincantes.
O pasquim flutuante sobre o carmim do asfalto anunciava um mau agouro:
Em seu reino tupiniquim nascia um rei torto.Quando acordei estava morto.
