Poemas sobre Dor

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Tempo

O tempo me chegou como um feroz devorador, mas devorou meu medo e a minha dor. Ele me deixou mais livre, solta e leve feito vento.
O tempo me fez ventar!
Nildinha Freitas

Pobre poeta e pescador,
Que no mar da vida
Pescou amor e sentimentos,
Mas também dor e sofrimento.

Com seu barco cheio de vaidades,
Esqueceu-se das veleidades
Escondidas no porão,
Carcomidas de solidão.

Mas triste é saber a verdade.
E entre vários raios e trovão,
Veio vindo a tempestade,
Jogando águas na embarcação.

E aqui se vão as saudades
Dando lugar ao terror
E às necessidades
Para não se morrer de amor.

Primeiro, tudo de ruim
Ao mar fora jogado:
As brigas, ciúmes, infelicidades;
Tudo tirado de mim.

Depois se vão
Os versos rimados:
Declamação, declaração.
E se vão também
Os sonhos da realidade:
Desilusão, destruição.
Destituição e desdém
Além da eternidade.

Para não morrer
Nas mágoas que criei,
Vou atirando às águas
Do mar a se revolver
Todo o meu pesar,
Tentando assim me salvar
Do fim que bem eu sei...

Atiro todas minhas idades,
Todo o afeto e carinho
Recebido e dado.
E sem mais agrado,
E sem identidade,
Eu fico sozinho...

... São e salvo, com frio,
Num silêncio profundo;
Navegando pelo mundo
Com o meu barco vazio.

Não importa o quão forte você seja. Haverá momentos em que a dor será maior que suas forças.

É então que você clama por Deus.

E, quando Ele toca seu coração, toda lágrima encontra consolo, toda ferida encontra cura e a esperança volta a florescer.

Nem toda dor precisa impedir a nossa felicidade.


Até mesmo uma profunda dor pode ser quebrada quando encontramos um verdadeiro amor.


Até mesmo o amor precisa das dores.
E as dores, para se curarem, necessitam de amor.


Quando olhamos para as marcas da vida, pensamos em nossa história.


E percebemos que as maiores lições que carregamos não estão nos livros escritos nem nas frases prontas.


Porque a nossa felicidade é vivenciada um dia após o outro.


E, então, percebemos que as dores também valem a pena, para que o amor possa ser, a cada dia, mais conquistado.

Ela sempre foi abrigo.
O tipo de pessoa que chega antes da dor do outro e fica depois que todo mundo vai embora. Sempre inteira para os outros… e em pedaços dentro de si.

Carregava um sorriso que não denunciava o peso que sustentava. Chorava escondido, porque aprendeu cedo que quem cuida não pode fraquejar. Até que um dia veio o diagnóstico — desses que silenciam o mundo por dentro. E, ainda assim, ela seguiu como se nada tivesse acontecido. Porque, para ela, a dor dos outros sempre falou mais alto que a própria.

Mas a vida, às vezes, não grita — ela revela.
E foi em um detalhe pequeno, um esquecimento qualquer, que tudo desmoronou. Aqueles por quem ela sempre se doou foram os mesmos que não souberam compreendê-la. E naquele instante, ela percebeu algo doloroso: quem sempre é forte, muitas vezes não tem permissão para falhar.

Naquela noite, ela chorou tudo o que nunca teve tempo de sentir.
Não só pela doença… mas por si mesma.

E então tomou uma decisão que mudou tudo: viver.
Não para os outros. Não para corresponder expectativas. Mas para, finalmente, se encontrar.

Saiu pelo mundo não como quem foge, mas como quem se busca.
E, em cada lugar, em cada silêncio, em cada amanhecer, foi aprendendo o que nunca tinha aprendido: a se acolher, a se escutar, a se escolher.

Ela entendeu que amor não é só aquilo que damos — é também aquilo que precisamos ter coragem de receber de nós mesmos.

E talvez a maior descoberta não tenha sido sobre o tempo que restava…
mas sobre a vida que, pela primeira vez, ela começou a viver de verdade. ✨

Nascidos fomos, sob um céu de cinza e bruma,
Com a exata medida para a dor sem fim.
Duas metades buscando a mesma espuma,
Um laço trágico tecido em linho carmim.
​Desde o primeiro olhar, a alma reconheceu
O espelho partido, a sua parte ausente.
Mas o destino, em escárnio, interveio,
Deixando a chama acesa, mas fria e renitente.
​És meu avesso, a chave que a dor contém,
A prova viva de um amor que não se finda,
Mas entre nós, a sombra, o que convém,
O grito mudo de uma estrada que se cinda.
​Melancolia em cada suspiro teu que ouço,
Tristeza funda em cada passo meu que dou.
Somos a tragédia do mais puro poço,
Onde a água clara nunca se encontrou.
​Ah, esta união de almas, dramática e amarga,
Que nos condena ao longe, ao eterno anseio.
Uma febre que arde e que a vida embarga,
Um abraço negado, morrendo em meio ao meio.
​E assim seguimos, dois espectros em conflito,
Ligados pela dor, não pelo doce intento.
Um poema de pranto que jamais foi dito,
O eco que restou de um amor sem sustento.

Vem, meu anjo. Eu chamo no silêncio que me veste,
Não com a voz, mas com a dor que me consome.
Sou um naufrágio à espera da maré celeste,
E em cada lágrima, sussurro o teu nome.
​O amor que arde em mim não é brasa, é ruína;
Um fogo que devora, mas não aquece.
Se és a salvação, por que a sorte é tão mesquinha
E me oferece o céu apenas quando anoitece?
​Eu te construí no altar da minha insônia,
Um relicário de promessas e prantos,
E agora, sem teu toque, sou só a autonomia
De um coração quebrado em mil recantos.
​Vem, meu anjo, venha me salvar da queda
Que me separa do calor do teu abraço.
Sou o drama vivo, a tela despedida,
Que implora pelo brilho do teu traço.
​Chega de manso e rasga esta mortalha de saudade.
Pois sem o teu olhar, sou apenas sombra fria;
A melancolia veste o manto da verdade:
Viver é te esperar em eterna agonia.

Juro que não vou mais chorar,
Embora a dor ainda seja um mar.
Guardo o que foi no peito apertado,
Um amor lindo, hoje, passado.
​Teu nome é um espinho a ferir,
No silêncio que escolhi para seguir.
Mas cada lágrima que agora seco,
É um adeus que à saudade ofereço.
​O palco da vida precisa de sol,
Não desta peça fria, sem farol.
Juro, de novo, que não vou mais ceder,
Vou aprender a ser, sem você.

O dia em que o meu mundo parou não teve trilha sonora de filme, nem trovão no céu. Foi uma dor bem esquisito, desses que fazem o ouvido zumbir. Lembro do peso do meu próprio corpo, como se a gravidade tivesse triplicado de valor e me empurrasse direto para o chão. Naquele segundo exato, eu tive a certeza matemática e absoluta de que a minha vida tinha acabado de vez. Sabe quando o peito aperta tanto que o ar não acha o caminho de volta? Foi assim. Eu olhei para o teto e pensei: "Pronto. Daqui eu não levanto mais.
A gente passa a vida inteira achando que é forte, construindo certezas em cima de areia, jurando que tem o controle de tudo. Bobagem. A verdade é que a gente só descobre o tamanho da nossa fragilidade quando o chão some. Eu me vi ali, despedaçado, catando os cacos de quem eu achava que era, sem saber como colar as partes de novo. Chorei um choro feio, pesado, daqueles que vêm do estômago e rasgam a garganta. Achei sinceramente que a dor seria o meu endereço definitivo.
Mas aí o tempo passou. Não como um milagre, mas como um mestre severo. E a grande lição de vida que me quebrou ao meio para depois me refazer foi entender isto: o fim de um mundo não é o fim da vida. Às vezes, o nosso mundo precisa acabar de vez para que a gente pare de sobreviver no automático e comece, finalmente, a existir de verdade. A dor não veio para me matar, veio para me limpar de tudo o que era ilusão. Eu precisei perder o meu chão para descobrir que eu tinha asas.
Hoje, olhando para trás com os olhos ainda marejados, eu entendo o mistério. Aquele dia terrível não foi o meu ponto final. Foi o início do capítulo mais bonito e maduro da minha história.

Perdoar é uma arte:
Uma vez que feita, permanece.
Cada vez que lembrada, a dor fica dentro dela.

FELICIDADE


A felicidade é a morfina que alivia a dor da existência forçada.


A felicidade é o fôlego antes de um mergulho mas profundezas da existência.


A felicidade é um passaro que voa nos céus da existência buscando um ninho para seu pouso.


A felicidade é o brilho luminoso de um relâmpago no alto de um monte, nos guiando para o topo da densa e escura floresta da existência.


A felicidade pode ser a morfina, o fôlego, o pássaro, o brilho ou ate mesmo uma borboleta em seu jardim existencial.


A felicidade esta ligada à tudo e ao mesmo tempo à nada . Ela esta em todo lugar a todo momento, porém somos ignorantes a percebe-la e incapazes de à compreender.


A felicidade respira conosco, porém pode morrer bem antes de nós.


A felicidade seria a anestesia... a ânsia... o sentido... a vontade?


A felicidade é Humana .

A Dor da Nova Rasteira.


Não há nada mais exaustivo do que a sensação de levar uma nova rasteira exatamente no momento em que estamos tentando nos levantar. Você respira fundo, junta o que sobrou da sua coragem, apoia as mãos no chão e, antes mesmo de ficar de pé, a vida te golpeia novamente. Parece um ciclo sem fim, um teste cruel que nos faz questionar se algum dia essa tempestade vai passar. É legítimo sentir raiva, chorar e se sentir impotente diante desses ventos contrários. O que não podemos esquecer é que, embora a rasteira mude o tempo da nossa subida, ela não anula a nossa capacidade de tentar outra vez.Post: Dói levar uma nova rasteira quando a gente mal conseguiu se apoiar no chão. Mas saiba que esse vento contrário pode atrasar a sua subida, mas nunca vai apagar a sua capacidade de tentar de novo.

Poucos humanos conheceram o fundo do oceano, mas muitas vezes o utilizam como símbolo de dor, mesmo que em suas profundas águas silenciosas e turvas representem também o início da vida, do amor, toda injustiça e do horror.


Estaria uma hierarquia existêncial em forma evoluída sublimando seu vazio e infinito através de uma carne perecível?


O tempo ajuda quem, com coragem, se afasta do que o reduz. A coisa mais mágica que existe no mundo é existir através do sentir, o resto provavelmente é uma mentira teatral, muitas vezes de mal gosto. E todo homem que não respeita a lei do homem busca o que o beneficia, não o bem comum.


O tempo que se perde sofrendo pode ser utilizado para se preparar para a sublimação extraordinária em paz.


Somos aquilo que fazemos, não o que copiamos ou morremos sonhando.


Parecer real não preenche vazio.


O que é original não pode ser copiado.


Quem é de verdade sabe quem é de mentira.


Destruir a luz não resolve a falta de paz.

Eu, fibromiálgica!


Sou Frida: “A dor é parte da vida e pode se tornar a própria vida.”
Sou Fiona: “À noite de um jeito, de dia de outro.”
Sou Fênix: "Renasço das cinzas todos os dias."

E mesmo antes de eu despertar para um novo dia
Lá está ela, a dor
Minha amarga companhia

Para refletir:


Nunca minimize a dor do outro.
Jamais romantize o sacrifício alheio.
Em hipótese alguma normalize o comportamento tóxico.


O ser humano sempre terá a oportunidade de escolher a atitude mais coerente.


01/04/26

Eu e a minha dor



Eu, intensa, ela também.

Eu, temerosa, ela, tenebrosa.

Eu, pensativa, ela, ofensiva.

Ela é invisível, mas existe, e vem potente.

Ela é traiçoeira, não avisa, apenas surge e me derruba.

Sim, é uma dor minha, uma dor que eu não escolhi.

Se você me olha e me vê aparentemente feliz, não faz ideia de quanto dói aqui por dentro.

E mesmo que você se mostre solidário, jamais entenderá o que eu sinto.

Às vezes sou Frida: “A dor é parte da vida e pode se tornar a própria vida”, outras vezes sou Fiona: “À noite de um jeito, de dia de outro”.

Mas a vida segue e eu escolho ser feliz.





Nota:

Eu faço parte de 3% da população brasileira que é afetada pela fibromialgia, uma condição em que a dor é minha companhia.

No começo eu até pensava: “Tem gente que sente muita dor, pra mim é mais tranquilo.” Acontece que hoje eu passei a fazer parte daquele grupo também e isso me assusta.

É preciso viver um dia de cada vez, mas cada dia vem cheio de dor e angústia.

02/10/25

O dia ruim que fora concebido
milhares de noites antes
do primeiro sol nascer
precedendo a dor infinita que abre as portas timidamente,
e espera por outra Alma que ouse entrar
para com ela se abrir


Carregada por sua casca errante, ela caminha rumo ao seu destino
sua marcha silenciosa marcava pela areia passos hesitantes,
inconscientemente buscando proteger todas as formas,
para que não sucumbisse ali


O objetivo daquele dia era tornar real a semente de um dos desejos mais belos que já existiu
A casca nunca foi boa artesã, mas empenhou com todo o seu ser em transmitir o desejo
que infelizmente não era puro em sua forma,
e também ameaçava ruir
pois esperava por algo que nunca foi plantado em vida,
muito menos dito


o abraço apertado que encerraria tudo foi negado e incompreendido em sua forma original,
perfeitamente egoísta
que esperava compreender em nada
porque a espada da razão é mais cega que a soma de todos os mundos que já foram concebidos


e mais uma vez, o código foi lançado no tártaro e reescrito
para que a mensagem real nunca se apresentasse novamente à superfície

“O tempo é o mestre invisível que ensina a existir, molda com dor, corrige com o silêncio e, ao final, consome o próprio ensinamento para devolvê-lo à eternidade.”

M. Arawak.

Ser humano…

é sentir a dor do outro como quem escuta a própria alma.

A empatia… é o idioma que une os mundos, a tradução silenciosa entre o que somos… e o que poderíamos ser.

Nenhuma palavra cura mais… do que a escuta.

Porque ouvir… é tocar o invisível com o coração desperto.

A verdadeira humanidade começa… quando o eu se curva diante do nós, reconhecendo… que não existe plenitude sem partilha.

A compaixão é o gesto que transforma o sofrimento em elo, o abismo em ponte, a dor… em comunhão.

Quem se comove diante do outro… já está em oração.

Porque, nesse instante, a alma recorda… que toda vida…

é uma só respiração.