Poema da Liberdade
É véspera de Ano Novo,
e não consigo sentir
o perfume da liberdade,
Versejo como quem
grita aos quatro ventos
sem ser escutada;
E mesmo assim
com esperança
e fé na possibilidade.
É impossível fingir
que não escutei
reivindicações
pela liberdade
dos presos políticos
que mais uma vez
foi procrastinada;
Dói ver gente
que por ela não
estão fazendo nada.
Há sindicalistas,
nove comuneros,
gente campesina,
militares e gente
de todo o jeito,
e vozes resistindo
o quê os corações
não se calam
neste continente
que foi invadido
por radicalismo;
E me espanta que
há quem se assuste
porque conto tontos
e outros fatos
pedindo pela libertação
de todos e do General.
A ausência
de liberdade
de expressão
causou um
desastre aéreo
sem reparação:
Um General
foi pelos ares
porque tinha
medo de falar,
A vida perdida
não tem mais
_restituição.
Duas dezenas
e a carta de tarô
vinte e dois
_Cifra de liberação;
Cadê a libertação?
O General que
foi preso há
mais de um
ano e meio
em meio
uma reunião
pacífica dele
até agora
não há notícia.
E não se sabe
nem se ele
está incluído
nesta cifra.
Só se sabe
que ele está
convalescido.
O General tem
sido vítima
de um grande
mal entendido
e de injustiça.
Faltam outros
tantos mais
como ele para
ser libertado,
Essa história
ainda não terminou,
e nem este poemário.
Medidas substitutivas
de liberdade para
a convivência política,
Nada tem a ver com
harmonia e tampouco
com justiça,
Pouco a pouco elas
têm sido concedidas.
Rodada parcial muito
distante do que é real,
Rodada ficcional
e conta-a-gota que
não tem alcançado
muita gente e o General
que se encontra
com o físico fragilizado.
Recordando a prisão
sofrida do General
no fatídico treze
de março há mais
de um ano e meio
em meio a uma
reunião pacífica,
Da audiência preliminar
ninguém tem notícia,
ela sequer ocorreu.
A loucura saudosista
da época ditadura
anda a solta
neste continente,
Tem gente que pensa
que é gente fazendo
piada para invocar
a volta da censura,
Como não sabem
se comunicar
querem um AI-5 digital
de brincadeirinha,
No meio de tantos
jogos de ironia
há algo que se esforçam
para nos ocultar
de forma sobrenatural,
Pouco a pouco querem
nos acostumar aquilo
que não pode ser
chamado de natural.
Espero que
não seja
pedir demais:
quero ouvir
a canção
do vento
da liberdade,
Balançando
o samán
e o guayacán,
Para voltar
a descansar
com o meu
coração em paz.
Unida ao povo
na Marcha
do Silêncio,
Na fronteira
entre duas
décadas
por Montevideo
em memória
aos desaparecidos,
Já passaram
um pouco
mais de três,
E não se sabe
nem isso ao certo.
Nada mais sei
do triste destino
do General,
Sobre estes
versos nômades
que ele não
me pediu,
e sequer leu:
Sou responsável
por cada um
que venho neste
tempo escrito;
E vou contando
outras histórias
nas entrelinhas
para distrair
enquanto não
há nada esclarecido.
Venerando a liberdade
em todas as instâncias,
Na voz da esposa
do Tenente Coronel
que está desaparecido,
E presente na voz da esposa
que não pode sequer
se pronunciar e ela
nem sabe que eu existo,
mas por ela sinto:
Na voz do pequeno filho
que ainda nem tem
vocabulário para falar,
E assim sou a voz
dos que não
podem ter voz,
mas justamente
todos estes me têm;
Eis me aqui a reivindicar
junto a sua consciência
para que coloque toda
essa história no lugar,
Inclusive, sou contra o feroz
bloqueio que não deveria
nem ter começado,...
Cadê a liberdade do General
que nem deveria
seguir aprisionado?
Enfim, superam cinco
centenas de discordantes
pelos cárceres,
os militares em mesma
situação há confronto
de cinco dados,
mas superam
a duas centenas;
Não dá para esperar
para trabalhar
por um país reconciliado.
Como não havia
encontrado
a palavra certa
para explicar
muito além
da liberdade,
Fui versando
sobre as nuvens
eletrizantes
da tempestade.
Chegou a hora
de contar o porquê
de tanta poesia:
a vida é capaz
com o pincel
da ironia pintar
as paralelas,
essa é a realidade
da História do Brasil
e da Venezuela,
não há como ser
indiferente e se calar.
Como uma praga
que devasta
uma lavoura,
O assunto é
mais grave
do que se imagina,
não sei o quê
será do destino
do continente,
ninguém tem
compaixão
do destino
da nossa gente,
que a verdade
seja dita:
não nos ensinaram
a nos amar,
e a nos fazermos admirar,
pedir pela libertação
da tropa já virou rotina.
Toma toda a liberdade,
Dê asas a tua [vontade!
Toma toda a coragem,
Dê asas ao teu desejo!
Mata toda a tua [fome,
Brinde o quê te consome.
Existe um oceano imenso,
Que nos [separa...,
Existe um mistério intenso,
No fundo sabemos de tudo
O destino nos espera:
- O coração se [prepara!...
Toma toda a liberdade,
Respira profundamente,
Tens a minha poesia,
A malícia e a maturidade,
Leva de mim o beijo
De alguém que te quer
Inteiro e de [verdade].
A liberdade tem os seus próprios [sinais,
Ela é ousada, e sempre quer muito mais.
A liberdade precisa das nossas [marcas,
Ela é audaciosa, é rainha de muitas espadas.
A liberdade tem tudo dos doces haicais,
Ela é o quê é em mil toques [sensuais.
A liberdade precisa de todos os [jeitos,
Ela precisa de todos, e que venham inteiros.
A liberdade tem a sua poesia própria,
Ela é escrita por poetas que fazem [história.
Olhe para alguma parte
Do meu corpo
Sinais que mostram
Um convite
Para ser aventurado
E que fique entre nós
Bem acordado:
Ele não é para ser
- revelado
É o nosso canteiro
- embriagado
Repleto de pimenteiras
Por nossas mãos arteiras.
Ainda persistem as flores de mim,
A crença na liberdade,
A rebeldia diante da subserviência,
Algo de revolução e desobediência,
Que me conduzem para a coerência.
Nem tudo está perdido,
Ainda bem, surge um novo preâmbulo,
Um olhar sobre o Brasil,
Através de um novo ângulo.
Querem que venha a noite escura,
A Ditadura,
Mas dentro de mim persiste,
- vive -
Um imenso jardim.
Ainda sobrevivem as flores de mim,
A crença num Parlamento,
Nem todo corrompido,
A desobediência coerente,
Reagindo a mordaça imposta,
Derrubando cada canalha,
E varrendo aos poucos as tralhas,
- do nosso país -
Permitam-me sonhar, que o Brasil
Ainda será uma terra de gente feliz.
Anna Flávia, Rosana,Liliana,
Katharina, Daisy, Rejane, Janice,
Nejmi, Iracema, Manu,
Vanessa, Kátia, Sônia,
Benedita, Mara, Elba,
Vânia, Luciana, Marinara,
Priscila, Celly, Regina,
Adriana, Samira, Vivi...
Eis algumas das flores do meu jardim!
Não estamos sozinhos,
Temos a liberdade,
Guardada no coração,
Dentro da mente,
Revoando nas ideias,
Formando caleidoscópios,
Com tantos nomes,
Belas etnias,
Todas as crenças,
Com fé na vida,
Construindo caminhos,
Estrelas na orbe.
Todas brilhantes,
Comoventes,
Tão espetaculares,
Exatamente iguais,
Perfeitas para que nos ama,
Imperfeitas para quem não nos conhece.
Não somos solitários,
Temos a igualdade,
Estampada no sorriso,
Na gentileza,
Segura nos afetos,
Gentis e concretos,
Existimos,
Não desistimos,
Persistimos,
Insistimos,
Porque temos a arte,
De fazer,
De crer,
De amar,
Para que tudo possa,
E que um dia aconteça,
O nosso Sol aqueça esse planeta.
Racismo?
Desigualdade!
Racismo contra a própria raça,
Mal da Humanidade,
Que atenta contra si mesma,
Que se destrói,
Que se perde,
Que se desencanta,
Que se renega,
Que se exila,
Que se diferencia,
Que se aliena,
- Atentando
Contra a própria identidade,
Espezinhando a liberdade,
Se dissociando,
Matando,
Morrendo todos os dias,
- em quantidade e qualidade
Do que se vive, e como se vive,
Aprendi a resistir,
Com Martin Luther King.
A tua doce liberdade,
Nunca se [ausenta
De mim,
A tua forte [presença
Em mim,
Provoca algo,
Sem fim.
Quando você vem
Para mim.
As asas do teu [ser
São só de amor,
Lindo é o teu [ser
Todo em esplendor;
Tens toda a [luz,
Que seduz sem pena,
Aquece porque é plena.
A tua lida guerreira
Dominando mares,
Desbravando terras,
Faz de mim inteira;
Vivo só de saudades,
E você com os marines,
Suspirando com mil vontades,
Que tu voltes só por mim
Celebrando mil felicidades!
A liberdade tem asas,
- ela pode voar
Ela tem asas de ouro,
À prova de desdouro.
Liberdade é um canto,
Que não há como calar,
Ela pertence ao ser humano,
Isso ninguém pode negar.
A liberdade ignora amarras,
- ela é constelação solar
Ela segue para todos os cantos
É livre para vivenciar – flutuar.
A liberdade é um mistério,
À prova de bala,
E de bomba a-tô-mica;
É beleza de gente indignada,
Que subverte a moral catatônica.
Existem pessoas que lutam
Pela liberdade,
E que depois passam a se identificar
com os seus algozes;
Assim, desse jeito, segue o triste
curso da História da [Humanidade.
Habana: um, dois, três.
Todos querem a liberdade de uma vez.
Cuba é um nome que foi dado,
mas que não tem significado correto.
Terra de um povo que sonha ser um dia
libertado e ter um destino certo.
Habana: quatro, nove e três,
Se eu viajar para Cuba, eu fico por lá
de uma vez.
Cuba pode ter o significado de lugar
amplo ou de terra fecunda.
A alegria desse povo sobrevive na salsa
- (abunda),
A herança dos taínos está ali - ela nos inunda.
Habana: quatro, cinco, seis.
O grito de Yara ainda é escutado por todos
- existem mais de três querendo mudar
Cuba de uma só vez.
Os ventos alísios acariciam os corações,
Cuba é bela até durante a chuva e em todas as estações.
Habana: sete, oito, nove, dez.
Ainda em Cuba tem gente que acha
que tudo pode - arruinando o destino do povo nobre.
Cuba ainda há de reagir e tomar o seu
triunfal lugar de rainha do Caribe.
Sob a proteção da Virgem do Cobre,
e o mistério protetor da Santeria:
Cuba é um lindo país que com certeza,
eu para sempre viveria.
Toda a ditadura sempre
começa reprimindo
a liberdade de expressão,
povoando a sua mente
com duros espinhos,
cortando os laços afetivos
sociais e com a tua Nação.
A poesia rompe silêncios,
é caos, aquietamento
e vive andando pelada
rebolando na tua mente
sem nenhuma negociação.
Todo o poeta não deixa
de ser um iluminado pela Lua
quando ocorrem na vida
os mais obscuros tormentos,
é sempre aquele que quer
todo mundo andando
o tempo todo amado pela rua.
Se este poema te incomodou
é um sinal que tem alguma
coisa de muito errada
que por muito pouco
te fez perder a cabeça.
Quando você se sentir
sem paz ou sozinho,
a oração e a poesia,
são as únicas amigas
que silenciosas
nunca te abandonarão,
e em teu socorro elas virão.
Todas as vezes
que arrancam
da liberdade
ou da cela
um soldado
para torturar:
é a mim que
vem atirando
dentro de
um caminhão
blindado para
os meus gritos
o mundo externo
não me escutar.
É tempo de
deputado que
disseram que
preso não está,
não tenho ideia
onde ele foi parar,
Não há como
nem acreditar;
A catedral
foi cercada,
É melhor buscar
não saber
mais de nada,
Certas histórias
como o Yuruaní
deixo fluírem
na Gran Sabana
da existência
sossegada,
E isso não
me faz acovardada.
Só não consigo
parar de perguntar
pela tropa e o General
que para eles não
tem havido trégua,
e por eles tenho
rogado pela
fortaleza da paciência.
Essa percepção de liberdade
que por agora te encoraja, conforta,
é 'cláusula pétrea' do ideário cristão!
Portanto, nunca permitas
que a roubem de
você!
A falta de liberdade
nem sempre é resultado
de fatores externos, opressores;
mas efeito da nossa falta
de limites;dessa incapacidade
em controlar nossos próprios instintos!
Liberdade
é o direito de usufruir de tudo aquilo
que respaldado numa honesta percepção
de nossos próprios limites,
nos permite
viver!
A prova determinante
quanto a obtenção e supremacia
de nossa estimada liberdade
encontra-se bem menos naquilo
que livres podemos fazer...
E bem mais naquilo que
somos livres para
não fazer!
Tua
liberdade,
o livre pensar
são 'cláusulas pétreas'
do ideário cristão!
Logo, nunca permitas
que os tomem
de você!
