Peregrino
Retornar significa nada menos que a morte. À frente está o medo da morte, e além dele, a vida eterna.
O cristão jamais pode deixar de ter gravado em sua mente e coração a certeza de que não é deste mundo, de que é peregrino em terra estranha e hostil. Estamos distantes do nosso lar, por isso, não há como nos sentirmos totalmente em casa enquanto ainda estivermos aqui.
Enquanto o turista caminha ligeiro e distraído, muitas vezes concentrado em fazer fotos no celular, ou mesmo em conferir suas mensagens, preso a tudo que bem conhece e alheio ao desconhecido bem diante de seu nariz, o peregrino desfruta a caminhada como um eterno aprendiz. Presta a maior atenção no que é novo e em tudo que se renova, enquanto deixa as marcas de suas pegadas impressas no chão. Lembra, o tempo todo, que a jornada sempre vale a pena, quando vivida com muito interesse e entusiasmo.
Nos quarenta anos em que peregrinou pelo deserto, o povo de Israel, segundo conta a estória, foi alimentado por um alimento que caía dos céus durante a noite. As pessoas tinham permissão para colher desse alimento, o maná, na medida de suas necessidades. Só para o dia. Alguns, com medo de que o maná não caísse no dia seguinte, colheram em dobro, por via das dúvidas... Mas, quando foram comer o maná poupado, viram que ele estava apodrecido, cheio de bichos. Talvez isso queira dizer que a vida há de ser colhida diariamente. Quem deseja economizar o hoje para o amanhã fica com a vida apodrecida nas mãos.
Hoje acordei.
Lembrei-me de um ontem que já se foi.
Fiz o que deveria fazer.
Eu vivi o meu hoje.
A noite já chegou e penso no meu amanhã.
Por isso a minha noite que ainda é meu hoje; vai ser de musica, sonhos, desejos e por não dizer com um copo na mão ao lado de que me quer bem.
O meu hoje foi feito de lagrimas, adeus, sonhos acabados, desejos, encontros e despedidas.
Desejo que o meu amanhã seja feito de encontros e que se possível que eu esteja lá vivendo um novo e belo dia onde o meu ontem vire apenas mais uma pagina escrita e vivida por mim.
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Peregrino TADEU.
Somos caminheiros, forasteiros, peregrinos. Passamos pela terra. É nos oferecido um jardim de belezas. Temos o alimento à mesa, a veste para o corpo e o ânimo para o interior. Não precisamos de muita coisa. O que é certo é que caminhamos juntos sem “primazias” Não temos o direito de lançar um olhar de superioridade sobre quem quer que seja. Só nos é permitido olhar de cima para baixo para erguer do chão os que se acham caídos, os que perderam o ânimo devido às tempestades e intempéries da viagem, esses irmãos tão parecidos conosco feitos de luzes e sombras e de tantos desalentos.
Em meio a noite,
sonhos estimulam minha imaginação.
Quero alcançar,
sei que é um lugar bonito.
Lua luminosa
ao chão verde
com três brilhos vivos.
Sinto a energia melhorar;
a ansiedade estrondando o corpo,
é um mundo estranho e louco!
Quase.. Quase..
Ver que posso conseguir excita.
Corra peregrino aventureiro!
Mas nunca chego,
agora fantasio em devaneio.
Uma colher fresca de calor,
saborear a razão,
fazer amor...
A aptidão do prazer,
sabedoria.
Onde a magia esplandece,
flora a imaginação de um peregrino.
As fadas que mostram tocas,
os duendes que ficam abismados.
Curiosas paginas de gigantes nesse mundo extremo.
Uma gota refletiu minha imagem.
Sou um mago,
vejo a natureza,
oro e sou ela,
uma natureza que morre devagar.
Com olhar altivo e coração sincero
Na ansia da quietude e o peito desejoso daquilo que almeja,
Assim era um homem com coração de menino,
Com olhar ambicioso em uma alma simples e generosa,
Na busca do seu propósito transforma os que te seguem,
Sem medo de acreditar no outro, constroe cidades com seus sonhos e se lapida com pedacinhos daqueles em que confia,
Audacioso e sem medo de errar, primeiro prefere arriscar,
E assim peregrino e desbravante segue caminhante pelo seu alvo,
Confiando no que te move e vivendo um dia de cada vez, com toda intensidade da sua alma, como se o amanhã se encarregasse de si, pois vale a pena acreditar no que o hoje te reserva"
PEREGRINOS
"Peregrinamos quebradiços por fornalhas eletrocutadas,
Desvencilhamos o momento da névoa alargada
Tocando o mastro que a perturbou,
Reprimimos o solstício da primícia-irmã do ouro
No retro porto aleijado por nossas empalações,
Contorcemos uivos por tábuas de aliteração,
Invadimos nossos próprios atolamentos
Desaviando embates órfãos de propagação."
CAROLINE PINHEIRO DE MORAES GUTERRES
Sem destino...
vago sem direção
quase nem bate meu coração.
Sem você...
nada atino...
sigo em busca de um destino...
peregrino.
Queria nas asas do vento viajar
pra bem longe me deixar levar...
Coração leve...
vento me leve...
pro outro lado do mar.
Era você que rondava em meus sonhos,
tentando capturar um coração vazio
e ali ficar ouvindo seu ritmo descompassado
na melodia do viver por viver?
Era você, qual sombra silenciosa,
que seguia meus passos solitários nas veredas,
onde desviando de buracos mantive o rumo?
Era você a inspiração que surgia de repente,
levando-me a canção de todo dia,
onde além da existência, timbrei a alma,
fazendo acordes e coros inimagináveis?
Era você, sem dúvida, que com palavras doces,
sussurrava aos meus ouvidos com o vento,
trazendo mensagens sutis a desvendar
Você que do nada apareceu,
tornou - se cada vez mais presente,
cativando e se fazendo amar,
nesse tempo espaço,
onde um coração, o meu,
já se tornara peregrino
num deserto de si mesmo,
consolado, sem nada pedir
Mas, se sempre foi você,
um sonho perdido entre sombras,
revelando-se aos poucos
e apenas isso eu sei,
é por você que agora,
todos os dias renasço !
Neusa Marilda Mucci
Outono de um tempo qualquer
"Quem deseja viajar e conhecer o tempo.
Antes, porém, é preciso se assentar sobre a sombra do silêncio".
O viajante, pela manhã, diante do cultivar & guardar, reforçou um aforismo:
"A sabedoria, muitas vezes, não é o ganhar na vida e sim, saber vivê-la".
Em uma tarde eu vi
uma árvore a chorar!
conversando com as sombras,
dizia-lhe: uma frase de adeus!
Que brisa é essa?
perguntou o viajante,
com visões de por de sol,
e janelas com luar
Nao chore, sra. árvore!
veja a beleza do por do sol
-- Guarde suas palavras de sentimentalismo
o que resta é a dor
deixei-me, escurecer pelo amor
e como flor mucha e seca
hoje faço um silencio de adeus,
Adeus!
A luz que faz o nascer, numa voz de canto
Numa voz de espanto, ao desconhecido
Um caixão nos espera, ou uma coroa, acorda!
Meus versos estão dormindo, acorda!
(...)
Esse sono inibe a beleza que está lá fora,
Agora, a luz desta manhã é oferta de gratidão
Em vestidos novos, se despiu para o mundo
Azul-celeste, brilhaste a este céu
(...)
Caminhante! Eis o caminho e a viagem!
Abra os olhos, veja as alas dos ventos
Fujam das cobiças dos homens
Torna o teu nome, uma casa de paz
(...)
Para aonde levará esse teu caminho?
O que dirá a teu favor a sua linguagem?
A casa vernacular é uma cova fecunda
Cada homem, espalha-se em sua eira
(...)
Sozinho em lama, resta-lhe o silêncio;
Em terras profundas deságua,
Acorda! É tardia as histórias
Sobre ti, há um rio de memórias
(...)
Ei o tempo perdido, recupere-o de logo
Nutre a aurora que espalhastes
Apreende o caminho ao caminhar
Não volte! Nunca mais a está aqui
Ande! Avance! Acorde.
§
in: TORVIC, Allam. O viajante iluminado. São Paulo: 2023
