Pena eu Nao fazer parte do seu Mundo
“Eu nunca ganhei um pincel, nem por isso deixei de ser um artista, eu nunca ganhei uma caneta, nem por isso deixei de ser um escritor.”
Outra vez é noite alta
é madrugada
Eu acordo do nada
ou de um sonho ruim
Eu procuro
com os olhos no escuro
O meu velho fantasma
que em criança me fazia medo
Num tempo em que sonho
era sempre algo bom
e que eu tinha tanta vontade
de sair pra rua e viver a tudo que eu vivi
Eu queria tanto acordar
quando já fosse dia
Perguntar pra minha velha assombração
aquele medo bobo, que me protegia
De criança que chora por alguma falta
Não sentia essa falta de ar, que eu sinto agora
Qual era a tua sensação
Por que foi que sumiu
Que segredo guardava sobre mim
e de onde vinha o cheiro de hortelã
Combinado à brancura das vestes
Só restaram perguntas
A fazer pra quem me guardava
e nunca mais voltou
Num tempo em que eu me deitava
E, sem medo nenhum dessa vida
Eu dormia até a próxima manhã.
Edson Ricardo Paiva.
De vez em quando eu ainda ouço
No silêncio da madrugada
Um misto de passos na calçada
e um som de sinos distantes
Que soavam nas torres das Igrejas
que existiram na minha infância
Chego a sentir o perfume
daquelas madrugadas
Iluminadas pelos vagalumes
Isso sempre me traz
um sentimento confuso:
Tristeza e alegria entrelaçadas
Eu corro abrir minha janela
Não vejo e não ouço mais nada
Somente as Estrelas no firmamento
dão atestado
de que eu um dia
Realmente tenha estado lá
Naquele tempo e lugar
Que o próprio tempo arrastou
Pra um lugar
Chamado nunca mais
Fecho a janela ciente
de que a minha vida
assim como as madrugadas
Nunca mais serão aquelas
Novamente.
Eu sinto a tua presença
Aqui, bem pertinho de mim
E penso também assim
de um jeito que você mesma
Poderia deixar-se ficar
Abismada
Sem explicação, nem nada
Por pensar que nem você pensa
Quando sozinha
Escuridão à meia-luz
Um denso silêncio
Entristece as madrugadas
Mesmo assim
Eu sei que ri
Sabendo-se também aqui
Pois esta minha imensa vontade
Me traz a sua presença
e põe aqui, pertinho de mim
E não me sinto mais, tão sozinho
E é muito doce
Essa presença
que meu pensamento trouxe
Enquanto isso...compromisso
Em olhar os ponteiros lentos
Contar momentos
e devorar cada hora que separa
A mim mesmo dessa alegria
Há tanto tempo adiada
de simplesmente olhar
e saber o quanto é bom
e respirar o mesmo ar
na escuridão da madrugada
Te olhando e olhando
e mais nada
Edson Ricardo Paiva
Eu peço a Deus
que me livre de estar perto
no dia em que toda existência
Tiver sido um livro que já foi lido
Eu quero viver no Saara
Cujas estrelas no céu
Não param nem para brilhar
Eu também quero um olhar amigo
Que me leve no abrigo de uma oração
E que eu traga comigo, em meu coração
Qual sarça não consumida
Um jogo de paciência
Maior que o poder do fogo
A força que não supera
A divina ciência, aquela que ensina
Ser a simples passagem do tempo
A semente que cresce
Pra envelhecer em floresta
E agora aquele imenso mar, evapora
Mas eu vou estar bem distante
Quisera trazer comigo nesse dia
Uma boa lembrança qualquer
Poder renascer criança
Num lugar onde Deus quiser.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje eu abri a janela
E enxerguei longe, lá no Céu
Algo que parecia
Um casal de andorinhas
Voando alegremente
Não sei se estavam mesmo lá
Ou se era ilusão da minha mente
Com o tempo a gente percebe
Que não é certo
E nem inteligente
Sempre crer
Naquilo que se vê de longe
Nem naquilo que se vê de perto
Mas as andorinhas
Pra sempre estarão voando
Acreditando nelas
Ou não
O difícil não é sabê-las
Pois é pra isso que existem janelas
Triste
É viver sem nenhuma ilusão.
Edson Ricardo Paiva.
Me lembro de uma colina
Que eu via na minha infância
Nunca fui lá
Só via de longe
Aquela paisagem tão mansa
Poderia desejar
muita coisa nesta vida
Mas se eu pudesse fazer um pedido
Queria hoje romper a distância
Que o tempo cruel demarcou
E estar lá agora com minha amada
Sentar-me com ela
E olhar o mundo ao longe
Fazer fogueirinha
declamar para ela poesia
Erguê-la lá no Céu
Somente com palavras
Convencê-la de que a amo
Olhá-la sorrindo
Perceber o quanto é lindo
o seu sorriso contrastando
o Sol que finda mais um dia
À noite olhar estrelas
As que estão no firmamento
E mais aquelas que subiriam
Em movimentos lentos
Ao despregar-se da fogueira
Deitar-me ao lado dela
Fazer planos...
Passaram-se tantos anos
O Sol se pôs muitas vezes
Fizemos coisas complicadas
estando juntos
Mas esta coisa delicada e pura
Não
Passa-se a vida
E a gente deixa escapar
a oportunidade de realizar
os sonhos mais singelos
Que foi deixando pra depois
e quando a gente vê
Passou-se quase tudo
E a gente pensa na colina
distante no tempo e no espaço
O amor, este permanece
A colina
Acho que não existe mais
Esquece!
Estive pensando
Depois de muito pensar
e nada concluir
Eu acho que no fim
É sempre assim
Tem dias que são bons
e também há dias ruins
Há casas nas quais entramos
E há outras
As quais olhamos de longe
Quando muito...seus jardins
Corações nos quais estamos
Canções das quais nos esquecemos
Pessoas que amamos
Outras nos deixam por menos
Muito menos
Tem gente que traz e divide
No coração
Muita esperança
E há outras
Que nada coincide
Você está em suas vidas
Como roupa num cabide
É diferente
Apostar piamente em suas crenças
E somente ter Esperança
Somando-se as diferenças
Equacionamos finalmente
nossas vidas
Momentos que foram guardados
Palavras
Pra sempre esquecidas
No final
Parece até
Que é tudo igual
Não é
O Limão é azedo e eu gosto
O abacaxi é azedo e eu gosto
O Morango é azedo e eu gosto
De gente azeda, tenho medo.
Autor e teólogo Jalison Santos
ESCREVEU AS 12 POEMAS PARA SUA ESPOSA.
1.De noite eu busquei em minha cama
A quem a minha alma ama;
Busquei‑a, e não a achei.
2.Mas uma noite comecei sem a minha amada,
Esperei muito, mas a noite passou sem ela.
3.Comecei mais uma noite e esperei,
Quando a minha amada chegou, eu a busquei
E ainda não a achei — A quem a minha alma ama.
4.Onde está a minha amada,
A quem a minha alma ama?
5.Pensei até que a minha amada já estivesse comigo,
Procurei no meu leito e não a encontrei.
6.Depois esperei que ela viesse até mim,
Mas não apareceu; a noite ia passando,
E no meu coração eu esperava o milagre dela chegar,
Mas ela ainda não apareceu.
7.Onde você está, minha flor?
Onde está a flor do jardim do meu coração,
A minha doçura?
8.Eu sinto que em breve eu encontrarei a minha amada;
então abraço os pés e o meu coração se abre para ela,
e eu digo: “Você é a quem a minha alma ama”.
9.O que é tão doce quanto estar ao seu lado?
10.E assim, finalmente, encontro a minha amada,
fico com ela e não a deixo mais partir.
11.Eu sinto: quando a minha amada chega,
o meu coração bate mais forte,
pois sei que ela está ao meu lado.
12.Às vezes parece que você passa
lá no fundo do meu olhar…
Você é o chá da tarde vitoriano, e eu sou o negroni que você se arrepende de beber no verão italiano.
Se eu fosse livre, livre seria para amar-te. Ah, o quão livre eu seria...
Eu voaria na imensidão dos teus olhos, me jogaria nas ondas do teu cabelo.
Me afogaria no teu suor e no teu cheiro, me alimentaria somente das palavras da tua boca.
Eu correria pelas curvas do teu corpo sob a chuva, me contentaria com apenas o toque das tuas mãos.
Me envolveria nas nuvens do teu abraço, me permitiria cair no teu enlace.
Eu viajaria para qualquer estrangeiro, desde que lá estivessem você e o teu cheiro.
Me afogaria no mar do teu peito e saciaria a minha sede com a água doce que escorre da tua língua.
Ah, minha amada, se eu fosse livre, livre seria para fazer-te feliz aos montes.
Entretanto, cortaram-me as asas. As ondas são demasiadamente selvagens.
O ato de se afogar não basta para uma pequena morte e, há tempos, já não me alimenta.
Tiraram- me as pernas, o céu não chora mais, e o teu toque tem sido distante; já até te afastaste de mim.
O céu permanece limpo por tempo demais, e isso me aflige. Nossa união já não passa de sonhos meus.
Viajo aos montes, mas em lugar algum encontro o teu amor. Sinto o teu cheiro onde quer que eu vá, mas você não está lá.
Teu mar é calmo e extasiante; no entanto, não possuo barcos para seguir adiante.
A todo momento sinto sede, mas não encontro o oásis da tua boca. Por isso lhe digo, minha amada, minha doce e impaciente amada:
Que, mesmo acorrentada de corpo e alma, mesmo não tendo liberdade para nada,
eu amo-te com tal liberdade que os pássaros me invejam aos montes.
Pois sou livre para amar cada pedacinho teu; e é com essa exuberante liberdade que lhe entrego meu coração, para que seja somente seu.
Ninguém lembrou do cruzeiro depois que veio o cruzado.
Eu sinto a dor de todos eles, porque eu também fui trocado.
equiparo as cicatrizes como marcas
marcas que fisicamente se eu olhar, consigo sentir exatamente a dor do que lhe causou
olho para o meu joelho e ela está lá aparente
as vezes, e na maioria das vezes, esqueço que ela está lá, mas quando a olho consigo sentir naquele instante tanto o motivo, quanto a dor.
existem cicatrizes que não conseguimos olhar, como essa do meu joelho, mas analisando a situação, consigo sentir intrinsecamente exatamente onde dói, geralmente a lembrança da dor tem olhos lindos, aqueles que um dia já jurei admirar para o resto da minha insignificante vida.
acho que cicatriz é sobre isso, é sobre saber que existe e que deixou marcado, foi vivido, foi real e a marca muito das vezes deixa uma feridinha, que se você cutucar porque as vezes por instinto temos essa intenção, ela pode sangrar novamente, ou, se você esquecer por bastante tempo ela pode sarar de vez e só virar uma marca.
refletindo sobre cicatriz, percebo que meus domingos que eram melancólicos agora estão se tornando apenas “domingos de descanso”, um corpo para se entrelaçar, sentir o cheiro, dar um beijo na testa de eu to aqui cuidando de você, e acordar de madrugada somente para admirar o rosto da pessoa em calmaria dormindo, virou o “pô, tenho bastante espaço pra dormir e liberdade aqui”.
o que era sufocante causado por uma falha na história, e que causava carência pela falta, está virando a parte normal da vida. e sabe o que é mais louco? não deixo de sofrer nenhum momento, tanto quanto sofria pela falta, como agora acostumando com ela.
talvez as cicatrizes não deixam eu esquecer que tenho alma, mesmo a deixando em segundo plano, talvez tudo o que a gente tenha se transformado ecoe na minha cabeça as vezes, mas tudo bem porque você está bem, não é?
eu não preciso estar bem, somente devo pagar com juros o que eu lhe devo, e estou pagando com correção monetária e impostos.
te deixar ir daqui de dentro também é desesperador e olha só que irônico, o que eu mais pedia pra acontecer está acontecendo e eu não gosto dessa ideia, achei que nosso adeus não seria tão prévio.
💬 Reflexões — Jalison Santos teólogo
“Eu ainda estou costurando as minhas cicatrizes.”
“Cada linha é um aprendizado para a vida.”
“A nossa vida é como uma terra seca: quando a tempestade vem, ela nos fortalece.”
“Cuidado para você não se afogar com as próprias lágrimas.”
“Cuidado com as águas que você joga fora da sua vida; não despreze a tempestade, às vezes foi ela quem te limpou.”
"Hoje procurei as palavras mais doces pra te dizer
e meu coração simplesmente sussurrou...Eu Te Amo."
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