Hellena Wachowski
Se eu fosse livre, livre seria para amar-te. Ah, o quão livre eu seria...
Eu voaria na imensidão dos teus olhos, me jogaria nas ondas do teu cabelo.
Me afogaria no teu suor e no teu cheiro, me alimentaria somente das palavras da tua boca.
Eu correria pelas curvas do teu corpo sob a chuva, me contentaria com apenas o toque das tuas mãos.
Me envolveria nas nuvens do teu abraço, me permitiria cair no teu enlace.
Eu viajaria para qualquer estrangeiro, desde que lá estivessem você e o teu cheiro.
Me afogaria no mar do teu peito e saciaria a minha sede com a água doce que escorre da tua língua.
Ah, minha amada, se eu fosse livre, livre seria para fazer-te feliz aos montes.
Entretanto, cortaram-me as asas. As ondas são demasiadamente selvagens.
O ato de se afogar não basta para uma pequena morte e, há tempos, já não me alimenta.
Tiraram- me as pernas, o céu não chora mais, e o teu toque tem sido distante; já até te afastaste de mim.
O céu permanece limpo por tempo demais, e isso me aflige. Nossa união já não passa de sonhos meus.
Viajo aos montes, mas em lugar algum encontro o teu amor. Sinto o teu cheiro onde quer que eu vá, mas você não está lá.
Teu mar é calmo e extasiante; no entanto, não possuo barcos para seguir adiante.
A todo momento sinto sede, mas não encontro o oásis da tua boca. Por isso lhe digo, minha amada, minha doce e impaciente amada:
Que, mesmo acorrentada de corpo e alma, mesmo não tendo liberdade para nada,
eu amo-te com tal liberdade que os pássaros me invejam aos montes.
Pois sou livre para amar cada pedacinho teu; e é com essa exuberante liberdade que lhe entrego meu coração, para que seja somente seu.
