Pedra nos Rins

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Tacamos uma pedra
não pra acertar alguém
mas pra ver até onde o silêncio aguenta.

"O rio não força a pedra a ceder, ele apenas a contorna até que a forma mude."

Stephanie


Ela é de Capricórnio.
Não nasce.. se constrói.
Pedra sobre pedra, silêncio sobre silêncio.
Independente
porque aprendeu cedo
que promessas quebram
e quem segura o mundo
é quem não o larga das próprias mãos.
Fiel de poucos amigos —
não por frieza,
mas por profundidade.
Raiz não se espalha na superfície,
raiz escolhe onde fincar.
Ela parece inverno,
mas quem atravessa o frio
descobre abrigo.
Ama sem espetáculo.
Cuida sem anúncio.
Fica.. quando decide ficar.
E quando escolhe alguém,
não é impulso.
É destino assinado em rocha.

O Sol, a Pedra e a Rosa

Eu olho uma flor
E vejo suas pétalas
Enxergo no broto
O talo da vida
O chão que eu piso
Pisou tantos outros
A flor que eu vejo
É rosa vermelha

​O orvalho que de mansinho
Amacia a rosa
A rosa que pendurada
No caule é rosa vermelha
O sol que aquece a pedra
Incandeia a rosa
A mão que afaga a rosa
É bruta...

A bruta que é pedra
Sosleia a rosa
​O vento sopra e carrega
O pó que cobre os pés
No caminho
O caminho que
Lápida a pedra
A pedra bruta deságua
No fundo do mesmo espinho
​E a rosa resiste ao tempo
Vermelha de sangue e calma
Enquanto a mão que a machuca
Também lhe entrega a alma

​Ysrael Soler

#israelsoler
#ysraelsoler

⁠Um longo sacrifício pode em pedra o coração tornar!

William Butler Yeats
The Collected Poems of W. B. Yeats.

Nota: Trecho do poema Easter, 1916 (Páscoa, 1916).

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A montanha acordou antes mesmo de lembrarem que ela tinha nome, não era pedra, era silêncio acumulado em camadas. No meio dela existia uma floresta lilás que parecia bug visual do universo, como se o céu tivesse dado erro e deixado sua cor espalhada ali. Borboletas cor de neon cruzavam o ar como notificações urgentes, brilhando demais para serem ignoradas, enquanto o químico Otto misturava fórmulas invisíveis em frascos vazios, dizendo que toda reação começa onde aparentemente não tem nada. Aviões cortavam o horizonte como se estivessem assinando o próprio destino no céu, sem explicar partida nem chegada. E lá no improvável, havia uma cachoeira no meio de desertos cheio de flores, água escorrendo contra a lógica e pétalas nascendo da areia seca como se o impossível fosse só questão de perspectiva. Nada parecia fazer sentido, mas tudo funcionava perfeitamente dentro de uma matemática secreta: a montanha sustentava o vazio, a floresta lilás provava que cor também é argumento, as borboletas neon iluminavam o que ninguém queria ver, Otto entendia que caos é só ciência em processo, os aviões voavam para dentro do silêncio e o deserto florescia porque sempre soube que era jardim antes de ser ausência. Era estranho, era confuso, mas era exatamente assim que precisava ser.

O cientista empírico, mesmo diante da pedra filosofal, não diz “abracadabra”.

Não se atira pedra em macieira esperando que caia figo⁠

O Alquimista de Si Mesma
Houve um tempo em que meu nome era Resistência.
Eu me fiz de pedra para não quebrar,
e de muro para ninguém atravessar sem permissão.
Aprendi a ler o silêncio dos outros antes de ouvir minha própria voz,
acreditando, genuinamente, que o amor era um prêmio de consolação
para quem conseguia carregar o peso mais pesado sem reclamar.
Mas a terapia é esse outono necessário.
É o momento em que a árvore percebe que as folhas —
aquelas certezas antigas, aqueles medos vigilantes —
já não nutrem mais; elas apenas pesam.
E eu estou aqui, na delicadeza de me deixar desfolhar.
Dói nomear os fantasmas.
Dói perceber que, por anos, eu não vivi, eu apenas estrategiei a sobrevivência.
Mas há uma beleza sagrada em olhar para as mãos cansadas
e decidir que elas não precisam mais segurar o mundo.
Que elas podem, enfim, se abrir para receber.
Eu me perguntava: “Quem serei eu se a dor for embora?”
Hoje, o espelho responde com um sussurro:
Você será o horizonte, não apenas o caminho.
Será o mar, não apenas a barreira que contém a onda.
Não sou fraca por querer descanso.
Sou, pela primeira vez, forte o suficiente para admitir que sou humana.
Estou trocando a minha armadura de ferro
por uma pele que sente, que vibra e que, apesar de tudo, ainda se emociona.
Não estou apenas me curando;
estou finalmente me apresentando a mim mesma.

"Há momentos em que a resiliência da água em contornar a pedra não basta; nas relações humanas as vezes é preciso a coragem do cinzel, pois certas liberdades só nascem do impacto que rompe e destrói o obstáculo."

⁠Como a água que gotejando faz um furo na pedra, devemos ser persistentes.

⁠Michelangelo com a pedra.

Certo dia, Michelangelo viu um bloco de mármore e disse a seus alunos: “Aí dentro há um anjo, vamos colocá-lo para fora!”. Depois de algum tempo, com o seu gênio de escultor, um anjo surgiu da pedra. Então os discípulos lhe perguntaram como tinha conseguido aquela proeza. Ele respondeu: “O anjo já estava aí, apenas tirei os excessos que estavam sobrando”. Educar é isso, é ir com paciência e perícia, sabedoria e bondade, retirando os maus hábitos e descobrindo as virtudes, até que o “anjo” apareça em cada aluno.

O meu mundo sem forma


Cada dia
meus desejos crescem
como raízes que racham a própria pedra
onde eu tento me firmar.
Ver o belo
e não poder tocá-lo
é aceitar, em silêncio,
uma ferida que ninguém pediu.
Não persigo o futuro.
Todo sonho que antecipo
parece roubar
o gosto do agora.
Então eu me abro.
Deixo o fluxo me atravessar
como o mar atravessa a areia
sem pedir licença.
Quero apenas isto:
ver.
Ser o olho que não prende,
o instante que não exige,
o homem que observa
e não se perde.

Onde cinquenta e quatro gigantes erguiam o peso do firmamento, restam seis sussurros de pedra: o colosso de Júpiter não ruiu pela força do tempo, mas converteu-se em silêncio para que os mortais pudessem mensurar a eternidade.
Reno Fioraso

É mais fácil uma pedra falar do que um bolsonarista pensar de forma racional!

Corações de Pedra


Há pessoas que parecem duras como pedras, mas, na verdade, nem sempre foram assim. Um dia, foram delicadas como pétalas de rosa, sensíveis ao toque e às palavras.


E corações sensíveis, como pétalas, tendem a ser mais frágeis, ferindo-se facilmente ao encontrar outros corações que, por também terem sofrido, deixaram de ser pétalas e se transformaram em pedras afiadas e cortantes.


Assim, a dor passa de um coração para outro, criando um ciclo de feridas que parece não ter fim.


Se um dia você tiver a sorte de encontrar um coração sensível como uma pétala de rosa, cuide dele. Não o machuque apenas para se vingar de um coração de pedra que, um dia, feriu o seu.


Porque quem escolhe preservar a delicadeza, mesmo depois da dor, também escolhe interromper o ciclo que transforma pétalas em pedras.


-Kaiane Macedo

Madalena!

Atire a primeira pedra,
seja o árbitro,
seja o juiz
marque, marque forte
ou indelével como o risco de um giz.

Dê o veredito,
pronuncie a sentença,
julgue o dito e o não dito.
Convença.

A falha,
o erro,
aponte o dedo,
não tenha medo,
pode me criticar...

Não sou a primeira nem a última Madalena
que por este mundo vai passar...

Mad... bad... sad.

Alguns são como uma tempestade de granizo! Duros como pedra, frios como gelo, causam um grande estrago. E derretem, formando um lodo! ⁠

Aquele que nunca pecou deve permanecer quieto, a pedra que joga no outro te fará pecar.

Na geometria sagrada de Gizé, a pedra não aprisionou mortais, mas a própria luz, operando como um motor eterno que consome o tempo para alimentar o espírito.
Reno Fioraso