Pedra nos Rins
Corações de Pedra
Há pessoas que parecem duras como pedras, mas, na verdade, nem sempre foram assim. Um dia, foram delicadas como pétalas de rosa, sensíveis ao toque e às palavras.
E corações sensíveis, como pétalas, tendem a ser mais frágeis, ferindo-se facilmente ao encontrar outros corações que, por também terem sofrido, deixaram de ser pétalas e se transformaram em pedras afiadas e cortantes.
Assim, a dor passa de um coração para outro, criando um ciclo de feridas que parece não ter fim.
Se um dia você tiver a sorte de encontrar um coração sensível como uma pétala de rosa, cuide dele. Não o machuque apenas para se vingar de um coração de pedra que, um dia, feriu o seu.
Porque quem escolhe preservar a delicadeza, mesmo depois da dor, também escolhe interromper o ciclo que transforma pétalas em pedras.
-Kaiane Macedo
Madalena!
Atire a primeira pedra,
seja o árbitro,
seja o juiz
marque, marque forte
ou indelével como o risco de um giz.
Dê o veredito,
pronuncie a sentença,
julgue o dito e o não dito.
Convença.
A falha,
o erro,
aponte o dedo,
não tenha medo,
pode me criticar...
Não sou a primeira nem a última Madalena
que por este mundo vai passar...
Mad... bad... sad.
Alguns são como uma tempestade de granizo! Duros como pedra, frios como gelo, causam um grande estrago. E derretem, formando um lodo!
CAPÍTULO III
A PEDRA E O SILÊNCIO.
O inverno descia sobre a Úmbria com a gravidade própria do século XI. As colinas próximas a Perugia tornavam-se densas sob a névoa, e o ar carregava o odor de lenha úmida e terra revolvida. Não havia pressa na estação fria. Havia espera. E na espera formava-se o caráter.
Cladissa contava aproximadamente 17 invernos quando o abade do mosteiro próximo, vinculado à Ordem de São Bento, permitiu que algumas jovens do vilarejo participassem da instrução elementar da leitura dos salmos. Não era privilégio comum. A alfabetização, ainda que rudimentar, concentrava-se nos claustros. Mas a região vivia um momento de reorganização disciplinar após as reformas impulsionadas por Gregório VII, e a formação espiritual das famílias tornara-se preocupação constante.
O mosteiro erguia-se em pedra clara, austera, quase severa. Nada ali convidava ao conforto. Tudo remetia à permanência. Ao atravessar o pátio interno pela primeira vez como aprendiz e não apenas como visitante, Cladissa sentiu algo que não soube nomear. Não era temor. Era reconhecimento. Como se a pedra falasse uma língua silenciosa que sua alma já conhecia.
O scriptorium situava-se no lado oriental do edifício, para receber melhor a luz da manhã. Ali, dois monges copiavam trechos da Vulgata sobre pergaminhos espessos. O odor de tinta ferrogálica misturava-se ao couro curtido das capas. O som dominante era o do raspador sobre o pergaminho, corrigindo imperfeições antes da escrita.
Cladissa observava. Não perguntava em excesso. Sua inteligência era contemplativa. Compreendia que naquele espaço o saber não era ornamento. Era responsabilidade. Cada letra traçada era um gesto de preservação do mundo antigo.
O irmão Martino, monge de meia-idade com mãos firmes e olhar fatigado, percebeu a atenção da jovem. Não a tratou com condescendência. Entregou-lhe um fragmento de salmo e indicou que repetisse a leitura em voz baixa. A pronúncia latina de Cladissa era hesitante, mas clara. Não buscava rapidez. Buscava exatidão.
Naquele instante, algo se deslocou em sua interioridade. Não era ambição de erudição. Era a percepção de que o conhecimento ordena a alma. A disciplina da leitura tornava-se disciplina do pensamento. E o pensamento disciplinado protege contra o caos.
Fora dos muros, entretanto, o mundo mantinha sua rudeza. Um conflito entre dois senhores locais, ligados a pequenas fortificações ao sul de Assis, ameaçava os camponeses com novas exações. A insegurança política era parte estrutural da época. O feudalismo não era sistema abstrato. Era cobrança concreta, era trigo confiscado, era inverno mais severo.
Cladissa escutava as conversas sussurradas no vilarejo. Não reagia com revolta impetuosa. Refletia. Percebia que a violência exterior revelava desordem interior. A ausência de governo justo era reflexo da ausência de autodomínio.
Certa tarde, ao regressar do mosteiro, encontrou a mãe sentada à porta da casa, fiando lã com movimentos ritmados. O silêncio entre ambas não era vazio. Era comunhão. A mãe não dominava a leitura, mas dominava a resistência. E essa forma de saber era igualmente necessária.
Cladissa compreendeu então que sua formação não poderia ser puramente claustral. A pedra ensinava firmeza. A terra ensinava humildade. O mosteiro preservava a palavra. O campo preservava a vida.
Na última vigília daquele inverno, permitiram-lhe permanecer na igreja durante o canto das horas noturnas. As vozes graves dos monges ecoavam sob a abóbada simples. Não havia ornamentos dourados. Havia reverência. A repetição dos salmos não era monotonia. Era lapidação da consciência.
Ali, sob a luz trêmula das velas, Cladissa tomou uma decisão silenciosa. Não se tratava de fugir do mundo. Tratava-se de compreender o mundo a partir de um eixo interior inabalável. Se o século era instável, ela deveria tornar-se estável. Se a política oscilava, ela deveria ordenar-se moralmente.
O inverno terminaria. Os conflitos talvez se agravassem. O poder mudaria de mãos como tantas vezes mudara. Mas a disciplina adquirida naquele claustro permaneceria como fundamento.
Cladissa não buscava glória. Buscava retidão.
E no silêncio das pedras antigas, começou a erguer-se não apenas uma mulher medieval, mas uma consciência capaz de atravessar seu tempo sem dissolver-se nele.
Deseja que o Capítulo IV avance para um evento histórico concreto, como a tensão feudal aberta em violência, ou prefere aprofundar a vocação espiritual nascente de Cladissa dentro do mosteiro.
" Com o " Tinha uma pedra no meio do caminho " é sinal feliz porque tinha, mas é grandioso de perceber que agora falta somente a outra metade do caminho. "
Ídolos não são apenas feitos de pedra ou gesso. Idolatria é tudo aquilo que ocupa o lugar de Deus no seu coração e rouba a sua devoção."
Não queira ser uma pedra de tropeço no caminho de um homem avarento, porque os avarentos são capazes de tudo.
Na geometria sagrada de Gizé, a pedra não aprisionou mortais, mas a própria luz, operando como um motor eterno que consome o tempo para alimentar o espírito.
Reno Fioraso
A selva que consome a pedra guatemalteca reflete o tempo que devora o império; porém, a sombra do que foram permanece escrita no silêncio que a terra insiste em guardar.
Reno Fioraso
Moais de pedra bebem o silêncio da terra, guardando o segredo de Páscoa, lugar onde o próprio tempo esqueceu a direção do altar.
Reno Fioraso
Itaiópolis
Do coração és a laje
ou pedra molhada
e fundamental:
linda cidade amada.
Teu nome guarda
em tupi-guarani e grego,
honra, festa e glória:
Colônia Lucena da História.
De muitas vidas o início
depois de tudo na vida,
és palco relembrado
da Guerra do Contestado.
Sonho paranaense,
e posse catarinense
no Planalto Norte,
endereço da boa sorte.
Onde a Vyshyvanka
e a Wicynanki se encontraram,
fizeram berço e o seu povo
sabe ser amável e acolhedor:
Itaiópolis és o poema de amor.
Itapema
As asas deste poema
são de ultraleve,
ele sobrevoa as praias
e rios de pedra
angulosa em tupi,
Todos amam viver aqui.
O teu povo carijó
e a herança dos açores
são parte sublime
da História Brasileira:
a nossa memória guerreira.
Foste Vila de Santo Antônio
de Lisboa e Arraial Tapera,
Itapema o teu nome rima
por fortuna com poema:
a tua alma não é pequena.
Charmosa rainha atlântica
do Litoral Norte Catarinense,
cheia de charme e beleza
que sempre captura o coração
da gente com toda a destreza.
Morar em Itapema é
deixar-se brindar e envolver
todos os dias por toda
essa sedução e riqueza
agraciadas por fortuna pela Natureza.
Itapiranga
Pedra ou concha vermelha
na língua tupi,
Pedra vermelha fundamental
assim nasceu catarinense,
Berço Nacional da Oktoberfest
e de uma gente linda
estabelecida por sonho
da Sociedade União Popular.
Navegando com o Padre
pelos Rios da Várzea e do Uruguai,
ali foi estabelecida uma cidade,
Sonhos de muitos por liberdade.
Linda Itapiranga poética,
só tenho razões para me declarar,
és a minha canção favorita,
meu bonito rincão do Extremo Oeste
do Estado de Santa Catarina.
Minha Itapiranga profunda,
o quê tu foste, és e será,
sempre com esperança e grata
no Festival da Canção Alemã
sempre será uma razão para cantar
e meu motivo para aqui continuar.
Se a mulher fosse uma pedra ela seria um diamante, brilho e luz.
Se a mulher fosse uma flor ela seria um girassol, sempre em busca de algo.
Se a mulher fosse um mês ela seria abril, com todos os seus recomeços e sua impulsividade.
Se a mulher fosse um ano ela seria 1970, ousadia e luta pela liberdade.
Se a mulher fosse uma estação, ela seria todas de uma vez só.
Se a mulher fosse uma árvore ela seria uma carnaubeira, a namorada do grandalhão jatobá.
E se a mulher fosse uma música ela seria com certeza, a quinta sinfonia de Bethovem, complexa e intensa!
ta-ta-ta-tã....
Haredita Angel
21.09.25
Se no meio do caminho tem uma pedra:
- Salte;
- Passe por cima;
- Contorne;
- Remova;
Só não pare!
Haredita Angel
05.04.24
Coração de Pedra
Há amores que atravessam décadas.
O meu atravessou a alma.
Não foi longo o bastante para o calendário,
mas foi eterno para tudo aquilo
que morreu dentro de mim.
Conheci-te primeiro como quem contempla uma estrela distante:
bela, inalcançável, prometendo luz.
Quando enfim toquei tua existência,
confundi o brilho com o calor
e a esperança com a verdade.
Enquanto teus braços buscavam abrigo,
os meus construíam um lar.
Havia uma criança.
E, sem que ela soubesse,
devolveu humanidade aos meus dias.
Nos seus olhos havia a inocência
que o mundo ainda não havia aprendido a ferir.
Amei aquele pequeno ser
como se o destino, por um breve instante,
tivesse me permitido ensaiar a eternidade.
Mas algumas almas não conhecem o repouso.
São mares em permanente tempestade,
capazes de afogar até quem mergulha
com a intenção de salvá-las.
Eu não enxerguei.
Não porque me faltassem olhos,
mas porque o amor, quando se torna absoluto,
transforma a verdade na primeira vítima.
No fim, descobri que beijava uma ilusão
e abraçava um vazio que tinha o teu nome.
Desde então, ninguém mais conseguiu entrar.
Não por falta de beleza.
Não por ausência de bondade.
Mas porque existe uma porta
que só se fecha uma única vez na vida.
Hoje, meu coração não sangra.
Pedras não sangram.
Elas apenas carregam, em silêncio,
o peso de todas as ruínas que sobreviveram ao tempo.
E, se um dia alguém perguntar
qual foi o maior amor da minha existência,
não direi teu nome.
Direi apenas que houve uma primavera
tão intensa,
que foi capaz de transformar todas as estações seguintes
em inverno.
Onde o Silêncio Reza
Havia um templo feito de pedra,
mas era o silêncio que sustentava suas paredes.
As velas queimavam lentamente,
como se soubessem que nem toda escuridão nasce da noite.
Os bancos antigos carregavam cicatrizes,
marcas de joelhos cansados e mãos unidas em oração.
Pediam apenas cuidado,
enquanto outros olhos enxergavam apenas cifras.
O ouro nunca brilhou mais que a fé.
Ainda assim, há quem troque a luz do altar
pelo reflexo frio das moedas,
esquecendo que toda riqueza roubada da esperança
cobra um preço que o tempo jamais perdoa.
Os sinos continuam a tocar,
mas seu som já não desperta apenas os fiéis.
Também desperta as consciências,
porque nenhuma sombra permanece escondida para sempre.
E quando a última vela se apagar,
não será a madeira, nem a pedra, que serão julgadas.
Serão os corações que confundiram o sagrado com interesse,
e fizeram do silêncio um cúmplice.
No fim, resta apenas a verdade:
ela caminha devagar, veste luto,
e sempre encontra o caminho de volta ao altar.
