Parada do Mangue
Um mangue é um arbusto ou pequena árvore que cresce em salinas costeiras ou água salobra. Os manguezais ocorrem em todo o mundo nos trópicos e climas subtropicais e nada mais são do que árvores tolerantes ao sal, ou seja, estão adaptados à vida em duras condições costeiras. Eles contêm um complexo sistema de filtração de sal e um sistema radicular para lidar com a água salgada por imersão e ação das ondas. Ainda, são adaptados às condições de oxigênio da lama encharcada.
Quando você dá mais espaço para o mangue, a tendência é de que a água salobra acentue as diferenças entre os micro-organismos e colônias que nela vivem. Mas o mangue é o acionador da capacidade criativa e ativa do micróbio. Quando você acentua o mangue, a água salobra ganha em aplanamento e submerge em criatividade e geração de fartura para a colônia. A lama é um caso clássico de censura aos manguezais do pensamento, por isso o pensamento da colônia fica improdutivo, miserável e repetitivo. Na realidade, temos um pensamento insignificante, medíocre, anódino, estúpido e medroso. O sal, aqui, tem conteúdo moral baseado em inversão de valores. Explora a ignorância do coletivo. Torna a violência ordinária e somatiza deficiências pragmatistas da colônia.
Os pântanos dos manguezais protegem as áreas costeiras da erosão de políticas públicas. Os micro-organismos são a vitória numérica. São a vitória da contradição. Do achar e dar por certo. Do pergunte-ao-colega-ao-lado. Nunca do pesar, pensar e, por um instante, considerar.
meu pensamento
é muito lento
é todo ele
é todo momento
e o meu sangue
é lodo ou mangue
é todo ele
é todo movimento
alma estranha que abrigo
essa que o acaso me deu
são tantas almas comigo
que eu nem sei bem
quem sou
Sonhe Alto.
Quem sonha baixo é caranguejo que vive no mangue e sonha nos buracos dos outros
Sonhe os seus sonhos
Sonhe alto pois quando a tempestade vier te jogará pra cima.
A SOBREVIVÊNCIA - MANGUE
- Recife -
POEMA I
E a ponte esvai-se pelo rio
trêmula navegante nula;
nas suas cáries residimos
logicamente crustáceos.
Bípedes arquitetando sombras,
planos rostos refletidos: nunca,
no aquático espelho dos sobrados
sustém o eco dos sentidos desusados
que mordem das impegadas mãos o tato.
Incerta lama convivida:
alma lama reanscida ao sol.
Anfíbio (caranguejos, siris, meninos)
o peito ereto, as mãos para cima,
trazem as bandeiras de medalhas-lama.
Do céu ganhou a armação
em ossos; um nato esquife.
E o recheio, que lhe desse o rio.
Lá na Ponte Giratória, por mais que gire:
ossos que vivem a sobreviver de ossos!
(Publicado na antologia Presença Poética do Recife, de Edilberto Coutinho, Arquimedes Edições, SP, 1969 e 2ª edição, UFPE, 1977.)
_No mangue a tantos caranguejos tanta vida, mas viver dessas vidas torna se a escuridão de nossos corações pois a vida acaba...!
Na floresta há tantas árvore o sustento de muitas pessoas e a floresta morre, tudo que esverdeado agora é um deserto...
Rios e lagos limpos se tornam zombaria pois secam pois a floresta morreu...!
Ninguém é culpado...?
Todos temos direito a vida...!
Porque morremos em silêncio diante devastação das vidas que nos cerca...?
ANTÍDOTO
Parecia caminhar sob o mangue
Cada passo um atoleiro iminente
Muitos querendo ver brotar o sangue
Das sobras daquela alma indigente
Que tombou várias vezes neste ringue
Ainda é mira pra pedras pendentes
Alvo gelado sem amor entangue
Dorme empatia, ninho de serpente
Só veneno, sem um perdão que vingue!
AMIGO DO REI
E foi assim sem eira nem beira
Que nesta terra alvissareira
Mangue na astúcia do caranguejo
Preciso nas garras do desejo
Pensando já estar tudo no papo
A coaxar a mulher do sapo
Muito cuidado em Pernambuco
Onde a pexeira te faz defunto
Antes de deitar em cova rasa
Segue teu rumo noutra Pasárgada!
Sou Jane do samba e Neymar da bola.
Ricky Henry
.
refrão:
Sou Jane do mangue de santos do morro e asfalto...
Eu sou... negra, parceira, leal e fiel...
Na vida, eu bato de frente se na razão eu estiver...
Pra todos...
Com meu Samba eu deixo o meu axé!!!
.
1°
É...com frigideira, prato, cavaco, pandeiro e ganzá...
Vou versado, cantando, falando de Samba, raça e Neymar...
Somos cultura, samba, bola e felicidade...
Batucada é o refúgio da igualdade...
.
refrão:
Sou Jane do mangue de santos do morro e asfalto...
Eu sou negra, parceira, leal e fiel...
Na vida, eu bato de frente se na razão eu estiver...
pra todos, com meu Samba eu deixo o meu axé!!!
.
2°
Em tropeços aos trancos e barrancos...
E vi um menino lutar e conquistar o mundo...
Em polêmicas, críticas, elogios...
Sofreu com racismo, mais um absurdo...
É fundação, filho, amigos, muleke, responsa que irradia...
.
E...se liga, o futebol e o samba já virou epidemia...
Sou Jane no canto e Neymar nos campos...
Unidos e levando a paz, samba, futebol e alegria.
Manifestações dos ícones
Sugerem os índices.
Rastejando no mangue
A revanche dos garrotes.
Resquícios disso ou daquilo.
Sangue Tribal
Manifestações dos ícones
Sugerem os índices.
Rastejando no mangue
A revanche dos garrotes.
Resquícios disso ou daquilo.
Tatuagens tribais
Ou um tribal tatuado.
Unicamente tribos,
Disputando com enfeites.
Artesanais, manuais, cirúrgicos,
Modificações da própria estrutura,
Meio artificial, meio humano, animalesco.
Sangue Tribal,
Salpicando na veia.
O Espiritual queimando a artéria.
Forjando, guinando, atrevendo,
Pulsando, marcando, ardendo.
Não escaparás do escopo.
Esmerilhando as incompatibilidades,
Causamos a fusão em nosso corpo.
Nunca inteiro ou completo,
Sempre meio ou metade.
Nascemos inacabados,
Mas prontos pra eternidade.
Apanhador de Versos
no Mangue das Rimas
Deixe de aflição cara mia;
Caso o reconhecimento não consiga alcançá-la,
Lembre-se da premissa histórica dos ignorados.
Aqueles chamados de teus contemporâneos,
Quase sempre foram medíocres.
As coisas são belas,
Apenas quando nos dirigimos
Ao passado ou ao futuro.
Pois o sentido da vida, é para frente.
Mas são as lembranças que nos impulsionam.
Já o presente não é razoável conosco,
Nossos iguais não o são.
A chama não queima em oxigênio escasso.
Aquela veemência superficial,
Nos posiciona num fosso inebriado de ingratidão.
Entretanto,
A vida em colapso,
É o maior trunfo de um poeta.
Estando sobre as nuvens,
A crença deixa de ser escolha,
Ali, logo ali está,
A vida a vibrar,
Bem no mangue,
Não tão distante,
E bem perto do mar;
Na Ilha dos Remédios,
Vou a cura procurar
Pela cura do mal de amor,
Devo ir, e se lá eu não for,
Comigo para sempre ficará
A repleta dor desse mal de amor,
- Que talvez nunca passará... -
Ali, bem dentro de ti,
Com o barulho do mar,
Sublime cantante,
Menestrel brilhante,
Indo sempre ao mangue,
Para a vida cultivar,
Nas carregadas redes de pesca,
Para enriquecer a festa e alimentar,
O povo que luta e ama,
Nessa terra que o mar balança,
Floresce no sorriso a alma açoriana.
No mangue também existe poesia,
Ele é como um anjo que vive,
- entre o céu e a terra
Ele entre o rio e o mar,
Conhece o ritmo das águas,
Ele sabe como se comportar
Como anfitrião da vida...,
No movimentar das águas doces,
E no bailar das águas salgadas,
O mangue sempre sabe esperar...
Talvez seja porque não é notado,
Ou porque vive despercebido,
Ele é abrigo, viveiro e ninho.
O mangue como grande anfitrião,
Só a existência dele é uma lição:
de paciência,
resiliência
e fonte de sabedoria
- Ele surpreende porque é veia;
Existe nele um sangue invisível,
O mangue é um lugar incrível!
Respeite o mangue como intangível,
Ele é a cintura da terra que liga,
O rio com todo o oceano, ele é pura lida!
