Palavras Ditas
Palavras ditas, não ditas, escritas
nos dias silenciosos, à chuva ao vento
onde partimos as correntes de ninguém
alguém perdido, esquecido no tempo.!!
Eu escrevo. Escrevo para não ser sufocada pelas palavras que nunca foram ditas. Escrevo para viver, reviver e libertar. Libertar o que aparentemente está livre, mas que na verdade não está. Eu escrevo... simplesmente escrevo para sobreviver, na tentativa desgastante de não apenas existir.
Então por que eu finjo tanto? Tento manchar as palavras que nunca foram ditas... Será que para forjar uma ilusão da felicidade? Ou para me ver viver o que não se pode ser vivido?
Sufocando com a dor das minhas próprias palavras não ditas, das vezes que poderia descrever a dor, o amor, a alegria, tudo imensamente guardado até ele surgir e me fazer querer descrever qualquer fagulha de tudo que ele me fazia sentir.
A verdade jamais deve andar separada do bom senso para que saibamos quais devem serem ditas e quais devem ser caladas.
O silêncio é a chave que evita conflitos, pois certas palavras, quando ditas sem cuidado, ferem mais do que a própria razão.
De ti, restou-me o inebriante perfume da tua ausência — e as palavras não ditas, que o tempo, implacável, se levou antes que pudessem nascer.
E foi em meio a tantas palavras não ditas, que o teu olhar um dia me falou as palavras mais bonitas!
Para que te iludir com palavras, se o sentido para qual são ditas, descrevem quem você é e representa em minha vida.
Ricardo Baeta.
