Os Seres Vivos
MORTAL VIVER MORTAL MORTE
Conta-me dos mortos, que dos vivos eu já sei
De enxada na mão, da alma que sofre
Chuva que bate forte nos ramos da pobre videira
Nas parras do nevoeiro na serra
De viciosos caminhos de lama
Pois as nossas almas belas assemelham-se
Ao luto negro do amanhã
Por entre os palcos do velho circo
Conta-me dos mortos, pois dos vivos nada sei
Onde perco o trilho do nosso refúgio
Papoilas que voam na tempestade sombria
Deixadas no chão já secas, molhadas
Molhadas de tinta do velho tinteiro
Que sobrevive com pena ou dor
Conta-me dos mortos, que dos vivos pouco sei
No padecer de um vírus que ataca
Em cada abraço, cada beijo, cada aperto de mão
Que tortura o corpo já sem falar na mente
A morte espreita em cada canto do mundo
Em cada esquina na escarpa que me fere os pés
Conta-me dos mortos que dos vivos pouco me lembro
Nesta aflição que enregela o meu canto ou o meu trabalho
Deste vírus mortal que ataca toda a humanidade
Conta-me dos vivos, que dos mortos esses não ficarão esquecidos
Na saudade que já deixam de tantas lágrimas perdidas
De um adeus feito a distância que sufoca a alma
Pois a esperança nasce todos os dias e a fé a todas as horas.
Não existe razão maior para se estarmos vivos do que herdear oconhecimento dos nossos antepassados para reparassaras gerações futuras que construirão o nosso futuro.
Só os vivos tiram fotos, porque tem no coração a esperança de, mais tarde, visualizá-las para poderem recordar…
Quando vivos, a nossa mente é apenas um espaço de simulações e um cofre de memórias.
O que ocorre com ela após a morte, é bem duvidoso.
" Certa vez um velho sábio mi disse: Filho, na vida enquanto estivermos vivos, estaremos sempre aprendendo, e nunca esqueça que a humildade faz homens grandes."
O bom de estarmos vivos é que até as decepções passam.
Mas os motivos que nos levam a elas são por causa de nossas expectativas no outro...
