Os Inocentes de uma Guerra
Sabe quando a gente larga tudo e só se prepara pra guerra? Aqui estou. É Jair ou já era. Nada além disso.
No Quartel, eu tinha um amigo que sempre quando me via, me cumprimentava me chamando de "Guerra": "Eae, guerra. De boa?". E eu achava estranho, pois eu não tinha o sobrenome "Guerra". Um dia perguntei pra ele o motivo pelo qual ele me chama de "Guerra". Então ele me disse que ele era Espírita e que quando olhava pra mim, via uma "guerra" dentro de mim. E eu confirmei a ele: "Realmente, tem um sentimento de guerra dentro de mim".
Para nós sairmos vitoriosos de uma guerra, não podemos nos restringir a fazer somente o que queremos. Devemos ser extremamente técnicos, estratégicos, ao ponto de fazermos, inclusive, coisas que não queremos. Ser técnico, estratégico, é de extrema necessidade para manipular o destino da guerra e que nos dar o resultado que previmos.
Kamorra — Entre a Guerra e o Espelho de Deus
Há nomes que são apenas sons. E há nomes que se tornam espada. Kamorra é um desses.
Do espanhol, herdamos camorra: briga, disputa, confronto. Um nome nascido no campo da guerra, forjado no atrito entre homens que não aceitam a covardia como regra. É o eco de quem levanta a voz, de quem enfrenta, de quem, se for preciso, cai de pé — mas nunca se ajoelha.
Mas o nome não para por aí.
Do hebraico, surge kamocha, uma pergunta sagrada: "Quem é como Tu, ó Deus?"
É o espelho da identidade divina refletida no homem. É o chamado para viver com honra, com verdade, com propósito.
É a lembrança de que a maior batalha não é contra o outro — é contra o que dentro de nós tenta nos tornar medíocres.
Juntas, essas raízes formam algo maior: Kamorra.
Não é só um nome. É uma filosofia.
É o homem que luta como um guerreiro, mas carrega nos olhos a consciência de que foi feito à imagem do Altíssimo.
É o confronto com o mundo, mas também com a própria alma.
Ser Kamorra é viver entre dois mundos:
Um pé no campo de batalha, outro no altar.
Uma mão fecha o punho, a outra aponta para o céu.
Porque o verdadeiro kamorrista sabe:
Antes de vencer o inimigo, é preciso vencer a si mesmo.
E quem zomba do nome...
Não entendeu o corte da espada que ele carrega.
Não há saída para quem nunca tentou
fugir
Não há conflito para quem nunca enfrentou uma guerra
E não há futuro para quem nunca esqueceu o passado.
A paz não se mantem sem a constância da ameaça de iminente guerra.
Quem fragiliza suas defesas está propenso ao revés da vida.
A guerra é o pior dos eventos humanos, sem a qual, impossível estabelecer a paz. Porque esta se consolida mediante eterna vigilância e pronta deflagração de guerra contra os que a subjugam.
Se queres paz, esteja preparado para a guerra.
Nem sempre se consolida a paz gastando saliva, mas mantendo repleto de pólvora seu paiol.
É preciso ter fé pois a vida é uma guerra que lutamos de batalha em batalha, com vitórias e derrotas.
