Olhos
Sobre o teu dorso sou homem
sou criança, filho do vento
Luz-me um sorrir por dentro
que meus olhos não escondem...
.
E um dia, que honrar-te eu tenha
Só aceitarei nobre a valentia
Daquele que me não tente a revolta
.
Porque a nobreza não diminui, enobrece
E a liberdade...é valor supremo!
E triste pensar que talvez aquele brilho nos olhos nunca mais volte e sua alma cai no desespero de alguém se alma ou rendimento.
O brilho se foi para sempre.
O que me reta e sugar almas.
"Aquele que deseja amar precisa amar aquilo que é, aquilo que está diante dos olhos, do mundo da vida e do mundo real".
"Pergunta-me: o que há de mais angustiante para você?
É ouvir o rogo nos olhos de quem recusa a morte, enquanto pranteia pelos lábios. Olhos dizem mais do que lábios chorosos. Olhos denunciam um pusilânime estreme."
No dia em que eu encontrar
O brilho de meus olhos em outros olhos,
A expectativa de meus sonhos em outros sonhos,
A esperança de minha alma em outras almas,
A essência de minha vida em outras vidas,
O desejo de meu ser em outros seres...
Saberei que minha luta não foi em vão,
Saberei que meu grito foi ouvido,
Saberei que minhas lágrimas foram entendidas,
Saberei que não estou só na humanidade!
Sonhos sonhados
Com os meus olhos ligados aos céus,
Vivo naufragando em meus sonhos,
Lá,
Bem acolá,
Ah muitos gemidos estranhos no alto de uma montanha,
A felicidade de lá passa perto,
E não sei o que nela há,
Vejo as estrelas brilharem,
Vejo o Sol fazer sua composição,
Vejo o prateado do luar,
Numa aurora qualquer,
Os pássaros voam em sentidos contrários,
E os animais se fartam com seus alimentos,
Estranhas sensações de tanta alegria,
No começo de cada anoitecer,
As corujas fazem seus ninhos,
E a galinhada desce do poleiro,
Os cavalos relincham totreando,
E o gado segue berrando no cerqueiro,
Estalos sombrios acontecem,
Na mente dos boiadeiros,
Bate o bico do pica-pau la no telhado do João de barro,
O lampião acende e apaga sozinho,
E a coleirinha canta imitando os canarinhos,
Se bem me lembro,
A cútia pia no banhado,
E as capiravas roncam no serrado,
Naquele universo lindo,
Dos meus sonhos sonhados...
Autor:Ricardo Melo.
O Poeta que Voa.
O teu silêncio me transmitia...
Segredos do fundo do íntimo,
E o seu expressar eram os olhos.
Os olhos que gritavam com agonia e raiva
O que a boca mantia no sigilo
Com o dom de suportar,
O corpo terrivelmente sofria
Mesmo com voz,
Mas não se ouvia
No interior só podia gritar
Uma vida acorrentada,
Uma consciência perturbada,
Pedindo socorro
E sem sono para dormir as madrugadas.
Mas quem ajudará está alma indigente?
Ou quem quebrará as suas correntes?
A voz que nunca se ouviu
Uma voz linda
Que está no silêncio escondida
Uma boca que nunca beijou nem riu.
Histórias de vida que o trauma aprisiona
Ai...
Deixa-me ouvir a tua história escravo da existência.
Olhos lindos que a poeira estragou,
Futuro que a guerra matou,
É deprimente o teu semblante
E sei que o teu testemunho é frustrante.
Mas liberta-te e conta aos quatro vento.
Chora, canta, ou escreve,
Mas sai desta prisão que é o Silêncio.
Savanas
Nas savanas agrestes e selvagens dos teus olhos,
minha alma caminha solitária e amedrontada,
onde está a tua caverna aconchegante ó rei leão?
Dá-me de beber das águas de teu riacho escondido,
Tenho sede, tenho sono e tenho tanto medo!
Não vês que padeço nas trilhas de tuas perigosas savanas?
Volta os teus sentidos em minha direção,
vem me encontrar nesta penosa paisagem,
onde tudo parece querer me devorar,
até o sol se torna inimigo ao meio dia,
e o vento a ele se curva em obediência.
As noites são senhoras sombrias e misteriosas,
que me fazem os terríveis pesadelos encontrar.
Quero pão, quero vinho e quero o teu peito,
e nada mais me importa senão a minha vida junto a tua.
Nas alvoradas coloridas e refrescantes,
centenas de andorinhas passam pela minha visão,
Onde vão? Onde vão todas elas voando nesta imensidão?!
Procuram certamente novas terras e novos cenários,
porque ninguém é feliz onde não consegue criar raiz.
A planta dos meus pés procura o vaso do teu coração,
acorda rei leão! Acorda deste sono de tamanha profusão!
As feras desta fria e assustadora paisagem,
me olham obstinadas como se eu fosse um pão,
estão famintas e querem alimentar suas necessidades,
mas há uma força que me transporta e me liberta,
desta fome feroz que a vida faz atingir a todas elas.
E no abstrato contexto de minhas razões,
surgem os gigantes pensamentos em discussão,
decidem entre eles o que fazer de minha desolação,
e me carregam para longe das bocas devoradoras de sonhos.
Reclina-te sensivelmente à altura do meu olhar ó rei leão!
Olha dentro dos meus profundos e cansados olhos,
neles, está o mapa que nos levará rumo ao paraíso.
Pegue o mapa sem demora e o decifre,
para que esta viagem não fique perdida na vegetação de alguma curta estação.
Rozilda Euzebio Costa
