Olho

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O canto do sabia

Aos poucos vendo a vida passar
Olho para os cantos e perco os encantos
Do canto de um sabia

Vejo aquilo que ora me fez sorrir
Oque agora me faz chorar
Quanta tristeza ao relembrar
Oque nada posso mudar

Vejo com o olhar
De quem um dia ousou acreditar que tudo iria transformar e nada iria abalar

Sigo com a certeza de que tudo acontece com o olhar
Daquilo que eu imaginar e penar por nele me apoia

Keila Oliveira.

Selos da Pele, Voz da Alma


Na nuca repousa a Lua,
olho secreto que vigia o invisível,
selo de intuição,
guardiã dos sonhos e dos portais.
No ombro, o vento sussurra:
“sou livre, livre caindo”,
e cada queda é voo,
cada entrega é renascimento.


No pulso, a águia desperta,
círculo eterno, visão do alto.
Em cada gesto, tua mão carrega
a coragem do espírito que não teme o horizonte.


No braço, a montanha firma os pés,
o sol sorri por entre as pedras,
e tu, com asas dadas pelo destino,
aprendeste a voar sem perder o chão.
À esquerda, junto ao coração,
vive uma prece tatuada em silêncio,
um canto sagrado que vela tuas emoções,
sabedoria que te guia quando o mundo cala.


À direita, a borboleta dança,
asas leves bordadas de metamorfose.
Ao lado, a palavra antiga sussurra:
Maktub, estava escrito.
E o escrito é vida,
o escrito é transformação.


Tua pele é mapa,
teu corpo é templo,
cada traço um portal,
cada símbolo um guardião.
És lua e sol,
águia e borboleta,
raiz e voo.


Essência livre,
destino escrito nas estrelas,
alma que jamais se curva,
porque sabe que é infinita.

JANELA DO TEMPO
(A brevidade dos ciclos)

Olho para trás e tenho certeza de que tudo passa; nada é para sempre. O dia pode ter sol, chuva ou ser nublado; são apenas dias que nascem e morrem, em constante metamorfose — ora casulos, ora borboletas. Simplesmente observo, calada, na janela do tempo.

Lu Lena / 2026

​O SILÊNCIO QUE ACENA 🌬️✨
(sempre quando olho para o céu)

​Mãe...
Queria escrever algo, mas acordei com o pensamento solto e disperso de mim. Quando sinto esse silêncio fugidio, não consigo escrever nada, fico oca por dentro e bate um vazio.
​É sempre assim. Em especial neste dia que, lá do céu, acenas para mim... 🕊️🤍

​ Lu Lena / 2026

⁠Olho para trás e vejo que meu caminho não foi fácil. Durante algum tempo, questionei minhas escolhas e acabei por duvidar de mim mesma. Mas, hoje, posso afirmar que não estava enganada. Aquilo que tanto busquei, que tanto almejei, finalmente revelou-se verdadeiro. Aquele sentimento, que parecia utopia, tornou-se realidade em minha vida.

- Edna Andrade

'inda olho o por do sol
pela janela
vejo ao longe nuvens
e a lua que se esconde nelas
Vou ao encontro deles
Campo aberto
Vou me juntar ao espetáculo
que não sabe da platéia
Não consigo contar
Não se descreve o encontro de céu e mar
De sol e luar
De dois corpos que só sabem amar.
Um eclipse
Fenômeno natural
Assim também é respirar
Mas este um dia acaba.

Ah 2026! A interatividade é melhor conversando olho no olho e sorriso no rosto com coração exposto, sem vergonha e desgosto.

O Rosto e o Rastro
O olho avista o traço, a curva, a cor,
E apressado o peito chama de amor.
Mas o que brilha na luz do meio-dia
É apenas o eco de uma fantasia.
Pois o rosto é o porto, a fachada, o cais,
O amor, porém, habita em águas mais profundas e reais.
Não se ama o brilho que a retina consome,
Mas o peso do silêncio e o jeito que ela diz seu nome.
É preciso o cansaço, o riso sem jeito,
Conhecer o defeito que mora no peito.
Só quando a máscara o tempo desfaz,
É que o "gostar" descobre do que o "amar" é capaz.
A beleza atrai, convida e seduz,
Mas só o que é alma sustenta a luz.
Se o rosto é o livro que a gente folheia,
O amor é a história que o sangue semeia.

O céu nunca é só escuridão. Pela arte, ele ganha vida e pulso, nos convidando a levantar os olhos. É a melancolia aprendendo a respirar esperança.

Façamos como coruja, em seus segredos mistérios, observa tudo com sabedoria e atenção. Seus olhos vagam na escuridão, sente-se à vontade meio a solidão.

Olho grande não entra na China e boca grande não entra no céu.

Olho brilhante
Fazem-me respirar lentamente
E diante de 90/10
Podemos flui e se maravilhar de um doce beijo onde se encaixa um abraço apertado onde você fica pensando e ancioso " que cheguei logo amanhã pra mim ver aquele sorriso denovo" e com o passar disso eu jamais vou cansar-me e assim
Continuando...

Fragmentos de mim

me olho e não me reconheço,
mas ainda sinto, ainda escrevo.
a dor insiste,
mas eu aprendi a dançar no meio dela,
mesmo com tudo do avesso.

Cheguei num ponto em que a fala alheia
bate e não fica, passa e vagueia.
Olho, escuto, deixo ir,
não me moldo pra caber em ti.
Aprendi que silêncio também é proteção,
que nem toda guerra merece reação.
Se custa minha paz, não vale insistir.
Nada vale a pena se for pra me partir.

Ela sempre foi movimento.
Casa girando em torno dela.
Mão que fazia, boca que orientava, olho que via tudo.
Era dessas mulheres que acordam antes do sol
e dormem depois da vida.
Sabia onde estava cada coisa.
Cada conta.
Cada remédio.
Cada problema.
Ela era memória viva da família.
Era calendário, era agenda, era conselho.
E agora…
O tempo resolveu brincar ao contrário.
O nome das coisas escapa.
Os rostos às vezes embaralham.
As histórias ficam pela metade.
Mas tem uma coisa que não foi embora:
a essência.
O jeito de segurar a mão.
O olhar que ainda procura cuidado.
A doçura que aparece em lampejos.
O Alzheimer não apaga quem ela foi.
Ele embaralha caminhos,
mas não destrói o que foi construído em décadas de força.
Existe uma inversão silenciosa:
quem foi porto vira mar aberto.
Quem guiava agora precisa ser guiada.
E dói.
Dói porque a gente lembra de tudo.
E ela… às vezes não.
Mas amar alguém com Alzheimer é aprender outra língua.
É repetir sem irritação.
É contar a mesma história como se fosse a primeira vez.
É segurar firme quando o mundo dela fica confuso.
Ela continua sendo a minha mãe.
Mesmo quando não sabe dizer seu nome.
E talvez agora o papel seja meu:
ser memória por duas,
ser paciência por duas,
ser colo por duas.
O corpo pode esquecer.
Mas o amor não desaprende.
E isso, ninguém tira dela. Nem de mim.

As vezes olho o passado e vejo como era ingênuo. Importante processo de amadurecimento. Conheça a si antes da vida.
Primeiro aprenda, depois ensine. A vida é professor.

“O neurônio é pequeno demais para ser visto a olho nu, mas grande o bastante para sustentar o fio invisível da consciência.”
Do livro Neurônios — O Fio da Consciência: Neurônios, Ciência e o Limite do Humano, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.

"É melhor ficar quieto com suas conquistas do que falar e atrair olho gordo"




Ricardo Alexandre (meu pai)

Olho para o espelho e o que aparenta ver não é mais que uma mera figura de mim mesma voltada para o seu ser original, a mostrar aqueles grandes olhos que te penetram como armas mortíferas a julgar o teu ser. Depois reparas naquele cabelo que outrora estava pelos ombros e que agora nem é longo nem é curto; é o que nós chamamos de indefinido, como se tivesse indeciso se devia manter-se firme ao seu comprimento ou continuar a crescer, até que um dia algo o impeça. Cada vez mais a figura parecia-me mostrar um lado obscuro que outrora punha-me infeliz. Todos os dias parecia perseguir-me desde manhã à noite, bastava eu passar naqueles vidros sujos das montras cheios de partículas que provinham de lugares desconhecidos ou ao lado de carros, que diria estarem estacionados há anos, e reparar que esta observava-me sem hesitar.
Outro aspecto que me surpreendia nela era a sua confiança: no seu andar, no seu ser como se estivesse a tentar realçar algo que meramente faltava em mim. Quando dei por mim, estava apenas inclinada a olhar para o lago, perdida naquela água pouco profunda....

Olho para aquela sombra desgastada, magoada e falhada, que outrora tinha um mundo pela frente. Faço o esforço para sorrir para ela como se uma parte de mim pudesse alcançar a sua essência. Sei que em breve não estarei aqui para proclamar os factos da minha história, por isso sinto um dever de contar com a minha memória.


Escura, opaca, vazia era como me descrevia, deste modo as pessoas saberiam o que fazer. Procurar ajuda? Não! Erguer a cabeça e pensar, lembrar e memorizar.

O espaço à minha volta estava a ficar escuro e o que anteriormente era uma amiga agora desvaneceu-se na minha própria amargura. Seria este mais um castigo? – pensei eu sem razão para retirar esta conclusão.


Lá estava ela, pequena, tremida e esvanecida, procurei demonstrar preocupação, mas esta fintou os meus olhos com opressão. Era-me familiar este olhar, sentira-lo no momento em que me aproximei de um grande espelho junto à cómoda do meu quarto. Que confusão! – Constatei eu… afinal aquela sombra não era mais que a minha revolução.