Timetraveler

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Estendi-te a mão e perdi o coração. Acreditei na tua razão, e no fim fiquei a chorar em casa no chão. Foste mais que um abraço, um regaço e fizeste-me ver que apesar de perto, ⁠não estavámos no mesmo passo. Espero que as nossas memórias estejam no teu coração como era de esperar se tudo não tivesse sido em vão.

Contei-te o meu poder, revelei o meu ser, mas no fundo, a única certeza foi o permanecer.
Este sentimento tenebroso que envolve os meus ombros, controla os meus abraços e dicta as minhas lágrimas. Um sufoco silencioso, uma dor escondida e uma tentativa perdida.
Hoje jamais diria ser subjetiva, sem pensar duas vezes na minha vida. Portanto, tu, escuridão do meu dia, devolve a minha perceção e deixa esta fantasia.
Olho para aquela sala cheia de pessoas e a única coisa que me perturba, não é a presença de alguém, mas a falta de ninguém.
Procuro razões para o que fizeste, não sei bem no que te meteste, mas no fundo foste só mais um mestre.
A vida é dura e cruel, fecha os olhos e sê fiel. Perceberás que a sobrevivência não depende do teu poço, mas sim daquele esboço.

Olho para o espelho e o que aparenta ver não é mais que uma mera figura de mim mesma voltada para o seu ser original, a mostrar aqueles grandes olhos que te penetram como armas mortíferas a julgar o teu ser. Depois reparas naquele cabelo que outrora estava pelos ombros e que agora nem é longo nem é curto; é o que nós chamamos de indefinido, como se tivesse indeciso se devia manter-se firme ao seu comprimento ou continuar a crescer, até que um dia algo o impeça. Cada vez mais a figura parecia-me mostrar um lado obscuro que outrora punha-me infeliz. Todos os dias parecia perseguir-me desde manhã à noite, bastava eu passar naqueles vidros sujos das montras cheios de partículas que provinham de lugares desconhecidos ou ao lado de carros, que diria estarem estacionados há anos, e reparar que esta observava-me sem hesitar.
Outro aspecto que me surpreendia nela era a sua confiança: no seu andar, no seu ser como se estivesse a tentar realçar algo que meramente faltava em mim. Quando dei por mim, estava apenas inclinada a olhar para o lago, perdida naquela água pouco profunda....

Olho para aquela sombra desgastada, magoada e falhada, que outrora tinha um mundo pela frente. Faço o esforço para sorrir para ela como se uma parte de mim pudesse alcançar a sua essência. Sei que em breve não estarei aqui para proclamar os factos da minha história, por isso sinto um dever de contar com a minha memória.


Escura, opaca, vazia era como me descrevia, deste modo as pessoas saberiam o que fazer. Procurar ajuda? Não! Erguer a cabeça e pensar, lembrar e memorizar.

O espaço à minha volta estava a ficar escuro e o que anteriormente era uma amiga agora desvaneceu-se na minha própria amargura. Seria este mais um castigo? – pensei eu sem razão para retirar esta conclusão.


Lá estava ela, pequena, tremida e esvanecida, procurei demonstrar preocupação, mas esta fintou os meus olhos com opressão. Era-me familiar este olhar, sentira-lo no momento em que me aproximei de um grande espelho junto à cómoda do meu quarto. Que confusão! – Constatei eu… afinal aquela sombra não era mais que a minha revolução.