Olho

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Talvez muita gente tenha uma ideia prévia de mim.
Eu também sou assim.
Previamente olho para mim mesma,
para saber quem eu sou agora.
​O tempo todo eu me acho uma casa
que precisa estar sendo reformada,
todo dia por dentro.
​Um dia eu já fui um quarto sem luz, sem vento.
Hoje, eu já não sou assim!
​Quem me conhece no passado
precisa saber mais de mim.
​Nildinha Freitas

"SEJA QUAL FOR O CAMINHO, MEU OBJETIVO E TE FAZER SORRIR.
POIS TEU SORRISO FAZ MEU OLHO REFLETIR O BRILHO DO TEU." RCBG

“Quando olho para trás, vejo aquilo que já fui. Quando observo o presente, encontro a sombra de tudo o que vivi e a forma atual do que sou. Quando olho para o futuro, vejo uma projeção: aquilo que poderei me tornar. O passado fornece os erros, o presente lhes dá compreensão, e o futuro recebe as consequências das escolhas que faço agora. Assim, aquilo que vivi, somado à consciência do que sou, torna-se a matéria com a qual construo aquilo que quero ser.”

Crua identidade espelhada
Quando olho o caminho da alma, vejo uma paisagem movediça. Atravesso ela com demasiada calma. Vejo a poeira das memórias, cruzo a linha tênue do caráter. Navego por calorosas histórias. Transcendendo a consciência, Estou vendo lá de cima, o cume da vaidade. Me comove tamanha veemência.
Agora domino o horizonte ilimitado. Moralmente entendo seus princípios, e me afogo vendo tantas falhas.

Sou abrigo de um amor que não mora em mim;
ele olha para outra, enquanto eu olho para ele.
Somos desencontros caminhando juntos:
eu, querendo ser escolhida;
ele, querendo esquecer quem não o quis

olho pro céu a procurar
nenhum brilho lá se vê
triste 'star sem você

Fico esperando pelas suas mensagens,
Que sei que nunca vão chegar.
Ansioso, olho a todo momento
As notificações no celular,
Na esperança de algo seu aparecer.
E então percebo: realmente acabou.
Você se foi para nunca mais voltar.

Olho a hora:
é agora.
O dia começa,
mente, não me impeça.
Corpo, me ajuda
Saia da cama, desgruda.
Olho o agora:
É hora.
O primeiro passo.

Escrevo qualquer coisa,
sem pressa,
no calor do dia.
Olho o relógio,
já não tenho tempo.
Sinto a brisa do vento:
é a inspiração chegando.
De longe,
teu cheiro me alcança,
e o amor se aproxima.

A lucidez depende mais de como olhamos para o sol a pino: se com óculos escuros ou a olho nu

A forma de como lhe olho, é de quem olha o pôr do sol no olhar;

Choro


Choro pela vergonha que passo.
Com minhas mãos sobre meu olho,
pisco e sinto meus cílios a tocar-las.


Sentir algo ameniza o desgosto.
Conscientizo a existência da carne e do osso.


E no fim não respiro, eu sufoco.
Mesmo sentindo, eu duvido.
Mesmo chorando, eu questiono.


Percebo que a pele é a prisão.
Que prende o coração de querer,
de poder ser o alguém que deseja ser.

“O BOCA A BOCA É OLHO A OLHO”

NÃO JOGUE PALAVRAS AO VENTO. NÃO FIQUE CONTANDO SUA VIDA PARA TODOS. O OLHO GRANDE / GORDO ESTÁ EM TODOS OS LUGARES. CUIDADO.

Tem dias em que eu olho para trás e penso numa coisa meio curiosa, quase irônica, dessas que a gente conta rindo no café da tarde enquanto mexe o açúcar devagarinho. Desde pequena a vida parecia uma arena gigante, como se cada fase viesse com um teste novo, um daqueles que não dá para devolver para o professor dizendo que caiu conteúdo que ninguém explicou. E mesmo assim eu fui atravessando tudo com uma cara tranquila, quase elegante, como quem diz para o mundo que está tudo sob controle, quando na verdade por dentro existia um turbilhão inteiro discutindo filosofia com a própria sobrevivência.

Nunca contei quase nada. Não porque não existisse história, muito pelo contrário. Era tanto capítulo que dava para montar uma biblioteca inteira, daquelas silenciosas, onde só eu conheço o catálogo. E reclamar nunca foi muito meu estilo, não por heroísmo, mas porque as pessoas criaram uma versão de mim que parece feita de aço temperado. A tal mulher forte. Aquela que resolve. Aquela que aguenta. Aquela que sempre volta. E quando o mundo decide que você é forte, pronto, está oficialmente proibida de fraquejar em público, como se fosse uma regra invisível assinada numa reunião secreta da humanidade.

O curioso é que eu mesma comecei a acreditar nessa história. Não que eu nunca tenha cansado, claro que cansei. Só que eu aprendi a conversar comigo mesma como quem acende uma luz interna no meio de um apagão. Houve uma vez, só uma, que pensei em dividir o peso, abrir a caixa preta da minha história, mostrar as evidências, os fragmentos, os acontecimentos. E a resposta foi aquele silêncio estranho, ou pior, aquela frase que parece pequena mas faz eco dentro da gente por muito tempo. Não acreditam em evidências. E eu pensei, então está bem, talvez a minha prova não seja para convencer ninguém, talvez seja apenas para me manter de pé.

Engraçado como a gente descobre forças que não estavam no manual de instruções da vida. Eu fui percebendo que existe uma musculatura invisível dentro da alma. Uma espécie de academia espiritual onde cada queda vira um exercício novo. E ali, sem plateia, eu fui ficando mais resistente, não porque o mundo exigiu, mas porque alguma coisa maior sempre esteve comigo. Aquela presença silenciosa que não precisa de explicação, que aparece nos momentos mais absurdos da existência e sussurra, calma, continua.

Então eu continuo. Não enlouquecida, como alguns poderiam imaginar quando veem a quantidade de batalhas acumuladas desde a infância, mas curiosamente lúcida. Como quem atravessou tempestades suficientes para reconhecer o som da própria paz quando ela aparece. E tem uma coisa engraçada nisso tudo, quase uma ironia elegante da vida. As pessoas pensam que eu nunca precisei de ajuda. Mas na verdade eu sempre tive ajuda, só que veio de um lugar que não depende de aplauso, de aprovação ou de testemunha.

No fim das contas, eu sigo com essa mistura de força interior e fé silenciosa que me acompanhou o tempo inteiro. Como se eu estivesse caminhando por um mundo barulhento com uma bússola dentro do peito. E olha, posso te dizer uma coisa com aquela tranquilidade de quem já atravessou muita coisa. Quando a gente aprende a confiar nessa força que mora dentro da gente, o caos até tenta fazer barulho, mas já não manda mais na história. Porque a história, no fim, continua sendo minha. E eu ainda estou escrevendo.

Tem dias em que eu olho pra minha vida por fora e penso, pronto, desandou. Parece aquelas casas antigas que a gente vê passando de carro, com a pintura descascando, a janela torta, o portão fazendo um barulho suspeito de abandono emocional. Tudo meio fora do lugar, meio cansado, meio capenga. E aí, no meio desse cenário que facilmente renderia um drama mexicano, eu faço uma coisa quase subversiva: eu me olho no espelho.

E não é aquele olhar automático de quem só confere se o cabelo cooperou ou se a olheira já virou patrimônio histórico. É um olhar mais demorado, mais honesto, quase um inventário interno. E aí vem o susto: por dentro… está tudo bem.

É estranho, eu sei. A gente cresce achando que paz interior vem depois que tudo se resolve do lado de fora. Depois que o dinheiro entra, o amor se encaixa, os planos dão certo, o mundo aplaude. Mas a vida, essa debochada profissional, faz o contrário. Às vezes está tudo um caos do lado de fora, e ainda assim, lá dentro, existe um silêncio confortável, uma calma quase teimosa que insiste em ficar.

E aí vem o julgamento alheio, claro. Porque quando você não está desesperada o suficiente, o mundo acha que você desistiu. Quando você não está correndo igual uma louca atrás de tudo ao mesmo tempo, interpretam como falta de ambição. Como se paz fosse sinônimo de preguiça emocional. Como se estar bem consigo mesma fosse algum tipo de falha de caráter.

Mas eu descobri uma coisa meio libertadora, dessas que a gente não posta porque não dá tanto engajamento quanto um surto bem editado: nem toda calma é falta de vontade. Às vezes é maturidade. Às vezes é exaustão que virou sabedoria. Às vezes é só a consciência de que nem tudo precisa ser uma guerra.

Eu ainda quero coisas, claro. Ainda tenho sonhos, planos, vontades que cutucam. Mas já não é mais naquele ritmo desesperado de quem acha que precisa provar alguma coisa o tempo todo. Tem uma diferença enorme entre querer crescer e precisar correr o tempo inteiro. Eu continuo caminhando, mas sem me atropelar no processo.

E no meio desse mundo que vive gritando urgência, eu tenho aprendido o valor do que não faz barulho. Do que não aparece. Do que não precisa ser explicado. Porque no fim das contas, de que adianta ganhar o mundo e perder a própria paz? Parece frase de camiseta, mas quando a gente entende de verdade, muda tudo.

Então se por fora parecer que está tudo meio bagunçado, mas por dentro existir esse lugar tranquilo, não se assuste. Talvez você não esteja atrasada. Talvez você só esteja, finalmente, no lugar certo dentro de si mesma.

Eu confesso que às vezes eu olho pra esse tal “sistema” como quem olha pra um vizinho fofoqueiro que sabe demais da vida alheia, mas nunca lava a própria louça. Ele sempre aparece quando dá errado, sempre tem uma narrativa pronta, sempre tem um culpado conveniente. E, curiosamente, esse culpado quase nunca é humano. É sempre algo maior, inalcançável, impossível de confrontar. Deus vira o bode expiatório perfeito, porque não responde no WhatsApp, não dá entrevista e não abre processo por difamação.


E eu fico pensando, com a minha xícara de café meio frio na mão, que existe uma certa preguiça intelectual nisso tudo. Porque culpar o divino é confortável. Me tira da responsabilidade. Me absolve antes mesmo de eu admitir culpa. Se o mundo “resetou”, se civilizações caíram, se tudo foi destruído e recomeçado, talvez seja menos sobre um botão secreto sendo apertado lá de cima ou por um sistema invisível… e mais sobre o fato de que a gente, como humanidade, tem um talento quase artístico pra repetir erro com convicção.


Eu, sendo bem honesta comigo mesma, vejo esse discurso como um espelho meio distorcido do nosso medo. Medo de perder o controle, medo de evoluir e não saber lidar com o que vem depois, medo de olhar no espelho coletivo e perceber que, muitas vezes, somos nós mesmos os agentes do caos que tanto tememos. Porque é mais fácil acreditar que existe uma força manipulando tudo do que admitir que talvez a gente ainda não aprendeu a conviver com o próprio poder.


E sobre Deus… eu penso nele não como um destruidor impaciente, mas como algo que observa, talvez até silenciosamente cansado, essa nossa mania de terceirizar responsabilidade. Porque, se existe criação, também existe continuidade. E destruir tudo repetidamente seria mais uma falha de projeto do que um plano divino. E, sinceramente, eu não consigo acreditar em um criador que erra tanto quanto a gente erra tentando explicar Ele.


No fim, essa ideia de “reset” me parece menos um evento externo e mais um padrão interno. A gente constrói, complica, corrompe, colapsa… e recomeça. Não porque alguém apertou um botão escondido, mas porque ainda estamos aprendendo, tropeçando, insistindo em não aprender, e chamando isso de destino.


Talvez o verdadeiro sistema não seja uma entidade secreta, mas um ciclo de comportamento humano que se repete com nomes diferentes ao longo do tempo. E talvez a maior rebeldia não seja lutar contra esse sistema invisível, mas simplesmente evoluir de verdade, quebrar o padrão, sair do roteiro.


Mas isso dá trabalho, né? Muito mais do que culpar Deus.

Às vezes eu olho para o mundo e sinto um peso difícil de explicar. Abro as notícias e encontro guerras. Entro nas redes sociais e encontro agressões. Vejo pessoas humilhando outras por diversão, animais sofrendo por crueldade, famílias destruídas por egoísmo, e me pergunto: em que momento nos afastamos tanto daquilo que poderíamos ser?

Quando olho para a minha história, percebo que o que mais me marcou não foi apenas a violência que vivi.


Foi a quantidade de responsabilidades que colocaram sobre os ombros de uma criança.


Uma criança deveria estar preocupada em brincar, estudar, fazer amizades e descobrir o mundo. Eu não tive esse privilégio. Desde muito cedo precisei aprender a sobreviver.


Aprendi a reconhecer sinais de perigo antes mesmo de entender muitas outras coisas da vida. Aprendi a identificar mudanças de humor, ameaças e situações que poderiam terminar em violência. Aprendi a proteger meus irmãos quando eu mesma precisava de proteção.


Durante muito tempo, enxerguei isso como força.


Hoje entendo que essa força nasceu da necessidade.


Eu não escolhi amadurecer cedo.


Fui obrigada.


Eu não escolhi me tornar protetora.


Fui obrigada.


Eu não escolhi carregar preocupações de adultos quando ainda era uma menina.


Fui obrigada.


Eu não escolhi conhecer o medo antes de conhecer a segurança.


Fui obrigada.


E talvez seja por isso que, ao longo dos anos, eu tenha desenvolvido uma capacidade enorme de resistir.


Mas existe uma diferença entre ser forte e ser forçada a ser forte.


Muitas pessoas elogiam a resistência de quem sobreviveu. Poucas percebem o preço que foi pago para construí-la.


Mesmo assim, existe algo que me traz paz quando olho para trás.


Apesar de tudo o que aconteceu, eu não permiti que a violência definisse quem eu me tornaria.


Poderia ter reproduzido o mesmo ciclo.


Poderia ter me tornado uma pessoa amarga.


Poderia ter passado adiante toda a dor que recebi.


Mas escolhi outro caminho.


E talvez essa seja uma das minhas maiores vitórias.


Com o passar dos anos, percebi que a minha luta não era apenas por mim.


Era também pelos meus irmãos.


Eu sabia o que estávamos vivendo. Sabia o quanto aquilo nos destruía por dentro. Sabia que, se ninguém fizesse algo, aquela realidade continuaria se repetindo.


Por isso, quando finalmente consegui me afastar daquele ambiente, uma parte de mim nunca desistiu de ajudá-los a enxergar que existia vida além daquele sofrimento.


Hoje, quando digo que me sinto com a missão cumprida, não estou falando de perfeição.


Estou falando de liberdade.


Porque para quem cresceu em um ambiente saudável, liberdade pode significar muitas coisas.


Mas para mim, liberdade sempre teve outro significado.


Liberdade é dormir sem medo.


Liberdade é não ouvir gritos.


Liberdade é não viver esperando a próxima ameaça.


Liberdade é não precisar olhar para trás o tempo todo.


Liberdade é poder respirar em paz.


Durante anos eu vivi em estado de alerta.


Hoje eu vivo em estado de gratidão.


Não porque o passado deixou de existir.


Não porque as cicatrizes desapareceram.


Mas porque finalmente compreendi que sobrevivi.


As marcas continuam em meu corpo.


Algumas lembranças continuam em minha mente.


Mas aquilo que tentaram destruir permanece vivo dentro de mim.


A minha fé permanece.


A minha capacidade de amar permanece.


A minha esperança permanece.


A minha vontade de viver permanece.


E quando olho para os meus irmãos livres daquele ambiente, percebo algo que me emociona profundamente.


Nós conseguimos.


Depois de tantos anos de medo, dor, lágrimas e sobrevivência, nós conseguimos.


Eles marcaram partes da nossa história.


Mas não conseguiram escrever o nosso destino.


Hoje, eu não sou mais a menina que vivia esperando a próxima tragédia.


Sou a mulher que atravessou a tempestade e permaneceu de pé.


E isso ninguém jamais poderá tirar de mim.

Amiga!

Quando eu olho em teus olhos,
Eu sinto na minha alma, eu percebo,
Que tu és a metade que me falta.
Sonho em me dar todo para ti um dia!
Se colocares tuas mãos em meu peito,
As batidas de meu coração confirmarão o que te estou a dizer.
Sei que não existem chances em viver em teu coração,
Mas pelo menos entende o que tu representas para mim!
Eu adoraria ser o homem,
A te dar tudo aquilo que sempre sonhaste todos os dias e todas as noites,
Mas mesmo assim eu vou amar-te por toda minha vida.
Eu jamais vou conseguir mudar o mundo,
Para conseguir fazer de ti a minha garota.
Mas para mim é suficiente,
Saberes que és a mulher que eu amo.
É bom sonhar a minha vida, pois vivê-la assim é viver-te nos meus sonhos.
Pode ser que um dia Deus me olhe lá de cima,
E me dê outra chance de ter-te.
Se por acaso passares por algum lugar para onde já passamos,
Encosta teu ouvido num pequeno buraco de um muro,
Quem sabe ouvirás uma vós a dizer: Eu ainda te amo!
Se nada ouvires, sorri pelo menos,
Pois eu estava a sonhar!