O que Nao Elabora se Repete Freud
A serenidade não consiste na ausência do caos, mas na conquista de um centro que o caos já não consegue deslocar.
O tempo passa depressa demais. Às vezes, é preciso parar e olhar ao redor para não perder aquilo que o tempo leva consigo.
O cristão é aquele que, tendo aprendido a amar as próprias correntes, já não as reconhece como grilhões, mas como promessa de liberdade.
Como deve o Estado constitucional tratar aquilo que a ciência não pode provar, a religião afirma pela fé e o Direito não pode transformar em verdade oficial?
A verdadeira liberdade não consiste em escolher entre verdades prontas, mas em conservar o direito de questioná-las.
A razão frequentemente chega depois da paixão, não para governá-la, mas para lhe redigir a sentença, conferir-lhe aparência de verdade e, quando necessário, convertê-la em norma.
O homem não é governado apenas pelas leis que o Estado escreve, mas pelas paixões que a consciência oculta; frequentemente, a razão apenas fornece ao desejo a linguagem sofisticada com que ele se absolve.
“Entre a liberdade da consciência e a força do poder ergue-se o Direito, não como simples arquitetura de normas, mas como fronteira moral além da qual nenhum ser humano deveria ser convertido em instrumento de outro.”
A razão não reina sobre o homem; muitas vezes apenas redige, em linguagem lógica, os decretos secretos de suas paixões.
A experiência não nos entrega a necessidade das coisas; oferece apenas a repetição de seus vestígios e nos deixa preencher o abismo com expectativas.
A natureza não assina contratos com nossas teorias; somos nós que, depois de observá-la, redigimos leis para tentar domesticar sua indiferença.
A beleza não repousa nas coisas como uma propriedade imóvel; nasce no encontro secreto entre o objeto e a consciência que o contempla.
A imaginação constrói pontes sobre abismos que a razão reconhece, mas que a vida cotidiana não pode esperar que permaneçam sem travessia.
Não é a ausência de respostas que assusta o homem, mas a possibilidade de que o universo não tenha obrigação alguma de fornecê-las.
O ceticismo não destrói o mundo; apenas retira dele algumas certezas que havíamos confundido com paredes.
O casamento não necessariamente extingue o amor; às vezes apenas substitui o mistério que o alimentava pela familiaridade que o administra.
A crítica não destrói a razão; coloca-lhe fronteiras para que ela não transforme sua própria luz em cegueira.
Uma sociedade verdadeiramente civilizada não pergunta apenas o que pode fazer com o indivíduo, mas aquilo que jamais deveria fazer dele.
A liberdade não é fazer tudo aquilo que desejamos; é não permitir que nossos desejos se convertam em senhores absolutos de nossa vontade.
