O Amor é como o Vento
Minha alegria esteve na simplicidade da terra úmida, no vento desgovernado que interrompera a minha banda musical, no passageiro invisível que vinha sempre ao meu encontro. Quem me via muitas vezes sozinho, não sabia a alegria que eu dera através da imaginação. Eu sorria, falava, reclamava, agradecia, e como de costume abria a porta na entrada e na saída.
Aos queridos passageiros que um dia cessaram viagem comigo, vos agradeço por nunca terem me deixado brincar sozinho, por cada ensinamento que me foi passado no silêncio, por todo amor que recebi do que aparentemente não existia. Vocês me ensinaram a amar além da visão, a tocar a alma dos que vivem, a chorar as lágrimas que viam do coração.
Eu estava dançando descalça com o vento entre terra firme e a água fria do rio São Francisco em pleno fim de tarde de uma sexta-feira, eu girava com aquele vestido azul, aquele que adorava, e a cada rodada que eu dava mais parecia ser a última, e a criança que habitava dentro de mim se pôs naquele momento liberta, agora se encontra correndo atrás daqueles sonhos perdidos, a felicidade estampada no rosto ecoa agora no peito num ritmo interminável de completude insana.
Posso sentar aqui e admirar a beleza ser engolida pela vasta escuridão da noite, mas antes de findar apenas me deixe ficar mais um pouco, não quero perder nenhum segundo o show de cores que vem por aí nesse céu gigante.
Posso deitar minha cabeça em suas pernas, enquanto me conta sobre seus sonhos, estou sentindo a brisa abraçar meus pés como uma mãe abraça um filho, apenas acompanhe comigo a viajem das nuvens pra chegada das pequenas estrelas, se quiser cantar sinta-se em casa, mas não vou prometer manter-me acordada, porque o que eu quero mesmo é me perder na infinidade desse sonho.
Então eu saí saí com um só pensamento Navegar por onde o vento me levar
Deslizando nas maiores ondas que a vida apresentar a mim
Sai!
Deixei lá as tristezas desamor e incertezas
Trouxe na mala a amizade os aprendizados e a saudade
Saudade dos momentos felizes de trabalho suor sorrisos fáceis e verdadeiros
Dá comida boa que alimentava o corpo e a alma
Saudade do abraço gostoso da fala alta e do café à vontade
A vontade que dá é de estar lá de novo
Falando minhas bobagens só para ver o sorriso no rosto do povo
Que pena que hoje não é outrora
Vou tentar seguir em frente carregar o que foi bom na mente
E focar em viver o agora.
Só posso agradecer e seguir...
Ontem eu te vi, e o vento sussurrou segredos sobre o que poderia ter sido, enquanto as sombras do passado ganhavam vida mais uma vez.
Agradeço ao vento que trouxe o verso com o seu perfume
Agradeço ao tempo que passa e nos une
Mas o futuro não gosta da certeza
Enquanto você desafia a natureza do estar
FIM DA PRIMAVERA
Foi num alvor assim. Sussurrava o vento
E o meu coração apático sentia a aragem
No céu carmesim, do raiar em nascimento
O sol lumiava a manhã, tão bela imagem
Desfolhava o odor do jardim, doce alento
A derradeira rosa, aparatava a paisagem
Na aurora do cerrado, lustroso momento
E o meu pensamento em ilusória tiragem
E eu, sonhando, ali sonhava pela metade
Duma saudade sentida, o sentir saudade
E tendo junto de mim o amor em espera
E as flores derradeiras, no espaço solto
Num murmurar, tu disseste: vou e volto
E não voltaste! Foste com a primavera!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
09/10/2021, 06’01” – Araguari, MG
Incerteza
Pergunto ao vento que vem
Me dê notícia do meu bem
E o vendo se cala, aquieta
O vento diz nada ao poeta
Pergunto a ilusão que passa
Por que toda essa negaça
Por que tanto sonho ao chão
Me diz, toda está servidão
Por nada, não me diz nada
O cerrado de boca calada
A quimera quieta no canto
E a poética sem um encanto
E a quem perguntar então?
Ao desencontro, a desilusão?
Ao tempo que fugaz passa?
Ou incerteza com tal negaça?
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
13 de outubro de 2021 – Araguari, MG
O tempo sopra o vento na minha canção e a chuva fina que cai lá fora, são as lágrimas que molham a terra e as minhas plantações cresceram pois as minhas lágrimas que caem, caem de emoção.
Ouço o vento e rumores de pessoas resmungando que está frio e gelado, tudo o que sinto é o verão em meu coração e este é insuperável.
De repente, um vento bate levemente seu rosto. E com essas maravilhas de querer amar, tentam te criar asas e te levar às nuvens. O Sol? A luz. Ela é tão forte quanto o oceano. E sabe aquela de farol de beira de mar? A nossa vai mais longe ao horizonte. Acredite.
Brota, a bela flor
o vento espalha seu aroma
lhe envolve com seu manto
prestigiando sua presença
Decorrem as estações
avigoram-se as raízes
registra momentos, doces encantos
enquanto a ternura reluz, brilha o sol
Retorna o vento
de suave, torna intenso
seca as folhas, bambeia o haste
e as pétalas cobrem o chão
É o rigor do inverno, dominando
afasta a cor, atrai gotas de dissabor
nas profundezas da terra, esconde a bela flor
Um raio de luz penetra a escuridão
Vem surgindo a primavera
com novos momentos, novos sabores,
regozijando corações
O céu a terra e o mar vou percorrer pra te encontra o sol a lua e o vento por você guardei um sentimento que pode vir com o tempo se transformar em meu sofrimento corro risco de para no tempo ser jogado contra o vento e ser esquecido no relento vivendo sempre triste por um momento até alguém me fazer sentir um chama de sentimentos que só o tempo vai dizer que é verdadeiro e com o olhar voltado para a escuridão você pode ter em suas mão a chave para meu coração!
ouvi a voz do vento a me chamar oscilando as cortinas da janela do meu quarto, reparei a lua e ela estava coberta por nuvens negras sem poder me inspirar, sem poesia, sem nada, pois a lua em sua infidelidade acariciou os instantes e fez de uma noite qualquer, o beijo daqueles apaixonantes quando eu olhava pra noite esperando ouvir palavras delirantes e ao despertar vi o sol ao romper o horizonte com tristeza, sem noite,sem lua e sem estrelas...
as desoras à deriva
de costas ao vento e ao relento o seu arrego
chorar por ti não devo
e de você que meu amor desista
As folhas de Outono me lembram seus olhos
A brisa do vento me lembra tua voz
Nomearia o céu estrelado luar com o seu nome
Quando fecho os olhos é o teu abraço que eu procuro
Decoro cada traço do seu rosto pra te encontrar nos meus sonhos
Eu dançaria com o seu fantasma na chuva
Beijaria as gotas pensando na sua
boca.
'VENTO'
O vento que tanto nos faz bem deixa rastro
Análogo, coisas boas e ruins passam
Assim como a capacidade se esquiva
O dito amor que não sabemos deixa
Trancada sempre próximo
O que nunca se achou
A verdade e o vento são ventanias
Daquelas que não soubemos explicar
E o vento sempre vem
Já não é o mesmo
Tem outro sentido
Deixa tudo novo
Mais perdido
Sei lá
