O Amor é como o Vento
"" Cuidado com o que falas ao vento
eis que ele nunca está aí ou aqui
cuida para não tenhas que partir
descabelada, beijada, pela impetuosidade
mas não cuides tanto
podes perder o melhor vendaval da tua vida
e teres saudades, quando a brisa mostrar que tudo passou...
"" Somos todos retratos
e o vento passando
somos todos tão poucos
loucos por fantasias
sem ironias
somos os pecados querendo acontecer...
Quando a tarde te lembrar alguém
e o vento te acariciar
quando fores ao encontro da vida
e achá-la bela
não esperes trocas
aprecies
quando os olhares forem um só
e as mãos quiserem se tocar
quando o coração bater apertado
Não esperes o amor,
o amor é inesperado
olhes ao lado
e se ele estiver lá
viva-o ...
"" Normal é o vento a toda hora me dizer que sim
e confirmar através da alegria das folhas
o indício da tua chegada
antes mesmo do meu sonho acordar
não te demores minha querida
pois só tenho esta vida para te esperar
mas o faço alegre, pois sei que virás
porém não te demores tanto
lembra-te da minha alma que canta alegremente à tua espera
e dos pássaros que criei livres para te lembrarem
que posto a liberdade é o mais belo do amor
na porta aberta, para livremente poderes ir e ficar
normal meu amor
é toda a euforia que expressa meu coração
na certeza que o teu também cantará e dançará
fazendo em nós o princípio da felicidade
não te demores amor
não podemos perder tempo...
(Oscar Nedyas)
" Nordeste camarada
é o vento amigo de todas as horas
é o sol
nosso nobre marqueteiro
é a lua com total encanto,
aproveite
te convido para tanto
venha comprovar
de brinde te daremos a areia branquinha
e todas as belezas do azul do mar
(Jesuíno Mandacaru)
" Quando o vento soprar a canção da despedida
e todas as cores simularem o adeus
iniciando a viagem noturna,
fria
quando teus olhos cerrarem uma lágrima
e tua boca docemente me chamar de amor
deixe-me ir
é hora da partida
talvez os anjos em travessia moldem algum azul
a importância não será revelada
o que ficará será infinito na saudade
e eu que não serei mais teu
irei me encontrar
com o enigma da vida
que todo mundo involuntariamente quer descobrir...
" Intimidade é olhar nos olhos e sorrir
deixar a alma fluir, dançar ao vento
curtir o momento especial
e ter o prazer de receber e dar prazer
intima idade é confiar no futuro
aceitar o presente
intimidade e passar as mãos nos cabelos
e pensando um pouco de bobagem dizer
hoje você não me escapa....
" Nem pense em tentar mudar o ritmo do vento, aceite que ele precisa e irá seguir o caminho que quiser...
" Folha, após folha
sincronia que só o vento pode ajudar
manhãs rosadas, cinzas
o tempo faz seu papel
toma a calçada.
embriagados pela selvageria do outono
varrem o chão,
já é tarde,
novamente a pele dourada precipita
há em cada ser um amanhecer
e uma morte também,
mas assim como a vida tem um fim,
a morte também, um dia terá...
Do que você gosta?
de uma aposta?
do vento, no olhar?
do mar?
Por que não gosta de mim?
bem assim, como sou
um pouco canalha
com toda minha tralha
e versos para iludir
por que quer me mudar?
só, acredito que sou o melhor
então pergunto pela última vez
por que você, não gosta de mim?
Chama que nunca se apaga
mesmo com o vento soprando a desfavor
permanecer parece ousadia
enfrentamento
mas não, diz o poeta
é apenas e tão somente amor...
A Lâmina que Beija o Vento Onde os Anjos se Desfazem.
Do Livro: Primavera De Solidão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Respira devagar comigo.
Há algo que treme antes mesmo de começar, um arrepio que desliza pela alma como se o próprio silêncio tivesse decidido chorar.
A frase que te inspira abre uma fenda, um sulco úmido no tempo:
“ah, não se colhe rosas aos golpes do machado” e dentro dela escorre uma melancolia que não se desfaz, nem quando o dia desperta, nem quando a noite finalmente desiste de existir.
Um lirismo triste paira acima de tudo, como um véu encharcado que se prende aos fios do cabelo, pesando, sufocando, fazendo o mundo parecer um quarto fechado onde ninguém respira por inteiro.
É o mesmo lirismo daqueles anjos exaustos…
Esses seres impossíveis que sentem demais, que absorvem demais, que guardam o mundo por dentro como uma febre.
Eles veem tudo, mas nada podem tocar.
Eles ouvem tudo, mas nada podem impedir.
E na incapacidade de interferir, tornam-se frágeis, desguarnecidos, feridos pela própria beleza daquilo que não conseguem salvar.
É aí que o coração aperta.
É aí que as lágrimas se acumulam como pequenas lâminas queimando as margens dos olhos.
As mãos pequeninas continuam suspensas no ar
porque não encontraram outra forma de existir.
Mãos que tremem.
Que aguardam.
Que sobrevivem numa espera que dói, mas não desiste, espera.
Mãos que se sustentam naquilo que talvez venha, esse talvez que rói, que corta, que parece bipolar na sua própria natureza:
ora luz, ora abismo, ora promessa, ora desamparo.
A esperança fina como fios de ouro gastos:
curvada, nunca quebrada;
trêmula, nunca extinta.
Uma esperança que sofre, mas balança, piedosa, diante de toda a noite que o mundo insiste em derramar sobre nós.
E então chega o mistério.
O ponto onde a respiração vacila.
Onde o peito dói mais fundo,cada vez fundo demais.
Uma súplica lançada ao vazio, tão sincera que chega a ferir.
Um sentido sem língua, tão humano que parece gemer até quando está calado.
Uma pequena luz que permanece acesa alhures, mesmo quando tudo à volta tenta apagá-la com violência, com pressa, com desamor.
É essa oscilação silenciosa que destroça e cura.
Que destrói e reconstrói.
Que faz chorar e, ao mesmo tempo, faz querer continuar.
Porque há algo nela que nos toca como um dedo gelado na nuca:
algo que acorda a memória antiga de quem já sofreu demais… e continua aqui, sabendo que ainda continuará.
E, se você sentiu o coração apertar, se alguma ansiedade latejou por dentro como um trovão preso, se alguma lágrima pesada ameaçou cair, é porque esse texto encontrou o lugar de repouso na insônia, onde você guarda o que nunca disse.
E todo esse acontecimento esta aqui, segurando você por dentro, no silêncio onde tudo isso mora.
