Nunca Diga que Ama uma Pessoa
"Posso te fazer uma pergunta?" é uma das frases mais imbecis já inventadas: a pessoa já acabou de fazer uma pergunta sem pedir permissão alguma, apenas para perguntar se está autorizada a fazer mais uma. É a burrice pedindo licença para continuar.
Uma pessoa inteligente não acredita no que deseja que seja verdade, mas no que a lógica e os fatos permitem concluir.
A vida não é uma competição para descobrir quem é mais feliz. Uma pessoa pode ser extremamente feliz e, ainda assim, ser um fracassado, um canalha, um pobre ou alguém profundamente doente. A felicidade, por si só, não salva ninguém nem torna ninguém uma pessoa melhor.
Nenhum algoritmo deveria conhecer o destino de uma pessoa melhor do que a própria pessoa pode contestá-lo.
Toda pessoa possui uma vida interior que nenhuma plataforma deveria transformar em propriedade estatística.
“Toda pessoa carrega consigo uma pergunta que nenhum tribunal pode ignorar: por que minha existência valeria menos que a sua?”
Prender uma pessoa pode proteger a sociedade; compreender por que ela se tornou perigosa pode proteger a sociedade futura.
Uma pessoa não pode ser reduzida à estatística de suas próprias escolhas sem que alguma coisa essencialmente humana se perca na tradução.
Quem controla a narrativa de uma pessoa pode não controlar sua vida, mas pode alterar profundamente o modo como os outros a enxergam.
No fim de toda comunicação existe uma pessoa; no fim de todo Direito existe a obrigação de lembrar que essa pessoa jamais deve desaparecer atrás do consumidor, da audiência, do usuário, do perfil ou do dado.
“Toda vez que o poder transforma uma pessoa em meio para seus próprios fins, o Direito é convocado a lembrar ao mundo que a dignidade humana não é instrumento, propriedade nem concessão: é limite.”
Nenhum Estado, religião ou maioria deveria transformar uma pessoa em instrumento de uma finalidade que ela própria não poderia racionalmente reconhecer.
Talvez o amor seja uma de nossas escolhas mais arbitrárias: encontramos uma pessoa entre milhões e damos ao acaso o nome de destino.
A criança não é um adulto defeituoso; é uma pessoa em formação, cuja educação precisa respeitar o tempo, a experiência e as características próprias de seu desenvolvimento.
