Nosso Amor como o Canto dos Passaros
Perdão por não ter tido a confiança que vc me confiava, quando enxerguei a vida ela tinha perdido o sentido, eu jarro vazio posto ao canto pela zeladora clemente, minhas mãos trêmulas, as roupas não me cabiam mais, gratidão pelo solidariedade, mas não diminui a dor que sorvo, engulo, sigo aqui nesse canto sabendo que nunca vou esquecer as rotas do seu corpo e minhas mãos passeando sob o seu penhoar, vc despertando e eu percebendo que um mundo me esperava, hoje olho pra frente, mas não tem sonho novo. Irineu dias dias
Ó Mama África!
Tu que vistes teus filhos serem arrancados dos teus seios.
Sentiu o estalo do chicote que ardia feito fogo,
No tronco eram castigados, sem mesmo serem culpados,
Só queriam liberdade para todos.
Ó Mama África!
Teus filhos ainda sofrem o mesmo castigo,
São marginalizados, desvalorizados, oprimidos...
Mas tu ensinastes teus filhos a ter resistência,
São guerreiros natos,
E jamais esquecem sua essência,
Ó Mama África!
Teus filhos vêm reconstruindo a história,
Lutando por liberdade.
Tem um preto em cada canto do mundo, Transformando a sociedade
Quando escrevo algo, frequentemente penso que aquilo é muito importante e que eu sou uma grande escritora. Acho que acontece com todos. Mas há um cantinho de minha alma onde sempre sei muito bem o que eu sou, isto é, uma pequena, pequena escritora.
ventos da primavera
De beleza primaveril
Trazendo a leveza das cores
Dos tons triste do frio inverno
Para a alegria das cores
Em ti reluz a pureza da rosa
Ao sabor dos ventos que traz as sementes para um novo amanhecer.
Deusa da primavera
Em ti está escondida todas as beleza de uma estação.
De gestos pudico, tão leve como o vento, que passa acariciando uma magnólia.
A timidez como pintura, sim, uma Vênus de botticelli, sendo soprada com ventos de zephyros e coberta com rosas de flora.
Tendo a luz do sol para revelar todo o seu esplendor.
Trazê nos a alegria das flores
Os cheiros da primavera
Os sons alegres dos pássaros.
Em ti está todas as belezas da natureza.
Por mais revoltante e solitária que seja sua vida, a pessoa que tiver a música em seu coração jamais estará sozinha!
Outra vez
Luz forte que a tudo ilumina,pessoas passam,
cumprimentos são dados.
Assim a noite se inicia.
As horas caminham, a animação aumenta, pares pelos
jardins passeiam.
Pelos cantos do salão, caminho, procuro ver se acho
a quem particularmente à mim interessa.
Ando por todos os lados, nada vejo.
Quem sabe não viestes.
Mandastes à mim o convite na certeza que eu viria,
e acertastes.
Eu continuo o mesmo, na intenção de poder te olhar.
Fazes de mim, alguém que te quer há um canto ficar.
Alguém, que mais uma vez, sozinho ficou.
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista de Letras Artes e Ciências
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E
Eu vi um pássaro; cantava a minha janela, no bico tinha rosas e cores, nas asas desenhos da lua e mar. Cantava a música de nós, trazia lembranças no canto ! Eu vi um pássaro; falava em versos, declamava poemas, sonhava. Tinha teus olhos e tua boca, brincava de amar...tinha poesias escritas nas penas, saudade no olhar !
BEM-ME-QUER(O)
De todos os pesares
O mais leve é saber
Que equilibro soluço e canto
Enquanto despenteio flores
bem-me-quer, mal-me-quer
bem-me-quer, mal-me-quer
De todos os panos
Torço e contorço os fios
Para que escorram em minha pálpebra
Encantos de mais uma história
bem-me-quer, mal-me-quer
bem-me-quer, mal-me-quer
Como posso despentear flores
Se em minhas palmas
Cheia de mapas desertos
Eu tenho é dente-de-leão?
bem-me-quer, mal-me-quer
bem-me-quer, mal-me-quer
Se bem me queres
Mal consegues saber
Que bem lhe peço
Ao orixá que tu tanto rogas
Que lhe perdoe
Por ser mais pedra
Do que mar
bem-me-quer, mal-me-quer
bem-me-quer, mal-me-quer
E as minhas pétalas
Que caem tanto quanto os teus fios
Mordem os endereços de nossos abraços
Desertando panos e lençóis de algodão
E as pedras são as mesmas
Ainda que vento só sopre o nunca e nucas
Só se basta o que foi bastante
Seguro em minhas aspas e grito:
bem-lhe-queira, bem-me-quero
bem-me-queira, bem-lhe-quero
As vezes canto, as vezes fico num canto e outras vezes quando canto, encanto. Porque cantar sempre faz bem
Cantar
Cantar os sonhos,
A alegria, e a dor,
Cantar os segredos da vida,
Cantar os enredos,
Encantar, e cantar o amor.
Da formosura da primavera
Fazer uma bela canção!
Cantar também a frieza do inverno,
A fraqueza do outono,
E a leveza do verão.
Cantar com força,
A melodia da esperança.
Por harmonia na própria fé,
Afinar bem os instrumentos da alma,
E cantar,
Cantar com o coração,
Cantar com a alma,
Cantar com inocência,
Como canto de criança.
Jandaias
Canto das jandaias, ouço de dentro do meu quarto.
Janelas abertas, para um final de domingo tranquilo
A TV desligada, o trabalho realizado, o amor presente
Minha filha na sala, o soninho de uma noite perdida
Alegra-me tudo, mais leve a vida ao som do canto das jandaias!
Em cada canto escuro
Vejo minha solidão
À espreita
Esperando minha volta pra casa
Aonde ela não se esconde
Me abraça
Me toma
E me domina
Porque eu já à conheço
E ela...
E ela já me tem!
Mas se há angústia em todo ser que vive
Só cumpro a regra de existir, que agride
Mas não sou louco, poeta, nem santo
Apenas canto, e desafino triste.
As vezes me aquieto num canto. Não por preguiça, nem por covardia e nem para não sair da minha zona de conforto.
Mas, para aquietar meu coração, acalmar a minha alma e a minha mente, as vezes tão barulhenta.
Não posso ser útil para alguém se não estou fazendo bem pra mim.
Silencio-me para fugir dos inconvenientes.
Silencio-me para não me sufocar com as palavras que mal ditas me tiram o ar.
A vida precisa de pausas, de recuos, de saídas.
E o silêncio é uma delas.
26/06/2018
