Naufrágio
Naufrágio
Não nego
no leito
um trago
te entrego
na palma
da mão
a alma
sossego
no peito
me acalma
no leito
da palma
da mão
um afago
com calma
Naufrago
no lago
da alma
e apago.
Naufrágio
Em meu barco em alto mar me arrisco em seu mar navegar.
Sem a bússola pra saber a direção, guiado apenas pelo coração.
Ondas lindas e visão de prazer, mas a noite cai e ao entardecer, me assusto com as marés altas, chego a temer!
O maneio ao navegar, arrisco minha vida em alto mar, toda essa agitação assusta meu pobre coração.
Me precipito ao pular antes do barco vir a naufragar, mas esqueci-me de que é um raso mar, logo me machuco e venho a me despedaçar.
Naufrágio em Mim
Minha cama vira barco
quando a noite se estende
como um oceano sem margens,
e minhas lágrimas desenham
rotas incertas na pele
de um horizonte que nunca chega.
No grande vazio
onde o silêncio ecoa,
não sei para onde navegar.
Sou marinheiro de olhos fechados,
tateando as ondas com mãos vazias,
e a bússola que carrego
não aponta o caminho
para lugar algum.
Sinto fome,
uma ânsia que não cabe
no peito salgado de mágoas.
Dê-me de comer,
mas que seja algo
além desse vazio repetido,
além desse sal que corta a boca
e engasga meu grito mudo.
E quando tudo se perde
no mar que me afoga,
ele é meu único refúgio,
porto improvisado
nas águas turvas do medo.
Sua voz é como farol
que rompe a escuridão,
e eu, à deriva,
me deixo ser salvo
pela calma que ele traz,
pela promessa de terra firme
onde meu corpo cansado
possa, enfim, descansar.
Então, quando o calor de sua mão
toca minha pele fria,
a tempestade se dissolve
como névoa ao amanhecer.
A luz que ele lança sobre mim
é cais onde meus olhos secos
desaguam esperanças.
E no balanço desse barco incerto,
encontro o ritmo da paz
que tanto busquei
nos ventos que me arrastaram.
Naquele porto improvisado,
eu sou embarcação que cansa,
ancorando meus medos no peito
de quem não teme minhas águas.
Ele, farol e cais,
é o norte que escolhi seguir,
a promessa de que, mesmo à deriva,
há um destino além da tormenta,
um abraço onde o barco repousa
e meu naufrágio se desfaz.
Teus lábios são o néctar
em que me perco
vida abaixo...
na busca pelo naufrágio
me entregando ao desejo
teus lábios são as fontes
em que enfio meus sonhos
meus pudores...
no deleite dos licores
me entregando a lampejos
teus lábio são pitadas exatas
em que enfio meu coração
minha felicidade...
na busca pela cumplicidade
me entregando a cortejos
teus lábios são o brilho da manhã
em que me entrego
por inteiro
no encontro de teus beijos aventureiros
me entregando a gracejos
Mario de Almeida
o poeta castanhalense
Estamos afundando baby
Mas não somos qualquer naufrágio
Somos o titanic
E toda a tragicidade
Me faz odiar o final
Mas amar o filme
Porque o final
Não consegue apagar a beleza de todo o resto
A Rosie conheceu jake
E isso talvez já valha uma vida inteira
A nós
Contemplo a arte que criamos
E saiba que ainda que seja um naufrágio
Daria sempre um jeito de você subir na minha tábua
O naufrágio na minha cabeça. Se pudesse por apenas um instante te mostrar, entenderia o ponto em que me perdi.
Olho para nós dois e vejo apenas um naufrágio… tudo que construímos, os mares que navegamos, as rotas que traçamos… talvez eu aceite que eu deva deixar o vento te lavar e deixar o barco seguir o ritmo da maré, mas enquanto o redemoinho não me sugar pras profundezas do oceano, não posso deixar que a correnteza causada por mim arraste o meu tesouro mais precioso.
o meu amor é livre
ou liberalista?
sentencio meu naufrágio
por essas bandas do amor liberalista
desde quando me percebi
buscando encontrar o meu eu
em múltiplos pares
absorvida pelo mundo
das necessidades fragmentadas
o amor liberalista surge
de um pequeno ódio
revolta pitoresca
a dor dos acordos não respeitados
se encouraça
como uma desesperança desmedida
é demanda disfarçada de autonomia
é a liberdade dos desencorajados
a tomar um gole de si
debandada de quem come gente
como se come o mundo
urgente no desejo de se retratar
Ainda que sobreviventes de distintos naufrágios, quem dera fôssemos resgatados na mesma embarcação.
No meio do nada
Em naufrágio
Sem terra firme a vista
Sem você a me esperar
Estou perdendo o fôlego
Desisto de nadar
Mas quando é pra ser, será mesmo. Não há: vento, tempestades, naufrágios, tsunamis; que impeça o amor chegar. Quando o amor chega é assim mesmo. Não tem hora pra avisar, e quando chega é pra durar e ficar. Com tantas desavenças, nossas vidas se encontraram, o destino nos uniu e permanecera... entrelaçado assim, nosso amor. Como um laço, onde nada o romperá.
