Nao Mereco tanto Amor
De tanto querer
Que o tempo não passasse
Sem querer o vi passar
E tem horas que parece
Que só vi
Porém, sem vê-lo
Penso uma imensa lista
De coisas que queria ter feito
E que fiz
Mas vejo que fiz de outro jeito
Senão não cabia a mim
Esse vasto cabedal de desamor
Eu acho que só se desama
Porque na vida que se vive de verdade
Quando alguém encontra o amor
Pensa, infeliz, que só amor não basta
Difícil dizer
Os nomes dessas coisas tristes
Cidade onde nunca fui
Lugar que só existe em mim
Que no fim compõem as horas
Conjunto de longas horas
Que na falta de quaisquer outras
Insisto em chamar de vida.
Edson Ricardo Paiva.
Talvez eu não tenha força para voltar, mas eu lembro muito bem o caminho conheço tanto as rosas como os espinhos...
Toda essa distância
Que um dia doeu tanto
No meu coração
Hoje, não dói mais, não
O tempo fê-la tão mansa
Hora após hora
ano após ano
Vivendo sem fazer parte
dos planos de ninguém
Qualquer coração se cansa
Outro dia eu plantei uma ameixeira
Que morreu, secou por inteira
Foi culpa minha
Pois eu não cuidei
Descobri naquele dia
Que minha saudade
era mais forte
Que a árvore de maior porte
Cravado a vida inteira
No solo infértil do meu peito
Vergava mais que a laranjeira
Escaldado pela frieza
Que emana de qualquer desprezo
Crescia e ganhava peso
Mas um dia se esqueceu
Por quê vivia
E acalmou-se
O tempo lhe trouxe a fleuma,
A mansidão
e a compreensão
Agora ela ainda vive
Porém
Não se lembra de ninguém
Portanto
Não dói mais, não.
De tanto as folhas crescerem
Chega uma hora em que o galho desce
Já não existem mais escombros sob a sombra
Há paz e alegria de sobra
Só quem chora é a chuva
Mas ela nem chove agora
Houve um tempo em que sobravam dias
Agonias normais
De tanto ver cairem as folhas
Chega uma hora em que ninguém repara
E de tanto sobrarem dias
As horas, feito feras, só se maltratavam
Não havia ombro onde chorar
Tinha o ar, que se movia
Tinha a chuva que molhava, indiferente
E de tanto ver crescerem as sombras
Chega uma hora em que os olhos secam
Broncos, endurecem tanto quanto o pé de amora
Hoje, quando a chuva chora, as folhas verdejam
E o coração, na paz de um tronco, parece até que nem se molha
Agora, a tudo carrega dentro de si
De modo, que todo aquele que passa e que olha, não veja.
Edson Ricardo Paiva.
Nada na vida muda tanto a gente
quanto este tal de tempo
Algo abstrato, algo que não se mede
Porém, mente estratosfericamente
Quem diz que os sentimentos
são inatingíveis quantitativamente
Nunca mais pude me expressar tão bem
como quando era criança
e podia ignorar as regras
"Mãe, eu gosto de você até no céu"
"Minha amizade por você é maior que o mundo"
Todo mundo morria de rir
enquanto eu vivia chorando
mas me vinha aquela ideia de vez em quando:
Quando crescer, serei poeta
e quanto mais souber escrever
menos usarei a forma correta
criaram tanta regra pra gente
me impedindo de ser feliz,realmente
Três toneladas de felicidade
dez quilômetros de alegria
quinhentos graus de entusiasmo
porém a justa forma
transforma tudo em marasmo
desisti de ser poeta
usando as unidades de medida
de forma correta
E enquanto o tempo eu media
os anos me consumiam
enquanto os dias contava
o tempo me transformava
nada muda tanto a gente quanto ele.
Não é idolatria querer-te tanto. Os anjos vindos do ceu amaram mulheres bonitas e mortais da terra, eu trago comigo o marco eterno porque és bonita.
Depois da morte, não chorem, não dêem tanto valor à partida, seria humilhação demais descobrir o quanto somos valorosos depois de morto...
Não vou ficar tanto tempo sem você
A saudade domina já não sei o que é melhor
A tua ausência é de angustia que parece não ter fim
A distância desse teu jeito meigo é nostalgia.
A verdade que carrego como verdade não é única, filosófica ou mitológica para dar tanto sentido à morte.
Cristo se alienou tanto a Deus quanto ao Diabo, foi posto a diversas provas inclusive a de não se salvar das maldades do homem, de nada adiantou foi à morte e a crucificação, Para Nietzsche “Cristo não ressuscitou, então é vã a nossa fé. E, de súbito, o Evangelho tornou-se a mais desprezível de todas as promessas irrealizáveis”. Pois ainda o homem tornou capaz de ressuscitá-lo para uma futura vingança ou uma nova crucificação.
Jesus está morto, Deus não! Para tanto o Natal de luzes para simbolizar o nascimento e uma cruz como máxima das simbologias de uma tragédia anunciada. Deus o todo poderoso cheio de dotes colocou o homem sobre um muro em todas as suas peculiaridades para utilizar-se do livre arbítrio, mas conforme o lado em que cair ele usará de seu poder de condenação.
Sobre o nascimento de um salvador ainda requer dúvida na função “salvação da humanidade”, porém a morte desse filho permitida aos olhos do pai é o ápice para as crendices. “Com deus não se brinca”, frase jargão, do tipo religiosamente correta, para fazer valer a máxima em um possível castigo dos deuses. A humanidade não segue religiosamente os ensinamentos de Deus, desde Eva e Adão, então ele já acabou com o mundo em fogo. Não sendo possível melhorar o mundo com o milagroso nascimento de Jesus, Deus permitiu a maior atrocidade já feita a um ser humano, dado ao sacrifício e morte em benefício do mesmo povo já condenado; de nada adiantou!
Faz-se necessária uma nova ideia ou à vinda de um deus todo poderoso raiando sobre nuvens, até mesmo um fogaréu do inferno, por que já se acostumou com essas ideias, acaso enviar mais um filho será de tamanha crueldade e fim, porque nada é superior a ridicularidade e vontade do ridículo homem.
Amauri Valim.
BRASIL COLÔNIA
23/12/2019
.
De tanto me indignar
Diante dos desmandos
Não posso mais chorar
Secaram os meus prantos
Engulo meus soluços
E calado me debruço
Sobre os meus joelhos
Que ouvem meus sussurros
E no abrigo do escuro
Me servem de travesseiro.
.
O Brasil voltou a ser colônia
Nossa soberania virou frangalhos
Decretaram a morte da Amazônia
E da dignidade do trabalho
Deram voz à intolerância
E transformaram a ignorância
Em política governamental
Para que as elites privilegiadas
Continuem a ser alimentadas
Com a desigualdade social.
.
Fizeram do conservadorismo
Fogueira da santa inquisição
Para com falso moralismo
Queimar quem tem outra visão
Para que impere a ideologia
Que divide, exclui e contagia
Quem tem fragilidade intelectual
E que por isso se torna refém
Dos pseudocidadãos de bem
Que integram o exército do mal.
talvez a distância tenha nos distanciado tanto que a volta não seja mas uma realidade. Apenas um contentamento em poucas mensagem e um silêncio vazio de tantos dias separados.....
Não se cobre tanto, não coloque um peso extra nas suas costas que você não precisa, faça o que der e quando der, não lute contra o tempo é pedir para perder de si mesmo
Não sabia se estava exausta ou triste. Já não distinguia uma coisa da outra. Desliguei-me tanto de mim mesma por tanto tempo que já nem sabia definir as minhas próprias emoções — Os meus próprios eus. Agora, limitava-me ao ser. Eu era, sem saber o que era. Apenas era, porque sim. Reduzia-me a isso: Eu sou. Sou o quê? Sou alguém. E fui sendo até ser o que sou agora.
Sei que sou alguém pois tenho consciência, mas sei também, que ao mesmo tempo, não sou um alguém.
Perder-se
Não é irônico como você estava com tanto medo de perdê-los
Sem saber que você estava realmente se perdendo
Com cada resposta tardia, com cada desculpa, com cada vez que você perdoou
O que você sabia que não deveria
Você chamou isso de amor, mas parecia imploro, implorar para ser escolhido, implorar para ser visto, implorar para ser o suficiente
Mas a verdade é que você nunca foi difícil de ser amado, eles simplesmente nunca planejaram te amar adequadamente
A parte mais triste é que você ficou esperando, encolhendo, até que você não conseguia nem se reconhecer mais e a parte mais dura é que eles sabiam, eles sempre souberam, eles sabiam que você estava dando mais do que estava recebendo e eles tiraram vantagem disso de qualquer maneira
Por que eles não fariam isso!?
Você tornou isso fácil para eles
Mas um dia você olhará para trás e perceberá que perdê-los nunca foi a tragédia
Perder-se sim foi
