Coleção pessoal de AliciaSalvaterra

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Peço por um copo de veneno — um copo mínimo em que só em um trago me faça suavizar a vida porque a vida agora me parece áspera.

⁠E apercebi-me novamente que nunca me quis ser. Talvez porque nunca me fui. E se nunca me fui, nunca saberei o como é me ser.

⁠Perco-me constantemente na oscilação de respostas e perguntas que nunca me couberam saber.

(...) passava o resto do dia representando com obediência o papel de ser.

⁠Não sei definir-me, nunca procurei fazê-lo e por enquanto, prefiro não o fazer. Se caso o faça, transformo-me num só, limito-me.

Os homens que eram só homens para todas as outras mulheres, eram tentações do inferno para ela.

Não sei definir-me, nunca o procurei e por enquanto, prefiro não o fazer. Se caso o faça, transformo-me num só, limito-me. Torno-me em alguém que, durante a minha vida, nunca conheci.

⁠Sem saber falar outra coisa, acabava-me por inclinar sempre ao sim. Nem não, nem talvez. Era sempre sim. Mesmo que fosse restritamente a vez do não ou do talvez, sem querer acabava por deixá-lo sair de mim.

⁠Não sabia se estava exausta ou triste. Já não distinguia uma coisa da outra. Desliguei-me tanto de mim mesma por tanto tempo que já nem sabia definir as minhas próprias emoções — Os meus próprios eus. Agora, limitava-me ao ser. Eu era, sem saber o que era. Apenas era, porque sim. Reduzia-me a isso: Eu sou. Sou o quê? Sou alguém. E fui sendo até ser o que sou agora.
Sei que sou alguém pois tenho consciência, mas sei também, que ao mesmo tempo, não sou um alguém.

⁠O peso que sou,
não serve a ninguém,
nem mesmo a mim.

⁠Esperam de mim mais do que posso oferecer.

⁠Que infelicidade a minha.
Fui experimentar sofrer,
e acabei por sofrer de verdade.

⁠Se não aceitarmos a realidade,
ela também não irá aceitar-nos.

⁠As pessoas mais felizes são as que não sabem de nada.

⁠Você acende essa chama em mim,
que eu sem saber como apagar,
me queimo completamente nela.

⁠Que incompetência a minha...

Que incompetência a minha ter nascido num berço de madeira.
Que incompetência a minha ter roubado do peito uma mamadeira.
Que incompetência a minha ser morrida de rasteira.
Que incompetência a minha não ser herdeira.

⁠Sinto-me despejada,
como lixo da humanidade.
É coisa minha,
sempre foi.
Sempre senti-me assim.

Devo ter cometido o pecado dos piores pecados,
porque,
em todos os locais pertencentes,
eu não pertenço.

Foi sempre assim,
nunca pude pertencer a lugar nenhum.

Será maluquisse minha?
Será as inúmeras expectativas que puz em locais,
nos quais ao meu ver eram pertencentes?
Ou será os próprios lugares que já eram pertencidos o suficiente para me pertencer?
É tudo tão confuso…
Eu sou confusa.