Nao me faz Andar pra Tras e nem Ficar Parado
Olhe para as estrelas
Olhe como elas brilham para você
E para tudo o que você faz
A imprevisibilidade faz parte da vida. Ela nos obrigada, de certa forma, a abandonar sonhos e planos antigos. Isso não é uma afirmação de revolta ou frustração, mas sim, de aceitação. Não há nada garantido nesse mundo. A certeza é apenas uma ilusão da mente humana. Apenas siga em frente e aproveite tudo que surgir de bom pelo caminho. Não sabemos quando tudo irá mudar ou simplesmente desaparecer.
Depois de todos esses anos, voltar a minha cidade Natal faz eu reviver tantas memórias e bons momentos. Já faz mais de um década que deixei esse lugar para explorar esse mundo. Eu era tão jovem. Meu objetivo era apenas me conhecer melhor e viver tudo aquilo que eu sonhava. Mas os planos mudam e eu escolhi criar raízes em outros lugar. Ao passar por essas ruas, me lembro da minha infância e da minha adolescência, de todas as pessoas que conheci, de todos os lugares que frequentei. É incrível como algumas lembranças permanecem intactas. Chego a me emocionar quando vejo tudo o que deixei para trás, mas ao mesmo tempo, grata por tudo o que vivi quando decidi começar uma nova etapa da minha vida. É assim mesmo. Para nos encontrarmos, precisamos, muitos vezes, nos perder primeiro. É impossível esquecer o lugar em que crescemos, as pessoas que fizeram parte da nossa vida. Os caminhos mudam, é preciso seguir em frente, mas reviver algumas memórias é bom. Apesar de eu amar esse lugar, sei que nada disso me pertence mais. Meu lugar não é aqui. É bom relembrar, mas é melhor viver.
Em minha cabeça só existe você agora
Este mundo cai sobre mim
Neste mundo existem Real e "Faz de conta"
Isso parece Real para mim
Você me ama, mas não sabe quem eu sou
Estou indeciso entre essa vida que levo
E onde eu estou
Você me ama, mas não sabe quem eu sou
Então deixe-me ir
Deixe-me ir
Tenho um companheiro...
Que me faz feliz...
Até quando estamos nadando...
Contra os problemas do mundo do caos.
Ser feliz nem sempre é estar mostrando os dentes. Às vezes é estar pertinho... de quem nos faz sentir completo... por um encontro de almas.
Em frente à minha janela
Tem um gavião voando
Faz um voo tão morno
e voa muito mais bonito
que o avião mais moderno
Sei que é rapinagem pura
mas tudo que Deus Criou
Tem se portado muito bem
eu acho que o gavião tem
é todo direito de estar
voando e rapinar e planar
e voar de novo se quiser
mais bonito que seu jeito
Só existe no Mundo alguém
Que quero ver e não vejo
Eu Só alimento nesta vida
Um desejo
Voar como um Gavião
E voando a procurar
Te encontrar andando
no chão desprotegida
te carregar pro ninho
depois vou te mastigar
Com todo amor e carinho
Aline
Margeando a sombra das lembranças
Sombreando as margens daquilo
Que te faz perceber a chegada
do vulto que divide tudo
Entre aquilo que ainda existe
e aonde a esperança não há mais
Um dia, numa linda tarde
haverás de olhar
As roupas coloridas balançando
ao sabor dos fortes ventos
que chacoalham seus varais
Esse vento haverá de trazer-te
Um longo, triste e doído lamento
E te fará lembrar
Coisas que fizeste e que disseste
e que deixaste cair no esquecimento
Perceberás então
Que a mágoa que sentias
Não possuia simplesmente
Fundamento ou razão de ser
Talvez tenhas nessa hora
Vontade de pedir perdão
e segurar um pouco a mão
de alguém que desprezaste
e deixaste partir
Sem pelo menos
poder se despedir
Enxugue suas lágrimas
Esqueça suas mágoas
Essa mão estará
Como sempre esteve
à sua disposição
Embora nesse dia
Não possa mais vê-la
Basta lembrar-se
dos motivos que a levaram
A não te balançar
nos primeiros anos
Assim como hoje
O vento balança o varal
Vindo de muito longe
Sentirás um beijo
Um carinho
E novamente
Outro pedido de perdão
Quem sabe outra estação
Um dia vai
Permitir que sejamos finalmente
Filha e Pai.
Faz alguns anos
Que, com a ajuda de Deus
Tornei minh'alma
Uma peneira de tristeza
Os fracassos me atingem
Qual a todos no Mundo afligem
Talvez estivesse nos planos
De quem transformou-me em brinquedo
Excetuando-se os grandes, então
Dos pequenos fracassos
Esvaiu-se todo medo
Passando pelas mãos
Que acompanham-me a alma
Vou transformando
Em palavras de calma
Todo mal que me alcança
Já não faz tanto mal
Não faz não
Eu os uso
Como pura inspiração
Sublimando assim
aquilo que eu não queria
Eu transformo em poemas
Alguns de meus problemas
A ausência de alegria
Transformei em poesia
E como eles vêm
Todo dia
As coisas iníquas
Se tornam profíquas
No dia em que não tem
E dá vontade de escrever
Eu busco então as longinquas
que um dia foram mágoa
E então elas deságuam
Num pedaço de papel
De acordo com a inspiração
Que um dia me veio do Céu.
Quanto menos sentido faz a vida
Mais necessário se faz vivê-la
As descobertas diárias e casuais
Me impulsionam querer
Aquilo que eu sei
Que não alcançarei jamais
O vento sopra em todos os sentidos
Todas as emoções que podem ser sentidas
Passam por mim
Deixando o coração assim...ressentido
Perdidas as experiências vividas
Hoje parecem ser melhores
Que no tempo em que povoavam minha vida
Que passa assim...sem sentido.
O rio vai correndo
Levando suas águas claras
Faz barulho e faz silencio
Indiferente
ao que a gente pensa
O rio corre. Só corre
Correndo forma regatos
Forma arroios, remansos
Corredeiras
Traz areia, faz argila
E corre
Molhando as folhas
Molhando os galhos
Corre todos os dias
Correu minha vida inteira
Desde o primeiro dia
Molha as pedras
Não pára para olhar
quem o olha...
só corre
Arrasta as pedras para o fundo
todo mundo sabe
O quanto são escorregadias
O rio corre
e nesta corrida
Vai distribuindo vida
Permeando a terra
Grama, flores, insetos
Peixes
Águas limpas, às vezes turva
Quando a chuva desaba
Corre sempre
Essa corrida nunca acaba
Acaba a vida
Que o rio recria
Correndo todo dia
Forma até o aluvião
Só não consegue formar
Gratidão no coração
indiferente a isso
corre o rio
O Castor constrói a barragem
A abelha faz colméia
A aranha teia
O ser humano, castelos de areia
Mas esse tal de ser humano é complicado
Quando abandona os castelos de lado
os pobres animas bem sabem:
contra esse ser desvairado
Nãe existe outro animal que tenha escudo
Um dia o cara vem e acaba tudo.
Soneto
Um menino está brincando
Solitário no quintal
Todo dia para ele
é sempre igual
Faz brinquedos com as tralhas
Que vai juntando pela vida
Nunca foi primeiro em nada
E nem nunca teve nada de primeira
Nunca teve segredos
Mas guardou no coração o medo
de viver na eterna solidão
Encontrou somente a companhia
Quem lhe atirasse as migalhas
Que houvessem restado ao fim do dia
O Tempo.
O tempo é a nossa faculdade
De poder sentir o peso do abstrato
E faz saber que o inexistente existe
Não pelo amor, não pelo olfato
Talvez pelo eriçar, pelo arrepio
A milimétrica estrada
O serenar de toda rebeldia
O vento que a todos circunde
Um velho ribeirão
Que ainda circule ao nosso lado e ninguém veja
O dia a dia
O nada que a tudo esfria
Um bule no fogo apagado
Um deus impiedoso e exigente
Que leva da gente uma imagem de espelho
Nos põe de joelhos...nos tira
Todo sangue, todo riso e toda poesia
Todo mal necessário
A tudo que for fundamental
Mas que não for preciso
Uma alternância inevitável entre calor e frio
É alguém que vemos mais de perto
Quanto maior for a distância
É montanha e desmorona, e que se faz ravina
O vento a varrer as rochas
O rio que não se acumula
O findável que não tem fim
E que é, enfim, a toda graça da vida
Quando o olhar um dia aprende a ver sua medida
Pois não há régua que o meça
É água lenta, sem pressa
Assim é o tempo que se passa.
Edson Ricardo Paiva.
O tempo que te faz pensar
No tempo que te resta, pra poder pensar
Pensar naquilo que te faz doer
Que te faz, de vez em quando, ver
Na paz que nos traz a cegueira
À hora costumeira, quando a vista falha
Que se enxerga de tudo ao avesso
Que se faz de cego a tropeçar nas tralhas
O tempo que te faz seguir a própria trilha
Compreender que há um preço a se pagar por tudo
Desde as pétalas aveludadas
Da rosa, cujo tempo há de fazer em espinho
A laje pesada de pedra moída
A lousa apagada, o senhor da razão que a escreveu
Mãe de todas as virtudes
O ninho, o caminho, a alegria e a vida
A areia da praia, que a gente sonhou pisar
Sozinhos, de mãos dadas, cada qual a seu tempo
Um sonho a se sonhar
Quando um beija-flor te fala, só de vê-lo
Batendo-te as asas
Te chamando a partilhar o mesmo teto
A mesma casa
Um repetitivo e eterno som que vem de perto
Olhando ao redor, é deserto...é tão longe
Na vida, quem pode te mostrar o errado ou certo?
O tempo que passa, que corre e morre junto
À graça da vida
Grata, ingrata vida
Que tanto um dia pediu
Pra ser assim, por igual dividida
E ela foi, porém...pra mal.
Edson Ricardo Paiva.
A vida só faz sentido
Se a gente puder vivê-la
Dizer o que há de bom e bonito
Gritar pro mundo sem medo
Quando, na verdade
Felicidade é ter
Um ouvido...e um lindo segredo
O tempo perdido e passado
Arrepender-se de todo e qualquer pecado
Até mesmo dos que nem sonhou
Só falar pro espaço, estrelas, nuvem
A noite posta no céu, janela aberta
O véu que se abre, mas você não olha.
A vela acesa, que tem hora certa pra apagar
Falar pra quem nem as ouça
Os pés no caminho, essa vida descalça
Tá tudo bem, não tem problema
Eu faço mais um poema
Vou novamente me recolher
Ao silêncio dos meus pensamentos
E tem sido assim desde o princípio
Pra depois sentir arrepios
Porque não há nada a ocultar
Além da ausência
de uma tão sonhada paz
Que, às vezes é tanta, que faz ruido
E me abraça com seus braços frios
Sonhar, quisera tivesse um sonho
Divagar, sumir, recolher as folhas
Coração só sabe bater
e é isso que ele bem faz.
Edson Ricardo Paiva.
Olho pro Mundo, hoje há chuva
No silêncio deste mágico momento
Eu tento entender a lógica
Que faz a Terra girar pra um lado
e a gente caminhar pro oposto
É mês de novembro
e eu respiro um ar de mês de agosto
Só não sei de qual ano ele é
Parece que igual a mim
Muita gente que se encontra nesta Cidade
Simplesmente perdeu-se no tempo
O coração se deixa invadir
Por uma estranha alegria tristonha
Houve dias em minha vida
Em que as unhas do tempo
arranhavam minha porta, que eu abria
Entravam sonhos
dos mais variados tamanhos
Eu os mesclava à realidade e vivia
da maneira que o Mundo deixasse
Alguns estéreis e fecundos
Outros profundos
O Mundo e os sonhos
Também foram me deixando aos poucos
Agora, nestes loucos dias que correm
O tempo anda pra trás
O Mundo parece parado
De vez em quando
as águas chovem
E eu ainda vivo
os poucos sonhos que me vem
Enquanto eles também não morrem
