Nao me faz Andar pra Tras e nem Ficar Parado
Chove belamente
Intensamente ela se espalha
Faz estrondoso ruído
No Céu e nas telhas
Congestiona as calhas
Barulho gostoso de ouvir
Quando a gente está em casa.
Se janelas são abertas
As cortinas vem ao teto
Mesmo à meia-folha
Não páram quietas
Chove belamente
E eu peço que caia mais
Uma chuva daquelas
Que apesar do Sol
Despeja gotas transversais
e outras retas.
Chuvas assim
Caem somente
Em quintais de poetas
Ou será que somente eles
Assim as veem?
Quando o choro vem
Ninguém tem nada com isso
E quando a gente ri
Faz isso sem compromisso
A tristeza está sempre atada
Ao fato da compreensão
O ato de ser feliz
É porque finalmente
Eu não quis saber de nada
Eu olho ao redor e percebo
Que a vida é uma obra de arte
E eu faço parte deste Universo
Sou um verso à parte
desta poesia perfeita
Escondida na luz
Uma pauta de sete cores
e dá vida ao perfume das flores
Quando olho pros lados
O traçado do voo dos pássaros
Finalmente faz sentido
Porém, está tudo escondido
Aos olhos de quem não sente
Amor e gratidão suficientes
A fatalmente iluminar o coração
e despertar nele a certeza
de que a vida
É a mais perfeita canção
e nela está inserida
em cada oração de letras escondidas
Muita beleza
a passar despercebida.
"A diferença
Entre as moscas e as abelhas
É sua natureza latente
Essa natureza faz
Que as suas preferências
Sejam por demais diferentes
O resultado percebemos
Nas coisas que elas fazem
Porém, a seu modo
Tanto as abelhas quanto as moscas
São felizes e realizam o seu trabalho
e está tudo interligado a interagir
A diferença, portanto
Não está exatamente nelas
Mas naqueles
Cuja companhia elas procuram.
O tempo transforma
Semente em outra semente
E a outra semente em lenha
E amanhã faz exortar
Aquele que hoje desdenha
Cria e amaina os ventos
A todo momento
Não importa de onde venham
O tempo
Parece que só passa
Só parece
Enquanto isso
A gente envelhece
A saudade cresce e amansa
E com o tempo se torna lembrança
O tempo
Transforma a criança em Homem
E o Homem
Numa coisa muito triste
que insiste em ser feliz
O tempo passa
E não há nada que se faça
E nem que se possa fazer
Além de passar com ele
Lentamente
E depois perceber
Que o tempo, que a tudo muda
Mudou muito mais
A gente.
Sonhos
Castelos de areia
Faz ferver e congelar
Tudo isso
Que me vai na veia
Alegres sonhos tristonhos
dos quais me recordo
Quando acordo
E retorno
Da Constelação de Peixes
Bela e singela recordação
Que me vai no coraçâo
Até que eu novamente
Adormeça
Me esqueça
Por favor...
Não me deixes
Minha fome
É uma arte
Que faz parte
da minha natureza humana
Minha fome
Me consome
Mas
Mesmo estando um trapo
Eu sempre retiro
O fiapo que tem na banana
Mas eu sei
Que tem gente que come
Há momentos
Em que a fome
é de conhecimento
Mas tem coisas
Que depois que a gente sabe
a gente pensa
Que era melhor não ter sabido
Tem hora
Que é fome de afeto
A palavra correta
Falada no ouvido
Fome de descanso
Fome de viver
Num mundo mais manso
Fome de abraço
Assim que passar
O cansaço
Tem dias
Quase todo dia
Que sinto fome de poesia
daquelas que consomem
Com toda tristeza
E me nutrem de beleza
Depois disso tudo
Me sento à mesa
repleto de fome
Não dá pra fugir
À minha mais primária natureza
de homem
Quando o coração da gente
Se faz paz por um momento
E aceita porque quer aceitar
Creia que existe um Universo
E tudo que há dentro e fora
Poderá ser posto agora
Em um Poema de três versos
E ainda sobra espaço
Pra passar um traço no final
E levar o coração
Pra onde quiser
Tudo isso apenas depende
Se esse coração
Realmente quer
Edson Ricardo Paiva
Vida sem dor
Faz tempo que venho fugindo
de coisas que se sente
Se as sinto, minto pra mim
Eu não vim a este mundo pra sofrer
Creio ser correto ter receio de amar
Odiar, esperar, confiar e querer
Assim eu não sinto mais dor
Faz um tempo que não sei o que sentir
Não penso em ninguém
Se alguém pensa em mim eu não sei
Não amo, não odeio
Não confio e nem receio
Olho a chuva na janela
Estrelas na madrugada
Luz da Lua na varanda
Não penso nela
Não sinto nada
Quem manda no coração sou eu
Mas ele não mais me escuta
Por faltar uma razão
Meu coração morreu
Edson Ricardo Paiva
O amor de Deus é coisa estranha
Permite a gente caminhar
Faz a gente ter tanta visão
Que o domínio da própria vida
Parece ser total
Tamanhas são as ilusões que Ele permite
Difícil encontrar alguém que acredite
Que Deus sabe mais que nós
A exata tradução da muda voz
Que se cala triste
Triste por ver que após a caminhada
A ilusão desaparece
No alto da montanha onde subiste
Teu sorriso há de apagar-se
Pois nada daquilo que Deus te deu
Jamais foi posto assim, tão distante
São teus pés e tua fraca visão
Que permitiram
Tua cara triste no escuro do teu quarto
Fruto da ilusão que Ele permite
E prossegue a permitir
Que cada um tenha o direito
De destruir o próprio mundo
do jeito que bem entender
Que chega a ser difícil acreditar
No amor de Deus
Essa coisa esquisita
Tamanha imensidão desse carinho
Que permite a cada um
de seus tristes filhos queridos
Criar pra si mesmo uma montanha e subir
Pra depois, sozinho, chorar escondido.
Edson Ricardo Paiva.
Quando a gente nasce
Um anjo faz uma prece
Em algum lugar deste Universo
Alguma coisa muda
Mas nem tudo que acontece
Na vida da gente
É do jeito que se espera
No dia que a gente nasce
Inicia-se uma contagem
Alguma imagem boa e muda
Na esfera do mundo
Existe e não é à toa
Apesar de fazer o inverso de tudo
Cada segundo vai sendo contado
Tem dias que a gente vive
E tem a incrível sensação
De ter sido esquecido
E deixado de lado pela vida
Mas um dia, finalmente a gente morre
E ocorre de nesse dia
O mesmo anjo fazer outra prece
Não sei dizer
Como e porque acontece
Mas sei que acontece assim
Portanto
Enquanto isso, eu vou vivendo
Pois a prece
Que algum anjo atrapalhado fez por mim
Deu certo
E quis Deus que fosse assim
Exatamente desse jeito
O mesmo vento que me trouxe
Deixou-me com um beijo doce
E me disse
Que eu devia encarar sorrindo
O lindo amargor dessa vida
Pois iria passar bem depressa
O vice-versa
O início ao avesso
O doce que sempre caiu no chão
As verdades de mentira
Deus, por favor, me socorre
Não me esquece!
Manda o anjo fazer logo a prece
do dia que a gente morre.
Edson Ricardo Paiva.
No som do silêncio
Eu ouço o ruído
das coisas que penso
Muita coisa faz sentido
Outras apenas se sente
E tanto se sente
Que o corpo fica dormente
O som do silêncio
Se torna um zunido
Uma coisa constante
Como as coisas que penso
E se penso tanto agora
Talvez seja porque não pensei
Quando era hora
A hora voa
Flutua no som do silêncio
Talvez a vida não seja boa
O mente atordoa e se esquece
Talvez de cansaço
Talvez seja entrega
Tarde demais pra pensar na vida
Ouvindo cada vez mais longe
O ruído das coisas distantes
Que mereciam ter sido esquecidas
Adormeço ao som do silêncio.
Edson Ricardo Paiva.
De repente um pensamento
Uma lembrança que faz ver
Como passaram depressa
Os dias a compor a vida
De chegada em chegada
Amanheceres que eu vi ou não
Azar o meu, eu estava lá
Algumas vezes
O vento soprou tão suave
Que nem sequer apagariam
As velas de muitos aniversários
Para os quais não existiu abraço
Os laços não estavam lá
em nenhum presente
Aqueles do passado também se foram
Só chaves a girar
Nas portas por onde eu passei
E sempre estive do lado de fora
Não existe agenda ou calendário
E nem viagem
Mas sempre houve
Alguém que me vendesse
Pra logo em seguida, se esquecer de mim
Para um peixe, estar fora do aquário
Isso é bom ou ruim?
Edson Ricardo Paiva
Boa é a sensação que vem
Quando a gente se sente só
E mesmo estando assim sozinho
Só faz assim porque sabe
Que em algum lugar deste mundo
Tem alguém que sente saudade
E se sente só também
Bom é quando a gente
Não se cabe de alegria
Quando começa ou termina o dia
Tendo em mente que está lá
E que aquele coração
é outro que se apressa
Pra depois arrefecer, sereno
Aguardando que um mais um
Sejam dois
E que dois seja um só
Bom saber que ela queria
Em grata, simplesmente se molhar
Na tempestade que aqui choveu
Olhar pro mesmo Sol que eu vejo
Saltaria aos olhos dela
Se me visse a rir à toa
Sentindo essa coisa boa
Só por saber que ela existe
Lá, sem saber onde esconde
A alegria que lhe vem ao rosto
Por saber que é querida
E só por ela eu penso assim
Em tê-la até o fim da vida
Aqui, muito perto de mim.
Edson Ricardo Paiva.
Faz tempo que percebi
Que o tempo passa
O que levou um pouco mais de tempo
Foi pra eu ver por onde ele anda
E quanta coisa esse tempo esconde
Porque, por mais dias de Sol que se faça
E por menos que o tempo se feche
E o mato cresça
Por mais tardes que a noite escureça
O tempo passa sim, mas não se mexe
O fato é que passou por mim
Eu sei disso, pois estou aqui
E depois do compromisso
Que eu cumpri com o tempo
Percebi
Que parte disso consiste
Em perceber-lhe a passagem
E manter-se sereno e em paz
Por menos que se conquiste
Porque, por mais que se corra
Não se vence o tempo em seu terreno
Vai-se à frente às vezes
Mas depois ele te passa
E não adianta correr atrás
Eis a lógica do tempo
Ele sempre corre mais
Basta ver a imagem refletida
E depois perceber
Que é um espelho da consciência
E que o tempo
Se esgueira pelo lado escuro
Onde nunca se olha
Fingindo inocência
Talvez, por conveniência
Se pensa que ninguém vê.
Edson Ricardo Paiva.
Pretenso
Me assunto
Disfarço
Faz de conta
Que é verso
Cismado
Penso em por que será
Que quando se gosta
Não precisa
Nem resposta
Nem pergunta
Quando não
Somente se assunta
Penso no fato
da luz da Lua
Bailar na lagoa
Será
Que a traduzir-se
O lado inverso
de modo a ser vista
Em silêncio que ecoa
Mais nada
A Lua calada
Respondeu
Que era
Pelo mesmo motivo do verso
de maneira a falar consigo mesma
Enquanto viva
Porque
No dia que todo mundo
Tiver dentro do peito
Um jeito profundo
De entender o olhar
Esse dia será o dia
Em que nunca mais será preciso
Escrever poesia.
Edson Ricardo Paiva.
Contas.
E então
Você pega um lápis
e aponta
Faz de conta que é poeta
Numa folha de papel
Faz cair as letrinhas do Céu
E depois pega as letras
e as conta
E conta como foi a vida
E sobre as coisas que o tempo faz
Logo após, o aponta novamente
E desenha um poeta
Faz a conta
das vezes que errou
e divide
Pelos erros que acerta
E os soma às manobras do tempo
O que sobra
Empunhar a um lápis sem ponta
Examina o corte da lâmina
As marcas que a vida fez
Galvanizadas
Pelos golpes que o tempo deixa
e de novo o aponta
Esvaindo seu tempo sem conta
Tentando outra vez
Apontar uma estrela
Entre o Céu e a Terra
Faz as contas de novo
e novamente erra
Fazendo de conta que sabe exatamente
Qual era o mês que o calendário indicava
Admite que o poeta mente
Se escreve bonito
Mas escreve pra acalmar a vida
Pois a vida é brava
Cruel servidora do tempo,
Pois o tempo é o que conta
Escreve, pois acredita
Que um dia hão de cessar
Todas as contas
Inclusive a contagem do tempo
Quando as letras, enfim
Se combinarem
E o poema escrito
Mais bonito que a própria vida
O lápis, já sem ponta
Aponta o dia que passou
A oportunidade que foi perdida
E as coisas que o tempo leva
Sendo bem ou mal aproveitadas
Pode ser até que ninguém
Não tenha entendido nada
Daquilo que esteja escrito
Feio ou bonito
Não há meio de apagar
O feito, o dito, o efeito causado
A lâmina gasta
Uma vaga lembrança
Que contrasta
Uma vasta esperança perdida
As arestas ... mais nada
O lápis se acabou
Passou-se a vida
A luz se apaga
Tudo mais o tempo faz
do jeito que sempre o fez.
Edson Ricardo Paiva.
"O que faz a diferença na vida são as pessoas. Nunca devemos nos esquecer daqueles que estiverem ao nosso lado nos momentos difíceis, pois o que menos vai importar são os que não estavam lá."
Edson Ricardo Paiva
Estamos todos abençoados, pois nosso pai nos orienta sempre, e nossa evolução constante se faz no simples e valoroso acreditar.
