Nao Gosto do que Vejo
Existem feridas que não cicatrizam porque foram feitas exatamente no lugar onde nasceu a nossa maneira de amar.
O coração não se parte quando perde alguém, parte-se quando entende que jamais voltará a existir da mesma maneira.
O tempo não leva ninguém embora, apenas nos apresenta àquilo que sempre esteve escondido dentro de nós.
A paz não nasce quando o mundo se acalma; nasce quando o coração deixa de guerrear contra o inevitável.
A maior vitória da dor não é fazer alguém chorar; é convencer alguém de que nunca mais vale a pena acreditar.
As maiores verdades não costumam nascer do triunfo. Nascem das ruínas. Há conhecimentos que só são concedidos àqueles que perderam partes de si e, ainda assim, encontraram forças para dar mais um passo.
A saudade é aquela visita silenciosa que não pede licença para entrar e, mesmo quando tudo se esvazia, insiste em permanecer.
O tempo e o espaço têm um jeito curioso de purificar o que sentimos, a verdadeira distância não separa, apenas revela o que é de fato insubstituível.
Não encontramos a paz quando o mundo finalmente se encaixa, mas no dia em que aceitamos caminhar sobre os cacos sem exigir que eles virem chão firme.
Rico não é quem acumula impérios, mas quem, ao ver a vida desabar e levar tudo embora, continua inteiro sobre as próprias ruínas.
Há dias em que a dor não se manifesta como um grito estridente, mas como uma infiltração lenta e constante na alma. Ela vai corroendo as certezas que levamos anos para erguer, deixando no lugar apenas a poeira de um tempo que não volta mais. Ainda assim, é na solidez dessa poeira que reaprendemos a pisar para tentar nos manter de pé.
- Tiago Scheimann
O cansaço que verdadeiramente nos destrói não é aquele que se cura com poucas horas de sono ao fim do dia. É uma exaustão da alma, um esgotamento lento que nasce da tentativa inútil de consertar o que já nasceu quebrado. Às vezes, parar de tentar salvar o desastre é a única forma de salvar aquilo que restou de nós.
- Tiago Scheimann
O homem não teme verdadeiramente o fim, teme descobrir, nos últimos instantes, que viveu sustentando certezas emprestadas.
Há pensamentos que não procuram respostas. Permanecem vivos apenas para impedir que a alma adormeça na confortável mentira da tranquilidade.
O tempo não caminha sobre nós como um rio. Ele nos esculpe como o mar corrói uma pedra: lentamente, sem piedade e sem testemunhas.
Existem feridas cuja maior crueldade não é a dor que provocam, mas a lucidez que deixam como herança.
O peso da consciência não está naquilo que ela revela, mas na impossibilidade de voltar a ignorar o que foi revelado.
