Nao Gosto do que Vejo
Eu escrevo coisas que entendo e que não entendo, não por querer entendê-las, mas, simplesmente, por escrever…
Eu escrevo sobre papéis amassados, rasurados, estampados, lisos, rasgados, inteiros, infantilizados, envelhecidos, perdidos, vazios, em branco...
Eu escrevo sobre histórias invertidas, marginalizadas, desnudas, alheias, próprias, divididas, secretas, perigosas, ingênuas...
Eu escrevo sobre as delícias da vida, do ser humano, do amor, da amizade, da felicidade, da solidariedade, da saudade, do perdão, do recomeço...
Eu escrevo sobre a dor, o ultraje, a desigualdade, a mágoa...
Eu escrevo sobre o que pode nos tornar a dor, o ultraje, a desigualdade, a mágoa...
Eu escrevo de forma veloz, porque minhas palavras não esperam o virar da página...
Eu escrevo livre...
No papel cabe o universo, os sentimentos, minhas impressões de mundo, ainda que transitórias...
Eu escrevo livre...
A verdade estampada, camuflada, a mentira romanceada, impudica....
Eu escrevo livre...
Eu não escrevo para que me entendam, eu escrevo, despretensiosamente, por escrever....
Eu escrevo livre...
Petite...
É tão engraçado como eu me sentia grande quando ainda não tinha a dolorida obrigação de crescer!
Por amor...
Pensando bem, não existe amor que supera tudo.
O que há são pessoas que se sujeitam a tudo por ausência de amor.
Amor próprio.
Le Retour!
Talvez se eu pudesse voltar a um lugar onde nunca fui, quem sabe eu conseguiria dizer onde eu gostaria de ficar...
Está tudo tão diferente...
Às vezes sinto saudade de mim, de quem eu era. O problema é que não me lembro mais de como eu era! Tão pouco tempo, e tantas mudanças! Não sei onde me perdi, também não sei se me encontrei! Sequer sei se foi melhor ou pior. Quando tiver essa resposta, digo-vos...
Se algum dia eu a tiver...
Mas, sabe de uma coisa?
Está tudo tão diferente...
Eu sou mesmo assim… É assim mesmo que eu vivo, entre o limiar do que você imagina ser insanidade e o que eu considero tão somente normal! E prá continuar no meu mundo, há apenas duas possibilidades: ou você embarca em minhas loucuras, ou crie você, as suas. Porque é assim que eu gosto de viver! Loucamente!
E assim, não mais que de repente, ela descobriu que a felicidade não se curvava às suas auto-sabotagens. Então, ela seria mesmo obrigada a ser feliz!
Malditas lembranças que ainda teimam em me fazer prisioneira da tua imagem.
Malditas!
A minha loucura tem nome. Um nome próprio.
Doutes
Sabe, cansei-me da minha roupagem velha. Cansei-me dos meus vestidos, dos meus sapatos, das minhas nuances, das minhas emoções, das minhas dores, dos meus amores. Preciso de outros ares, alcançar outras estrelas, navegar outros mares. Mas, na verdade, ainda não sei onde quero ancorar. Aliás, também não sei se quero mesmo ficar. Então, ficarei em preto em branco. Por enquanto não correrei o risco de me entediar com outras cores...
And the oscars goes to
Protagonista. Antagonista. Figurante. Platéia. Coadjuvante. Júri. Ela já foi tudo na película que tentava exibir o que ela é. Ledo engano. Qualquer semelhança à realidade era mera coincidência. E se não fosse, convencia-se de que era. Nada tirava-lhe o gosto por personagens. Viver do nada, do tudo, do vento, dos atos, das cenas. E ela vivia. Não um dia de cada vez. Todos os dias de uma só vez. Era livre. Era leve. Não dava explicações. Não se auto explicava. Assim era bem mais fácil. E agora? Agora que ela aprendeu a se sentir? Agora que ela decidira se experimentar, se tocar, se saborear? Como voltar a representar se tudo que fala alcança-lhe as impressões digitais? Se tudo que olha rouba-lhe a essência, despe-lhe a alma, invade-lhe o palco? É isso que ela não suporta. Ela não suporta ser medida da cabeça aos pés. Ela não suporta ser um turbilhão de emoções, mas sem uma armadura que lhe dissimule o rubor do rosto e o coração em frangalhos. Ela não suporta mais sentir o gosto dela mesma. É intenso demais. É cruel demais. Ela precisa urgentemente de um novo roteiro. De um personagem que a salve de seus próprios sentimentos. De sua própria desordem.
The end
Juro que não queria te ver assim.
Juro que me feriu o coração ver-te de alma cortada, olhar perdido, magoado, em preto e branco.
Agora que eu deveria ser uma navalha. Não a te apunhalar o peito, mas para arrumar-te os cabelos, fazer-te a barba, deixar-te limpo.
Limpo de mágoas, dor, sofrimento, rancor...
Infelizmente, não posso.
Não posso porque não há emplastro que cure o que você também me fez à carne.
Não posso porque não há conforto que reconduza a minha alma ao lugar onde ela deveria estar.
Não posso porque o filme ainda roda, gira, roda e gira, gira e roda, sem parar, sem trégua, sem piedade.
Não posso porque a minha imagem muito se assemelha à sua.
Desculpe, mas não quero que me veja assim.
Meu acordo com a vida:
sempre que ela não me permite fazer o que me dizem ser o "certo", eu faço o que eu quero.
Tem funcionado.
Essa merda de sentir...
Sentir o que os meus olhos veem e o que não veem
O que minhas mãos tocam ou não
O que meu olfato fareja com ou sem máscaras
O que meus ouvidos ouvem e até o que nunca disseram
O que a mim compete
O que a mim não deveria interessar
O que a mim compelem
O que a mim nem chega.
Essa merda de sentir...
Sentir a solidão das massas, a morte de um desconhecido entre milhares, a milhares de quilômetros de mim
Sentir a indecência de quem não se importa sequer com o possível perigo aos teus
Sentir medo pelo próprio País
Sentir medo para além de todas as fronteiras, imagináveis ou não
Que merda é essa de só sentir a impotência de sentir, sentir, sentir?
Que porra é essa de sentir tudo ao extremo assim?
Que porra é essa de ter fugido da insensibilidade para depois ser outra vez a esponja de não só o que me fazia insensível, como se um castigo fosse?
Se bem que justiça seja feita, pra quem já não andava a sentir quase nada, talvez essa tenha sido a forma como a vida encontrou para dizer-me mais uma vez que o controle nunca esteve em minhas mãos.
Mas estás a pegar pesado demais, vida!
Ah se estás!
Estás a matar rápido demais, corona vírus, inclusive a esperança!
Estás, estás...
O problema da classe bem mediana fora do país não é pagar um valor justo a quem faz serviços domésticos. É o fato de ter que respeitá-los como igual.
Minha linguagem de amor com amigos: não cobrar presença, atenção, exclusividade, enfim, deixar completamente livre. Só exijo reciprocidade na linguagem.
As feridas que sangram por debaixo da farda de um policial não deveriam ser politizadas. Deveriam ser tratadas.
A gente faz homens medíocres acreditarem-se tops quando não criticamos pra não ofender, quando nos derretemos pelo mínimo do mínimo, e depois nos perguntamos de onde é que ele tirou essa ideia absurda! (autocrítica)
Alguém que eu admire, que não me faça travar uma luta homérica para confiar, e que não exija aplausos por ser confiável. Sê-lo não é um plus, é o mínimo.
Se você perde pessoas com frequência, não seria mais fácil mudar o seu jeito a viver sempre a fazer novos amigos, e perdê-los?
Eu tenho duas reações quando passada pra trás: ou eu viro bicho porque a pessoa não tem qualquer importância pra mim, ou se era um amigo, me silencio, e a partir desse momento, ele/ela se iguala à pessoa de cima.
Eu preciso urgentemente de vacina pra ficar imune à pegada de homem tóxico. Isso já não tem mais graça.
Eu só não me envergonho do trabalhão que eu dou a Deus porque tenho certeza de que, quando dou birra e empaco no caminho, Ele se diverte imenso com as pancadas que Ele me dá na cabeça até eu entender e, pior, ADMITIR, mesmo a resmungando, o quanto minha vontade era imperfeita!
Mulher que ama só trai por se sentir diminuída, por incerteza ou por não confiar em si mesma diante do seu amor. Logo, a traidora é muito mais coitada do que o traído.
Sua dúvida não era a de que não pudesse ser um homem, e sim a de que talvez não chegasse a ser um rato.
