Nao Gosto do que Vejo
As lembranças da minha infância na casa de minha mãe tem um gosto de nostalgia, sabor de inocência e uma propriedade muito particular, voltar aqui foi apenas para admitir que falhei. Hoje dei o braço a torcer e vim ver a carcaça da casa e os restos empoeirados que ainda insistem em resistir ao tempo, pois, ela não está para me receber, dói. Perdi minhas asas e levei um grande tombo, fiquei no mesmo lugar engolindo todo o choro para não ter que olhar para tudo que lançei ao vento, destrui. Eu só queria ser acordado por você, ter um olhar sincero de amor incondicional, ouvir sermões e preocupações, sorrir silenciosamente sobre as visões que tinha sobre o mundo, desapareceu. Agora retorno à aqueles dias de menino através do álbum de fotografias, a única forma de me manter vivo, agonia. Acho que vou ficar por aqui, irei abrir todas as portas e janelas e deixar o sol entrar e iluminar um novo caminho, eu devo isso a todas as pessoas que magoei quando fui embora cheio de ideais, perspectivas e sonhos, recomeço.
A verdade é que sou muito intensa, vivo sempre nas extremidades... Quando gosto, gosto mesmo. Quando não, não há nada o que fazer! Por um lado é bom: odeio meios termos! No meu dicionário não existe o quase... E já me perguntei várias vezes se isso é uma qualidade ou um defeito. Nunca descobri! Na verdade, cansei! Não quero mais saber, a vida me leva da forma que sou!
Hoje amanheci
com um odor de madrugada
e gosto de pólen em minha boca.
Meus cabelos pendem como folhas molhadas
meus braços se distendem em floração.
Há um sol plantado em mim
um verão aceso
e toda me percorre uma seiva de mel..."
PASSEIO NO TEU MAPA
Eu gosto quando o meu corpo roça o teu
Corpo é um fio tenso exposto o cobre.
Tão bom as temperaturas repousadas
Que queima e se presente
Quando vem o tempo com outro renque
De passistas.
Eu admiro o teu corpo e em mim
Se faz de dor quando te afastas
E o que mais me diz do teu corpo
São seus alcances, suas aduncas de ir e desandar.
Pois de me proferir o teu corpo
Ruboriza o meu, de conflagrar no fogo
De todos os arrabaldes permeados
Dos cuidados, que amor não contrasta.
Gosto de apalpar o fundo do teu corpo
De beijar-te aqui ali
Ir voltar trazendo o gosto
Dos teus jardins dourados.
Gosto de afundir-me com meus olhos
Nos pedaçosmoles
Colinas brancasecoloridas
Gosto de pacientemente alancear teus cortes
Do seu dissimulo ínmã e o que der que freme
Mitra teu corpo subdividido
Gosto de pessoas intensas, que colocam paixão em tudo o que se propõem a fazer. Às vezes me sinto feita só de sentimento. #intensa
Me lanço com paixão absoluta em tudo o que eu acredito. E o contrário também acontece, me fecho completamente para tudo que não levo fé. Amo pessoas intensas e decididas, elas me fazem acreditar que tudo vai dar certo no final.
Gosto do que se valoriza, do que se eterniza, do que é realmente bom, do que é verdadeiro, do que nada nem ninguém consegue mudar. Gosto particularmente de tudo um pouco mais diferente, mais estranho, fora do normal, nada comum. O habitual enjoa, o diferente inova.
“Eu coleciono livros da mesma forma que minhas amigas compram bolsas de grife. Às vezes, só gosto de saber que os tenho e lê-los de fato não vem ao caso. Não que eu não termine lendo-os todos, um por um. Eu os leio. Mas o mero ato de comprá-los me deixa alegre – o mundo é mais promissor, mais satisfatório. É difícil explicar, mas eu me sinto, de alguma forma, mais otimista. A totalidade do ato simplesmente me faz feliz.”
Gosto da simplicidade das coisas mais doces. Gosto do encanto do mar, da magia da lua. Gosto da graça da terra ao receber a chuva. Gosto da beleza das flores e seus perfumes. Gosto daquilo que não precisa de artifícios para ser belo, mas aquilo que já é naturalmente belo. Gosto de doar sorrisos e espalhar sementes.
E hoje o gosto de veneno está em minha boca.
Meu coração se tornou pedra.
Minha alma livre.
Meu amor se libertou.
Minha verdade foi revelada.
Minhas pernas caminham para frente.
Minhas mãos tocam o espinho.
Meu pensamento se voltou contra ele mesmo.
A irá apunhalou a tristeza.
Meus defeitos foram mortos pelo ódio.
Hoje sou o escuro do cemitério.
Sou o fantasma de quem me assustava.
Me tornei cruel com meu lado negativo.
E apaixonei pelo recomeço.
Hoje meu sentimento de desprezo está de volta para quem não me interessa.
O meu pecado eu mesmo perdoei.
A minha preocupação se virou a preocupação comigo mesmo.
Hoje eu renasci.
Hoje corre sangue selvagem em minhas veias.
Meus olhos sangram ao ver como eu estava enfraquecendo.
Meus olhos cegam aqueles que não merecem vê.
Ah, como eu era tola. Sofria tanto quando algo chegava ao fim. Tudo mudou depois de provar do gosto de recomeçar.
A verdade é que eu gosto de ajudar os outros pra distrair a minha dor. Me faz sentir bem, saber que ajudei alguém, que pus um sorriso no rosto de uma pessoa. Me tira - por alguns segundos - aquela sensação de insuficiência. E, além do mais quanto menos pessoas tristes, melhor: de tristeza, eu sozinha já me basto.
"...E a manhã tinha gosto de fruta, mas com jeito de fim de semana, com edredon, tapete, almofada, sofá, jardim e cinema."
Eu gosto das pessoas, mas me dou melhor com os animais. Eu sinto que eles me entendem. É como se um dia eu tivesse sido bicho.
Eu gosto do meu coração, assim, exatamente assim: aberto. E eu até posso perder as palavras, me recolher. Sair de cena. Mas eu jamais vou perder as razões que me fazem escrever.
