Nao Entendemos nada mas Continuamos Insistindo
Nada
Lá vem a saudade roubar
A minha cor, me desbotar
Mudar meu tom de ouro em amarelo-pálido.
Transmutar minha melodia em uivo lancinante.
Meu tom destoar e aferroar minha garganta
Até que eu grite ou fique muda.
Esvaziar minha alegria, murchar minha euforia
Derrubar-me do pedestal da minha indiferença
E deixar a minha crença
No amor virando nada.
E desobrigada
De crer e de ser.
Notas de um moralista
Era de madrugada e eu acabara de dormir com uma garota jovem e bela que eu conheci a pouco num bar. Me levantei e enchi um copo do melhor uísque que o dinheiro pode comprar, acendi um charuto cubano e sentei na varanda da minha casa em frente ao mar, e lá pensei que pela manhã quando a garota acordasse e fosse embora eu continuaria ali sozinho. Deus eu era uma pobre alma, um homem que tinha tudo, mas não tinha nada.
Nada se faz só, tudo o que queres e necessitas o outro tem de se fazer presente para que se concretize plenamente.
Prefiro ser considerado um nada e ter tudo com Deus, que ser tudo para esse mundo,mas para Deus ser um nada!
Minha vida pela sua, sua vida pela minha, nossa vida pela de tanta gente. Mas, nada disso vale sem o amor.
Do que adianta querer dar a vida sem a vida ter? O amor é a vida e a vida depende do amor, sem amor nada somos, sem amor nada temos, sem amor, só há vida sem sentido.
Em mim há um nada
Um nada sem muito propósito
Sem nenhum porquê
Só sei que há um nada
E esse nada dói
Cada vez que eu penso em você
Sabe oque seria bom agora? Eu+você, em algum lugar bem longe de tudo, com um céu limpo onde conseguíssemos olhar para ele e contar as estrelas e eu iria lhe dizer :
- Tá vendo todas essas estrelas "juntas"? Nem mesmo essa imensidão de estrelas é tão grande quanto o meu amor por você.
O cego e a guitarra
O ruído vário da rua
Passa alto por mim que sigo.
Vejo: cada coisa é sua
Oiço: cada som é consigo.
Sou como a praia a que invade
Um mar que torna a descer.
Ah, nisto tudo a verdade
É só eu ter que morrer.
Depois de eu cessar, o ruído.
Não, não ajusto nada
Ao meu conceito perdido
Como uma flor na estrada.
Cheguei à janela
Porque ouvi cantar.
É um cego e a guitarra
Que estão a chorar.
Ambos fazem pena,
São uma coisa só
Que anda pelo mundo
A fazer ter dó.
Eu também sou um cego
Cantando na estrada,
A estrada é maior
E não peço nada.
Do livro "Fernando Pessoa - Obra poética - Volume único", Cia. José Aguilar Editora, Rio de Janeiro (RJ), 1972, págs 542/543. (Fonte: Projeto Releituras)
Que nos falte tudo, menos sabedoria e maturidade para enfrentarmos todos os desafios desse mundo no qual entramos chamado amor.
Ela nem reparou que o ano passou e nada ela fez...
Ele nem percebeu que o tempo passou e vai passar outra vez...
Apenas isso: chove e estou vendo a chuva. Que simplicidade. Nunca pensei que o mundo e eu chegássemos a esse ponto de trigo. A chuva cai não porque está precisando de mim, e eu olho a chuva não porque preciso dela. Mas nós estamos tão juntas como a água da chuva está ligada à chuva. E eu não estou agradecendo nada.
