Nao Consigo te Odiar
Se usar máscara para te proteger do vírus não te motiva, use máscara para nos poupar da sua feiúra!
Toda a religião com compromisso espiritual sincero não adoece as pessoas, o quê adoece as pessoas é o radicalismo político em prol da luta pelo poder. Menos política e mais vida, porque nós merecemos.
"A grande conquista do constitucionalismo não foi descobrir um método infalível para escolher os melhores governantes, mas estabelecer instituições que impeçam até mesmo os governantes legitimamente escolhidos de exercer um poder absoluto."
Havia música na cozinha,
panelas ao lume,
e um homem que ria alto
como se a vida não lhe pesasse.
Tinha fortuna nas mãos,
mas talvez tempestades na alma.
Porque o dinheiro enche uma casa,
mas não silencia o que nos falta.
Houve mãos que magoaram,
e feridas que não posso ignorar.
Mas também houve um riso
que ainda consigo recordar.
Hoje, sentava-me ao seu lado,
sem julgar, sem tentar adivinhar.
Perguntava-lhe apenas:
O que sentes quando estás a cozinhar?
Porque há fortunas que se contam,
e há pazes que não se podem comprar.
Não foi covardia afastar-me de algumas pessoas, mas a coragem de renunciar à busca pela aprovação alheia.
Por mais que aparente, eu não sou um pássaro. Posso saber bem imitar o canto de alguns, porém, realmente não sei o que querem dizer.
Uma Bofetada de Amor.
Não espero curtidas ou coraçãozinhos...
Porque ninguém aplaude quando leva uma bofetada, quando é ferido...
E é exatamente isso que quero...
Mexer onde ninguém toca. Onde você resolveu se esconder, fugir daquilo que te faz sangrar, do que te faz sentir, do que você realmente é.
Aquele lugar que o mundo não conhece e que você tenta esquecer...
Não espero curtidas. Quero que, ao terminar de ler, você saia do texto sem palavras, sem movimentos, em choque, porque uma luz vermelha de emergência se acendeu dentro de você e agora está tentando entender onde foi parar e por quê.
E isso leva tempo, porque o próprio corpo entra na defensiva, tentando se proteger da cura, com medo do desconhecido.
Mas não tenho pressa. Eu espero.
Esse é o preço do amor...
E é em nome dele que não quero ver ninguém sofrer, afogando-se nas próprias máscaras, escondido dentro de um véu de ilusões.
Carta VI — O Último Suspiro:
Últimas reflexões e legado
Já não me restam forças para continuar a escrever. Apenas um pequeno fôlego sobrou para que eu me lembre do quanto é bom viver. Já se passaram mais de quinze anos, e até aqui não recebi nenhuma visita: nenhum parente, nenhum vizinho, nenhum amigo. Como se todos se sentissem aliviados por se livrarem de mim, como se eu fosse um fardo. Não faz mal. Hoje deixarei a carne, mas não o mundo. O meu espírito continuará vivo — não num novo corpo, nem num novo hospedeiro —, mas na memória daqueles a quem estas cartas chegarem.
Nestes, o meu testemunho continuará a viver.
"Mesmo que lhes firam o corpo, não poderão matar o espírito. Mesmo que os prendam, não poderão silenciá-los da verdade".
Despeço-me deste corpo, desta vida. E, como injustamente me condenaram por não concordar com as vossas normas e por me punirem pelos meus pensamentos, farei com que os vossos próprios umbrais vos engulam de aflição pelo vosso cinismo e pela vossa hipocrisia. Que a vossa abundância e vaidade sejam reduzidas ao pó da terra.
Suspiro de alívio, embora carregue o fardo. Eis que chegou a hora de partir. Suspiro de paz, embora ainda exista ódio em mim. Que a terra se encha de justiça e que cada homem seja consciente de si mesmo. Pois nenhum homem pode condenar outro sendo ambos falhos. Nada nos dá o direito de punir o crime alheio quando não há quem puna os nossos.
Pergunto aos lordes:
— Quem dentre vós é digno de expiar o erro de outrem enquanto não reconhece os seus próprios? Se somos todos livres o que vos dá o direito de colocarem correntes nos nossos pescoços?
Todos nascemos livres, sem correntes, e ninguém espera que, após nascer, lhe coloquem cordas no pescoço.
"Cada ser humano possui uma vida e, por possuí-la, tem o direito de vivê-la."
Quem sois vós que nos quereis tirá-la?Porventura sois vós que a concedestes?
Eis o ponto da corrupção humana: todos querem ser soberanos, todos querem governar, mandar e dominar. Mas será que algum de vós já pensou em ser servo?
Se todos governassem, quem estaria subordinado? Por isso mesmo, não abuseis de quem vos dá um pouco de consideração como chefes. Pois só existe governo porque existem aqueles que vos obedecem. E, se ninguém vos obedecesse, duvido que as leis vos conseguissem proteger.
"Vós criais as normas, mas somos nós que as tornamos realidade."
Esta é a minha última carta. Gostaria tanto de escrever-vos mais, mas o sangue no meu corpo esgotou-se, e também o meu espírito. Já não restou papel; apenas um pedaço esquecido pelos antigos prisioneiros desta masmorra. Rogo-vos que guardem estas cartas com a vossa própria vida e que não as deixem apodrecer assim como eu. Não as deem de comer aos ratos, pois elas foram escritas com a carne deles. Não as entreguem aos soberbos, pois tenderão a queimá-las quando perceberem que elas ameaçam o seu poder.
"Não há arma mais delicada do que as palavras quando são capazes de transformar a consciência de um povo."
E eles não querem isso.
Não as vendam por moedas, pois nasceram da desgraça e foram escritas na miséria. Eis o meu último testemunho, o meu último pensamento para vós, e o meu último desejo:
"Uma morte livre vale mais que mil anos de vida escrava."
"Uma sociedade que censura uma opinião diferente daquela que defende é venenosa."
Não sejais hipócritas convosco mesmos.
Não sejais indiferentes à verdade.
Não sejais mornos: decidi-vos se sois frios ou quentes.
Não vos curveis para viver uma vida miserável diante daquele que vos oprime, censura e persegue.
Novamente, se alguém vos perguntar de quem é esta carta, respondei-lhes:
é de um Condenado.
Espero que aqueles que a encontrarem me conheçam um dia, do outro lado do mundo.
Adeus!
Pensar é livre, ferir com o pensamento é escolha; e a maioria escolhe ferir: não por verdade, mas por fraqueza.
O pensamento não ilumina; ele expõe. E o que expõe no homem é podre.
Refletem sobre a vida, mas não a compreendem; discutem a sociedade, mas são a sua doença.
Interpretam fenómenos, mas continuam cegos.
A mente humana não busca verdade; busca domínio. Cada ideia é uma lâmina.
Cada opinião… uma tentativa de impor-se sobre o outro; não pensam para construir, pensam para destruir.
E chamam isso de liberdade.
No fim, não há diálogo; há confronto.
Não há razão; há ego. Pensar nunca foi o problema. O problema… sempre foi o homem.
"Somos fáceis de manipular; fáceis de usar. Ou seja, somos tão acessíveis que não existe nenhuma gota de liberdade em nós".
“O difícil não é contar uma história, porque toda gente tem uma história — seja ela feliz ou triste — para contar, porém, o difícil mesmo é encontrar ouvidos que estejam disponíveis para ouvir a história”.
“O aparelho pode detectar doenças que o corpo não está a sentir. As pessoas podem julgar o que a pessoa nunca foi. O mundo gira perante esta lógica absurda.”
"Afinal, com a convivência pelo tempo, há pessoas que perdem o valor que antes tinham e, não obstante, vão-se como a correnteza."
Imagina-te no teu quarto, irmão, onde o sol deixou de sorrir para a tua janela porque já não consegue expor a vaidade do brilho da sua luz, e a lua escondeu-se dos buraquinhos das chapas do teu teto porque quis encobrir a sua vergonha, para que ninguém — especialmente tu — zombasse da sua nudez.
Os teus olhos cessam de descansar sobre os seios da paz; a dor canta e a tua alma dança, pois não consegue resistir à música que agrada aos ouvidos.
As noites tornam-se cinzentas porque, em cada canto das paredes do teu quarto, a solidão vigia-te e exige que a abraces.
Os pensamentos convidam-te a viajar naquele mar chamado passado, que sufoca calmamente sem avisar da "morte". Ideias atravessam o mísero conceito de "subsistência", pondo à prova, diariamente, as nossas fracas "existências".
A coragem cala-se diante do medo, pois o infortúnio anda à solta com duas guilhotinas e um estilete.
Diz-me, irmão... abraçarias o enredo denominado "vida" e continuarias a sofrer, ou clamarias pelo desfecho designado "morte" para que houvesse um final naquilo que te mantém refém de um destino que não oferece descanso, paz e felicidade?
Uma educação formadora e não deformadora tem como principal objetivo abstrair o melhor dos alunos - provoca o pensar e não apenas o decorar.
