Imagina-te no teu quarto, irmão, onde o... Miguel Chiyo Tomás
Imagina-te no teu quarto, irmão, onde o sol deixou de sorrir para a tua janela porque já não consegue expor a vaidade do brilho da sua luz, e a lua escondeu-se dos buraquinhos das chapas do teu teto porque quis encobrir a sua vergonha, para que ninguém — especialmente tu — zombasse da sua nudez.
Os teus olhos cessam de descansar sobre os seios da paz; a dor canta e a tua alma dança, pois não consegue resistir à música que agrada aos ouvidos.
As noites tornam-se cinzentas porque, em cada canto das paredes do teu quarto, a solidão vigia-te e exige que a abraces.
Os pensamentos convidam-te a viajar naquele mar chamado passado, que sufoca calmamente sem avisar da "morte". Ideias atravessam o mísero conceito de "subsistência", pondo à prova, diariamente, as nossas fracas "existências".
A coragem cala-se diante do medo, pois o infortúnio anda à solta com duas guilhotinas e um estilete.
Diz-me, irmão... abraçarias o enredo denominado "vida" e continuarias a sofrer, ou clamarias pelo desfecho designado "morte" para que houvesse um final naquilo que te mantém refém de um destino que não oferece descanso, paz e felicidade?
