Nao Chega aos meus Pes
Caminhada
O chão não prometia facilidade,
ainda assim, eu fui.
Os pés cansaram cedo,
pediram pausa,
não rendição.
Parei à beira da estrada,
bebi água morna,
olhei pro nada
até o nada responder
com um canto manso.
A noite veio longa,
o sabiá insistia,
e o sertão, em silêncio,
seguia bonito
sem pedir prova.
Peguei o violão
e cantei com o passarinho.
Era amor queimando baixo,
chama viva
no meio do caminho.
Quando cheguei,
não havia aplauso —
havia braços.
Abracei minha família
e agradeci pela caminhada.
Há uma luz antiga no fundo do abismo,
não chama, mas acolhe.
Quando os pés param à beira,
é a terra que respira sob eles,
lembrando:
nenhum salto é sem mãos invisíveis.
Que o vento venha,
não para derrubar,
mas para sustentar.
Que ele ensine o corpo a confiar
no movimento que não fere.
O erro não é maldição.
É abertura.
Ferida por onde o amor esquecido
retorna ao sangue e faz pulsar o coração.
Que aquilo que sangrou
seja lavado não pelo medo,
mas pelo tempo certo.
Que essa pele nova endureça.
As defesas podem descansar.
Que as muralhas se tornem portais,
que os fantasmas dissolvam seus nomes.
Coragem não é ataque:
é permissão.
Que o amor seja lembrado.
Não como promessa,
mas como presença.
Que o sol não seja negado
mesmo quando a noite ainda pesa.
Que os ossos desaprendam a dor
que não lhes pertence.
Se houver sombra,
que ela seja abrigo,
não prisão.
Que o silêncio não engula,
mas escute.
E ao caminhar,
mesmo sem mapa,
que cada passo seja bênção.
Que o passado não seja apagado,
mas se torne aprendizado.
E que novos e bons caminhos surjam
onde antes só havia medo.
Assim seja no corpo.
Assim seja no fôlego.
Assim seja no agora.
No dia do meu nascimento, eu não apago velas — eu acendo fogueiras sob os pés dos tolos, enquanto meus aliados juram lealdade eterna. Parabéns a mim, o arquiteto do caos calculado.
Você pode empurrar a culpa pra frente,
pode fingir que não sente,
pode se distrair com outra pessoa, com bebida, com amigos…
mas quando o mundo fica quieto,
quando a velhice chega,
quando as lembranças aparecem…
a consciência cobra com juros.
E cobra caro.
Teu caminho até mim foi traçado com sangue na terra. Cada pedra feriu Teus pés, não porque eu merecesse, mas porque Tu escolheste me amar.
Não caio nessa que os opostos se atraem, não vou deixar de voar porque você não quer tirar os pés do chão, não vou deixar de criar porque você quer viver em uma vida em preto e branco. “Quem ama não prende que ama solta.”
Hoje acordei, e o Diabo, sentado aos pés da minha cama, disse-me:
“Ama — como quem já não tem tempo.
O inferno não é a ausência de amor,
mas lembrar que podias amar e não quiseste.
Nem Deus te salva do que deixaste de viver.”
Deus não nos chama apenas para molhar os pés na Sua presença, nem para viver ajoelhados apenas em momentos de necessidade, mas para um ponto onde já não andamos por nós mesmos, e sim somos conduzidos totalmente pelo fluir do Espírito.
Enquanto
a FIFA pensa com os pés, os Futebolistas
não usam nem eles
nem as cabeças.
Quando o jogo passa a ser administrado mais como produto do que como arte, algo essencial começa a se perder.
O futebol, que nasceu da improvisação, da inteligência do corpo e da astúcia da mente, lentamente vai sendo comprimido em protocolos, métricas e decisões tomadas aos pontapés longe do gramado.
Quanto mais a engrenagem institucional tenta controlar o jogo, menos espaço sobra para os jogadores pensarem dentro dele.
Há uma ironia quase perfeita nisso: quando quem governa o futebol passa a “pensar com os pés”, transformando tudo em espetáculo coreografado, calendário saturado e regra calculada para o consumo, os protagonistas do campo acabam sendo treinados para obedecer mais do que para interpretar.
A criatividade cede lugar à execução mecânica; o gesto genial vira exceção, quando antes era linguagem.
O futebol sempre foi uma conversa entre pés e cabeça — entre instinto e inteligência.
Quando uma dessas partes é silenciada, o jogo continua existindo, mas algo de sua alma se dissipa.
A bola ainda rola — e até grita —, os estádios ainda vibram, os números ainda crescem.
Mas, pouco a pouco, o jogo deixa de ser pensado por quem joga e passa a ser apenas executado por quem mal assiste.
E talvez o sinal mais evidente disso seja quando os jogadores correm cada vez mais… enquanto o futebol parece pensar cada vez menos.
Em algum momento, é necessário tirar os pés do céu, e voltar a pisar no chão. Não que sonhar seja errado, não é. Mas ás vezes um pouco de razão não faz mal algum.
[...] se bem que eu não sei se realmente estou de pés e mãos atados. O fato é que, independentemente da realidade prática e palpável, o que nos prende ou nos liberta está ao alcance apenas dos desejos mais íntimos da nossa consciência.
Cadê a sua educação ?
Hoje falei para uma atendente bancária: "Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar !"
Estava eu, em frente a uma mulher de meia idade, solicitando educadamente que ela fizesse uma transferência de valor para um outro banco. A atendente, num tom de voz pretensioso e alterado afirmou-me que a conta que eu estava mostrando para ela estava errada e negou-se a efetuar a transferência.
Percebi um certo desconforto nela, algo a incomodava e não era eu.
Pensei então que o dia estava sendo ruim para ela e que talvez ela pudesse ter razão quanto ao número da conta bancária e fui ao outro Banco para confirmar.
Confirmada a conta, nada de errado, voltei ao banco para realizar a transferência, peguei nova senha, esperei e tive a sorte de ser atendida pela mesma mulher.
Digo sorte porque falam que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar: é mentira!
Cinco estações de trabalho, cinco atendentes: duas vezes, no mesmo dia, atendida pela mesma pessoa...
Ela me reconheceu e gritou: "Já não falei que esta conta está errada!?"
Eu respondi calmamente e baixo: "Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar ! E mais, educação enferruja por falta de uso. Por favor, faça a transferência porque acabo de confirmar a conta!"
Depois disso, não lembro mais de ter ouvido a voz dela. Mesmo assim, antes de ir embora, agradeci e disse: "não se esqueça de ser feliz !"
E eu ? Saí de lá e fui tomar sorvete !
Nunca consigo parar,
sou pessoa de nenhum lugar.
A mente voa,
os pés querem ir atrás.
Não me deixe ir,
não quero partir,
quero ficar.
Faça-me acreditar que sou de algum lugar.
Não use os pés para pisar em alguém , mas sim para alcançar o impossível.
Não use as mãos para apontar , mas sim para acolher.
Não use a sabedoria para se sobrepor, mas sim para analisar.
Não use Deus como um simples senhor , mas sim como o altor e criador da tua vida.
Ter moral e bons costumes não dá direito de ser intrometido e mandão na vida alheia. Aliás, é um péssimo costume se meter!
